2 Fevereiro 2023, Quinta-feira
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Professores voltam a protestar na Praça de Bocage e garantem que vão continuar a lutar

Sindicato defende que ministro da Educação mude de postura para com os docentes sob pena de ter de abandonar o cargo

 

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A “recuperação integral do tempo de serviço”, a “abolição de quotas no 5.º e 7.º escalão” e “a vinculação dos profissionais contratados” são algumas das exigências feitas pelos professores, que voltaram ontem à Praça de Bocage, em Setúbal, para participar no protesto organizado pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP).

Naquela que foi a primeira concentração prevista para os vários concelhos do Distrito de Setúbal, que contou com a participação de cerca de uma centena de docentes, Alexandra Narra, delegada sindical do STOP, explicou a O SETUBALENSE que o sindicato “pretende chegar a todos os professores nas várias cidades”.

“Decidimos organizarmo-nos por cidades para darmos voz a todos. Isto é uma luta de todos. Não é uma luta de uma escola ou de uma cidade. É de um país. A educação é um pilar e todas as profissões dependem dos professores. É muito triste chegarmos onde chegámos”, disse a professora de educação especial.

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Já o coordenador do STOP, André Pestana, afirmou que o ministro da Educação vai ter de alterar a sua postura para com os professores sob pena de ter de abandonar o cargo. “O ministro [da Educação] tem, de facto, de mudar radicalmente a sua postura. Ou então acho que vai de patins”, disse o sindicalista durante a concentração de professores.

“Eu acho que é impossível um Governo, um ministro, continuar, digamos, a teimar, e a não satisfazer as nossas reivindicações, porque, de facto, o STOP não está sozinho”, salientou André Pestana, revelando que os docentes estão disponíveis para negociar na reunião desta semana com a tutela.

Já Alexandra Narra, e apesar de afirmar não poder “divulgar as datas das próximas acções por causa dos boicotes”, adiantou apenas que, durante o dia de hoje, a acção vai decorrer “mais a sul” e que não vão parar.

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“A nossa greve tem sido boicotada por questões que não são verdadeiras. Não vamos deixar que isso aconteça. No fundo, dizem uma série de coisas para destabilizarem e para colocarem as pessoas numa insegurança e em dúvida e muitas acabam por desistir porque têm medo das represálias”, conta.

“Com este tipo de acções temos a certeza de que vamos mudar muita coisa porque houve um despertar de consciência. Já não são só os professores, os assistentes operacionais e os profissionais que trabalham nas escolas que estão em luta. São também os encarregados de educação, os nossos filhos, famílias e alunos, sobretudo”, acrescentou.

Além de ser defendido que “os professores contratados vinculem o quanto antes, porque há muita falta de docentes, o que é uma vergonha”, a delegada sindical do STOP disse que, para os assistentes operacionais, pretende-se que estes “sejam tratados com dignidade e que sejam remunerados de acordo com a inflação”.

No seu caso, quando começou a trabalhar enquanto professora, “em 1998, ganhava quase o mesmo” que ganha actualmente. “Isto é muito triste. É exigido tudo e mais alguma coisa aos professores. Não podemos ser agradecidos só com palmas, visto que temos despesas e com palmas não se compra nada”, salientou, a concluir.

Com Lusa

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