24 Fevereiro 2024, Sábado
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Alunos da Sebastião da Gama ainda não podem votar mas mostram-se participativos na política

Beatriz Ferreira Santos esteve em conversa com os estudantes onde falou sobre cidadania e desmistificou conceitos

 

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A aula da disciplina de História A dos alunos da turma do 11.º G da Escola Secundária Sebastião da Gama decorreu de forma diferente do habitual. Beatriz Ferreira Santos, coordenadora nacional do projecto “Democracia nas Escolas”, apresentou-se aos cerca de 30 alunos e propôs-se a desconstruir conceitos da política.

“Como é feita a separação de poderes em Portugal? Qual é a função do Governo? Quem é que nomeia o primeiro-ministro? Qual é a função do Presidente da República? Como funcionam as eleições?”, são apenas algumas das perguntas que foram sendo respondidas e explicadas ao longo de uma sessão que contou ainda com um quizz para testar o conhecimento dos ouvintes.

Uns mais atentos que outros, alguns dos quais mais participativos. No final das cerca de duas horas a conclusão estava tirada: é importante que os jovens tenham um papel participativo na política, e há até quem dê exemplos.

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“É importante os jovens estarem por dentro dos assuntos da política, porque não é só pedir e fazer exigências quando, se não dás a tua palavra, se não dás a tua forma de ver as coisas, não impões a tua opinião, não podes querer que as coisas mudem só porque sim e por mero acaso. Como é a causa das greves climáticas, todos querem que se mude alguma coisa mas depois, na hora de votar, ninguém vota no que lhes faz mais sentido. Nós jovens temos direitos, mas principalmente o dever de nos preocuparmos com o futuro do nosso País que, tendencialmente, está a ir por um caminho um pouco questionável”, palavras de Hugo Santos, 16 anos, que falou com O SETUBALENSE no final da sessão.

Jovens mostram-se interessados e participativos

Apesar de não terem ainda idade para fazer parte das votações nas urnas, os estudantes mostram conhecer alguns dos movimentos de cidadania onde se podem envolver para que possam contribuir para a manutenção da política. “Em relação às greves climáticas e outros assuntos que os jovens têm de lutar porque, neste momento, ser jovem em Portugal está muito complicado. Acho que é importante começar agora, porque neste momento nós temos de lutar para termos não só um melhor País, mas também lutar pelo nosso futuro, porque mais que uma luta por todos, também é uma
luta por nós”, explica convictamente Francisco Nogueira, também com 16 anos.

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Para Hugo, a comunicação social também tem um papel fundamental para dar a conhecer o que se passa no nosso País, e dá mesmo uma ‘lição’ aos mais distraídos. “Devemos estar a par dos assuntos, porque não é só ler as letras grandes dos jornais e tirar as conclusões mais fáceis do que lemos. Nós estamos a construir o nosso futuro, vamos ser os cidadãos que participam de forma mais directa, e temos de estar por dentro dos assuntos da política porque é o que faz mexer o País e o que nos vai fazer mexer a nós”.

A “Democracia nas Escolas” é um subprojecto da associação “Os 230”, criado e coordenado por Francisco Cordeiro de Araújo, onde o principal objectivo passa por conhecer os 230 deputados membros da Casa da Democracia – a Assembleia da República. Com participações em várias escolas portuguesas a actividade pretende fomentar o pensamento crítico nas crianças e jovens para que, não só conheçam a democracia e possam ter acesso a conceitos de uma forma descomplicada, como também apelar à cidadania e reflexão sobre o posicionamento no espectro político para um voto consciente e informado.

Docente | Revolução dos Cravos e eleições têm de andar de mãos dadas

Lurdes Rico, docente na Escola Secundária Sebastião da Gama, acompanhou de perto
a turma do curso de Línguas e Humanidades e, no final da ‘aula’, mostrou-se entusiasmada com o interesse dos jovens e reflectiu sobre a necessidade destas iniciativas.

“Proporcionar a estes jovens – que no fundo são cidadãos e são o futuro – a formação política para eles perceberem que a política, mais que um sistema, permite-lhes que eles sejam cidadãos participativos e que se possam servir da política também para defender os seus interesses, estarem formados e conscientes. E ter consciência política, participada, é fazer com que estes jovens construam um Portugal democrático”, explanou a professora a O SETUBALENSE.

Contam-se cerca de cinco meses até que a Revolução dos Cravos complete 50 anos, e pouco mais de três meses até às eleições legislativas, dois assuntos que, nas considerações
da docente, têm de estar de mão dada.

“Estamos a festejar 50 anos de democracia e é preciso perceber o que é que foi de facto
o 25 de Abril, estas conquistas democráticas. Nos últimos tempos temos estado a assistir a um Portugal democrático e inclusivo. Também perceber os perigos do passado para que não se voltem a repetir – sem aqui referir conotações políticas. Portanto que eles
percebam que é importante para eles, e para o futuro deles, estarem formados e participarem, votarem, porque ao votar estão também no fundo a reivindicar algo que no futuro será importante para eles”.

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