23 Maio 2024, Quinta-feira

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Investigações arqueológicas descobrem número significativo de esqueletos na zona da Sé de Setúbal

Investigações arqueológicas descobrem número significativo de esqueletos na zona da Sé de Setúbal

Investigações arqueológicas descobrem número significativo de esqueletos na zona da Sé de Setúbal

Além do adro da Igreja de Santa Maria, as arqueólogas verificaram que também existiam esqueletos junto ao antigo Hospital João Palmeiro

A área envolvente da Igreja de Santa Maria, Sé de Setúbal, tem sido alvo de sondagens arqueológicas, onde já foram identificados achados referentes a vários períodos da história, como da antiguidade tardia, moderna e mesmo contemporânea. Sabe-se ainda que neste local existiu uma necrópole, embora não exista certezas sobre a dimensão deste cemitério.

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“Não temos ideia da dimensão desta necrópole, mas foram encontrados mais esqueletos do que esperávamos. Em princípio, considerávamos que estes estariam situados mais no adro da Igreja de Santa Maria, mas verificámos que também existiam junto ao antigo Hospital João Palmeiro”, ao lado da Sé de Setúbal, refere uma das arqueólogas da empresa ERA – Arqueologia.

Esta empresa da área da conservação e gestão do património, que tem vindo a fazer sondagens em zonas históricas da cidade, soma recentemente no seu trabalho investigações entre a Colina de Santa Maria e o Bairro do Troino, dois locais que foram alvo de uma palestra, na passada semana, apresentada pelas arqueólogas Ana Rita Silva e Paula Pereira.

“Cada sítio intervencionado é mais uma peça do puzzle no conhecimento da história da cidade de Setúbal”, comentou Ana Rita Silva depois de revelar que na Colina de Santa Maria, na zona intramuralhas da Muralha Medieval, em quatro sondagens diagnóstico para conhecer a ocupação local, foram encontrados vários vestígios, alguns deles referente à antiguidade tardia.

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Em contexto de uso e abandono, os materiais recolhidos “dão boa definição cronológica” da ocupação desta zona, referiu a arqueóloga. Foram assim descobertas partes pertencentes a ânforas, sendo que as localizadas junto à Sé de Setúbal tinham vestígios de armazenamento de produtos como vinho, azeite e preparados piscícolas.

“Os preparados piscícolas são bem característicos de zonas como Setúbal, pela proximidade com o rio e negócios ligados à pesca”, comentou.

Entre estes achados foram ainda encontradas restos de cerâmicas, algumas delas com sigillata, ou seja, com marca da produção do oleiro o que faz delas peças distintas para a época. Outro dado que as arqueólogas detectaram é que estas têm origem em França e África, o que coloca mais uma vez Setúbal como um porto importante para a navegação desde há muitos séculos atrás.

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“Setúbal desde cedo que apresenta grande potencial para a fixação humana por se encontrar no estuário do Sado e com grande mobilidade desde a pré-história. É um dos portos principais entre o Algarve e Lisboa foi assim no período romano como no período Medieval, isso não mudou ao longo dos tempos”, disse Ana Rita Silva.

As prospecções da ERA têm ainda incidido em zonas como a Rua Arroches Junqueiro, no casco antigo da cidade, onde a reabilitação de edifícios antigos tem deixado a descoberto alguns achados arqueológicos.

Sobre o Bairro do Troino, já se sabe que este foi muito mais do que um lugar de pescadores e cabanas, mas sim, que no século XVI, era já um centro habitacional, de comércio de sal, escritórios e pecuária. “Tinha grande importância para a economia local”, diz a arqueóloga embora admita não existirem ainda muitos dados.

Em evolução está também a investigação das arqueólogas na Travessa do Forno. Um local que também está em início de intervenção e diagnóstico, onde já foram encontrados alguns vestígios. O que não se sabe ainda era o que produzia, refere a Ana Rita Silva.

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