19 Junho 2024, Quarta-feira

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Histórias do casal que a partir de Setúbal marcou primeiros anos da República

Histórias do casal que a partir de Setúbal marcou primeiros anos da República

Histórias do casal que a partir de Setúbal marcou primeiros anos da República

Livro “Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira” é apresentado domingo no Museu do Trabalho Michel Giacometti

Da autoria de Giovanni Licciardello, o livro “Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira” é dedicado à vida e obra de uma mulher e um homem, casados, que viveram em Setúbal e marcaram o País essencialmente no início do século XX quando a República estava a começar. Republicanos convictos, foram expoentes na acção social e política naqueles templos conturbados, através das suas ideias e escrita.

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É parte dessa história que o professor na Escola Lima de Freitas, em Setúbal, e figura activa na sociedade sadina, dá a conhecer no livro que é apresentado domingo, 12 de Novembro, às 16h00, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, com a participação do Coro Setúbal Voz e apoio da Associação Setúbal Voz.

“Comecei a perceber que as histórias contadas pela família da minha mulher, familiar de Ana de Castro Osório, eram acontecimentos históricos vivenciados em primeira mão”, diz Giovanni Licciardello. “Recolhi muita informação sobre o ramo setubalense da família Osório de Castro e dediquei-me, especificamente, às biografias de Ana de Castro Osório e Paulino Oliveira”.

Paulino Oliveira, que nasceu em Setúbal em 1864 e morreu em 1914 em São Paulo, no Brasil, onde com a República foi cônsul de Portugal, vincou a sociedade da altura como escritor, poeta e político. Menos conhecido do que a sua mulher, desenvolveu a maior parte da actividade em Setúbal, sendo que as suas ideias republicanas levaram-no à prisão e a exilar-se no Brasil após a revolta de 31 de Janeiro de 1891.

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Ele, que tem uma rua na baixa de Setúbal, “escreveu um livro em Ferros D’El Rei onde conta que foi preso por ser republicano”, uma passagem do livro que remete para Ana de Castro Osório que nasceu em Mangualde, em 1872, e veio para Setúbal com pouco mais de 20 anos, onde morreu em 1935. “O pai, João Baptista de Castro, concorreu para juiz e veio viver para Setúbal”.

Escritora de literatura infantil e manuais escolares, Ana de Castro Osório ficou conhecida como republicana e feminista defensora acérrima dos direitos das mulheres tendo escrito e publicado o primeiro manifesto feminista português. “Esteve directamente envolvida no processo da primeira mulher em Portugal a votar, Carolina Beatriz Ângelo”, refere Giovanni Licciardello.

À data da Revolução de 5 de Outubro, a médica Carolina Beatriz Ângelo, viúva, era dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e nas primeiras eleições decidiu utilizar a lei para votar. O código eleitoral atribuía o direito de voto a “todos os portugueses maiores de vinte e um anos, à data de 1 de Maio”, de 1911, “residentes em território nacional”, que sabiam “ler e escrever” e eram “chefes de família”. Mas começou por ser impedida de exercer o direito de voto.

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“Ana de Castro Osório disse-lhe para ir falar com o seu pai à primeira vara civil do Tribunal da Boa Hora. Ela [Beatriz Ângelo] apresentou recurso e o juiz João Baptista de Castro deu-lhe parecer favorável para votar. Há uma fotografia das duas, em 1911, a saírem do tribunal”, conta o professor. “Então a lei foi mudada a especificar que o eleitor tem de ser homem”.

Entre o muito que descreve sobre Ana de Castro Osório, a feminista que acabou desiludida com a República ao “perceber que esta mantinha os mesmos vícios da Monarquia, como o acentuado analfabetismo, a pobreza, a instabilidade governativa”, Licciardello fala do Congresso Republicano em 1909, no Teatro Rainha Dona Amélia, actual Fórum Luísa Todi. “Entre os 400 delegados ela era a única mulher e, com a sua capacidade oratória, foi muito aplaudida”.

Sobre Paulino de Oliveira, refere uma manifestação na Doca dos Pescadores, onde interveio a favor dos pescadores e do povo contra a administração. “Veio a polícia, houve uma altercação e foi preso”.

“O livro é centrado na vida de Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira considerando os acontecimentos históricos que viveram”, resume Giovanni Licciardello que revela que a recolha histórica teve também por base o que os descentes do casal escreveram, entre eles dois filhos, ambos setubalenses.

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