23 Fevereiro 2024, Sexta-feira
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Retenção de macas no Hospital São Bernardo ‘trava’ socorro dos bombeiros de Setúbal e Sesimbra

Falta de macas no hospital obriga doentes a esperarem nas das ambulâncias. Bombeiros falam em constrangimento no socorro 

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A retenção de macas das ambulâncias no serviço de urgência do Hospital São Bernardo, em Setúbal, está a causar sério constrangimento na prestação de socorro por parte das corporações de bombeiros na área de emergência pré-hospitalar. A elevada afluência de doentes às urgências junta-se a um tempo de espera muito acima do recomendado, e a isto também a falta de macas no hospital obrigando a que muitos fiquem deitados nas macas dos bombeiros até serem atendidos.

Na manhã de ontem, domingo, o tempo de espera no Hospital São Bernardo era cerca de 15 horas para doentes urgentes. Com as macas retidas, as ambulâncias têm de esperar à porta das urgências o que já levou a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra a informar a população que, desde 3 de Janeiro, o seu corpo de bombeiros está com “constrangimentos” na área de socorro de emergência.

Também os Bombeiros Voluntários de Setúbal estão com dificuldade de responder aos pedidos de socorro da população devido à retenção de ambulâncias no Hospital São Bernardo. Na sexta-feira, o comandante da corporação, Nélio Condeço, dizia a O SETUBALENSE que uma das suas ambulâncias ficou ‘presa’ “durante 24 horas no hospital e, [por volta do meio-dia] a viatura INEM estava já há seis horas à espera de sair para outros serviços”.

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“Chegámos a ter 17 macas à frente”, diz o comandante. “O que nos é dito é que o hospital não tem macas, por isso os doentes são atendidos em cima das nossas até haver uma decisão clínica”, explica. O ano passado, por esta altura de frio, diz Nélio Condeço que também existiram dificuldades a este nível, mas este ano, “supostamente por causa da gripe A, a situação está muito pior”.

Entretanto, a administração do Hospital São Bernardo criou uma lista de espera para as ambulâncias dos bombeiros que transportam doentes à urgência, uma medida que, segundo o comandante Nélio Condeço, é similar ao que aconteceu durante a pandemia covid-19, “Agora temos o problema da gripe e outras variantes responsáveis por infecções respiratórias”.

Também porque, esta semana, é esperado que as temperaturas continuem a baixar, o comandante não acredita que os constrangimentos colocados ao serviço de ambulância se resolvam rapidamente. “A responsabilidade da falta de macas não pode ser apontada ao hospital, mas sim ao Poder Central. Só o Serviço Nacional de Saúde pode resolver. Além disso, existe o grave problema da falta de profissionais de saúde”, afirma.

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A isto, soma-se a pressão a que o Hospital São Bernardo está sujeito desde que passou a atender doentes também do concelho de Sesimbra. “Eram utentes atendidos no Hospital Garcia de Orta, em Almada, agora são assistidos em Setúbal”, comenta o comandante.

Embora com menor sobrecarga, também os Bombeiros Sapadores de Setúbal estão a sofrer com a retenção de ambulâncias. “Por protocolo, não fazemos serviço pré-hospitalar”, diz o comandante David Domingues, que explica: “Acorremos, essencialmente, a muitos acidentes de viação, atropelamentos ou queda de idosos, situações específicas que normalmente têm resposta rápida por parte do Hospital São Bernardo”. Contudo, mesmo assim, agora algumas ambulâncias dos Sapadores têm de esperar mais do que o esperado.

“Por vezes, a espera é entre uma a duas horas em vez de ser um quarto de hora ou meia hora e saírem rapidamente para socorrer a outras situações, por vezes extremas. Isto é um constrangimento para situações emergentes. Não podemos dizer que não temos ambulâncias disponíveis”, afirma taxativamente David Domingues.

Entretanto, na passada semana, a directora da Urgência do Hospital de São Bernardo informou, em nota interna, os médicos para não atenderem “doentes triados com prioridade verde”, sendo que a aplicação desta regra depende de um protocolo com os centros de saúde. Ou seja, estes doentes não serão admitidos no Serviço de Urgência deste hospital, devendo procurar pelos “seus meios os cuidados primários”.

Segundo o Gabinete de Comunicação do Hospital de São Bernardo, em nota enviada a O SETUBALENSE, os utentes “com episódios de urgência classificados na triagem de prioridades como pouco urgentes e não urgentes (pulseira verde ou azul) que tenham sido encaminhados inadequadamente nos serviços de urgência hospitalares”, deverão dirigir-se aos “cuidados de saúde primários e outras respostas hospitalares programadas”.

“Neste momento, por elevada afluência ao Serviço de Urgência Geral da Unidade Local de Saúde da Arrábida, estes doentes podem ver o seu tempo de espera para atendimento aumentado ou podem ser integrados no protocolo de referenciação para doentes triados com prioridade verde ou azul, existente entre o Centro Hospitalar de Setúbal e o Agrupamento dos Centros de Saúde da Arrábida”, que integra os concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal, refere a mesma fonte.

Unidade de Saúde da Arrábida reforçada com 67 médicos

A Unidade Local de Saúde da Arrábida acolheu, a 3 de Janeiro de 2024, 67 novos médicos internos. São médicos que iniciaram a sua formação, sendo que 19 deles são médicos internos de Formação Específica, distribuídos pelas especialidades de Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Estomatologia, Gastrenterologia, Ginecologia/Obstetrícia, Imunoalergologia, Medicina Intensiva, Medicina Interna, Nefrologia, Neurologia, Ortopedia, Pediatria, Psiquiatria. Os restantes 48 médicos, são Internos de Formação Geral.

Estes novos médicos foram recebidos com uma sessão de Acolhimento, promovida pela Direcção do Internato Médico e Serviço da Gestão da Formação.

 

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