Judiciária fez sete buscas, em clínicas, casas e num escritório de contabilidade
A Polícia Judiciária de Setúbal realizou esta quarta-feira buscas na clínica EcoSado, onde a mãe de Rodrigo foi seguida sem que o obstetra Artur de Carvalho detectasse as malformações com o bebé que nasceu.
Em causa, avança a PJ em comunicado, está a investigação de factos relacionados com alegada fraude ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Uma empresa de prestação de serviços médicos submeteu a reembolso do SNS, com base na convenção em vigor, requisições médicas destinadas a realização de exames complementares de diagnóstico (exames de radiologia, designadamente ecografias ginecológicas), que foram concretizadas por intermédio de outra entidade não convencionada, a clínica EcoSado.
O esquema foi conhecido através do caso do bebé Rodrigo, que nasceu em Outubro de 2017 no Hospital de Setúbal. A sua mãe, Marlene Simão, foi encaminhada para esta clínica, a fim de realizar as ecografias, pelo centro de saúde onde era acompanhada.
A PJ levou a cabo sete buscas domiciliárias e não domiciliárias, sendo estas a clínicas médicas e a um gabinete de contabilidade. Das buscas resultou a apreensão de documentação e ficheiros informáticos de natureza contabilística e bancária, requisições médicas e correio electrónico.
O material foi encaminhado para o Ministério Público de Setúbal, que vai agora tentar perceber há quanto tempo durava este esquema e qual o prejuízo provocado ao Estado. Não houve detidos.
Quando o caso foi descoberto, o próprio presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) referiu que existiam “irregularidades de como foi feito o pagamento” dos reembolsos, uma vez que a EcoSado nunca teve convenção com o Serviço Nacional de Saúde.