19 Junho 2024, Quarta-feira

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Fórum empresarial aponta necessidade de uma estratégia para juntar à NUTS

Fórum empresarial aponta necessidade de uma estratégia para juntar à NUTS

Fórum empresarial aponta necessidade de uma estratégia para juntar à NUTS

Encontro promovido pela AISET juntou empresas e entidades responsáveis pelo financiamento

 

O 3.º Fórum Empresarial da Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET), teve lugar ontem no Fórum Cultural de Alcochete para reflectir sobre o futuro, os passos a dar, os desígnios estratégicos e os modelos de desenvolvimento, e a conclusão principal é a de que a recém criada NUTS II para a Península de Setúbal carece de uma estratégia de desenvolvimento para a região. A primeira intervenção do dia foi de Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, com o edil a considerar que o desafio estratégico da indústria na Península de Setúbal passa por três pilares, sendo eles a inovação, o investimento em recursos humanos e a diversificação na economia. O autarca enalteceu que para se “agarrar as oportunidades” existe a necessidade de “conhecer os problemas e desenhar as soluções”. “São necessárias não só alterações, mas também haver uma ligação entre governos e empresas para garantir um futuro mais sustentável para todos”, referiu o autarca, considerando que um dos “grandes desafios” será romper “as amarras com um modelo económico”, que passa por “minimizar o desperdício e maximizar o uso dos recursos”. “O futuro dependera daquilo que fazemos no presente”, concluiu o autarca. André Martins, presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), também interveio nesta sessão de abertura, onde apontou várias ‘falhas’ existentes na região, como a indecisão do aeroporto, a regeneração dos territórios, a falta de soluções na mobilidade, as lacunas no sistema de transportes, tendo ainda definido a rede de saúde como “um dos principais problemas da região”. Um dos palestrantes mais esperados foi Augusto Mateus, um economista conhecedor da península, que já trabalhou para o concelho de Setúbal e ex-ministro da Economia. O professor catedrático teve um das intervenções mais ‘impactantes’ deste fórum, considerando que a NUTS II, por si só não resolve o problema da região. Defende que é necessária uma estratégia e que a península tem perdido muito tempo e oportunidades a discutir dinheiro em vez de discutir acções. Augusto Mateus defende que a Península de Setúbal, dentro da região metropolitana de Lisboa, deve “dinamizar o debate, dinamizar plataformas colaborativas”. “Nós criamos menos riqueza, vivemos pior do que poderíamos por não trabalharmos em conjunto”, referiu. Nesta 3.ª edição do fórum estreou-se um debate, numa mesa-redonda, em que foram abordados os mecanismos de financiamento existentes para apoio ao investimento da indústria em particular e das empresas em geral. Neste debate, moderado pelo jornalista Francisco Alves Rito, director de O SETUBALENSE, marcaram presença o presidente da Comissão de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos, o presidente do IAPMEI, Luís Guerreiro e a presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento, Celeste Hagatong.

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Grupos de trabalho analisaram quatro temas “essenciais”

A primeira intervenção da tarde esteve a cargo da secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, que aconselhou que se pense o território e a sociedade de “for[1]ma integrada para as pessoas e para todos”, envolvendo os actores deste território “muito importante”. “Queria sublinhar que é mesmo um privilégio, no caso da Península de Setúbal, é muito mais do que uma organização administrativa, e porque as escalas administrativas nem sempre são as que trazem mais competitividade ou coesão. Esta é uma escala temática e funcional. De facto, há aqui muitos recursos em comum que podem ser explorados e por isso dou os meus parabéns”, referiu. Após a hora de almoço, José Eduardo Martins, da Abreu Advogados, abordou os grandes desafios da descarbonização e da sustentabilidade, deixando ainda um aviso para o “tsunami legislativo e normativo que se espera” para o futuro do sector industrial. No período da tarde apresentou-se um trabalho importante, com a criação de quatro mesas de trabalho, ou seja, grupos de trabalho com representantes das empresas em quatro temas: descarbonização e transição energética; transição digital; economia circular e capital humano. Estes quatro grupos de trabalho trabalharam durante duas horas nestes temas, sendo que depois os relatores de cada grupo apresentaram no final um resumo das conclusões dos grupos de trabalho. As últimas palavras do 3.º Fórum Empresarial estiveram a cargo de António Costa e Silva, ministro da Economia e Mar. O governante deu os parabéns à organização pelo evento, mas enalteceu a necessidade de fazer crescer a economia e aumentar a produtividade, para que o País possa “crescer”.

 

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Ex-ministro avisa que sem uma estratégia “a NUTS não resolve problema nenhum”

“A criação da NUTS não resolve nenhum problema da península de Setúbal e esses problemas têm de ser resolvidos, encontrando, por um lado, novos heróis, ou seja, novas pessoas, empresas, instituições políticas que possam ser diferentes”. No entender de Augusto Mateus tem-se “perdido muito tempo e muitas oportunidades” a “discutir dinheiro em vez de discutir acções”. Para o ex-ministro da Economia, uma boa maneira de utilizar fundos estruturais é “ter ideias, medidas de política, ter estratégias empresariais”, que depois vão ser “dinamizadas e apoiadas por fundos estruturais”. Augusto Mateus defende que, do ponto de vista empresarial, Setúbal tem uma situação muito particular. “Muitas das unidades empresariais em Setúbal não são verdadeiras empresas, são estabelecimentos. Estão ligadas a empresas que têm outros estabelecimentos e, portanto, nós temos que em Setúbal dar mais atenção àquilo que é a autonomia empresarial, aquilo que é o surgimento de novas empresas. Para isso temos de criar em Setúbal condições mais favoráveis para que certo tipo de empresas em novas actividades, tenham mais facilidade em criar[1]se em Setúbal do que noutros territórios”, concluiu.

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