31 Janeiro 2023, Terça-feira
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Comunidade de golfinhos no Sado sem registo de nascimentos há dois anos

Actualmente existem 25 elementos na comunidade, após a morte de dois golfinhos adultos no ano passado

 

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Há dois anos que não nascem golfinhos na comunidade de roazes corvineiros no Rio Sado, em Setúbal. A comunidade conta agora com 25 elementos, tendo em conta que, de acordo com Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), no ano passado morreram dois golfinhos adultos, com idades superiores a 50 anos. Trata-se de Esporão e Tripé, duas fêmeas adultas que faleceram de causas naturais.

Maria João Fonseca, bióloga marinha na embarcação de avistamento de golfinhos ‘Vertigem Azul’, que acompanha a comunidade há décadas, refere alguma preocupação face à ausência de nascimentos, que admite poder estar associada à indisponibilidade das fêmeas em reproduzir. “Nos últimos anos houve nascimentos e as fêmeas estão actualmente a cuidar das crias, mostrando-se indisponíveis para procriar”, explica.

Entre 2017 e 2020 nasceram onze golfinhos, quase três por ano. De acordo com dados do ICNF, em 2020 nasceram três crias, Coral, Bolha e Neptuno. Em 2019 nasceram duas e em 2018 nasceram três, o mesmo número de 2017.

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Maria João Fonseca explica que hoje, “as mães são vistas a cuidar das novas crias e podem ainda não estar disponíveis para a reprodução. Ainda assim, a ausência de nascimentos é preocupante porque esta é uma comunidade bastante sensível às pressões no ecossistema, seja pelas dragagens que foram realizadas no Sado ou pelo movimento constante de navios e embarcações que podem causar stress aos animais”.

Raquel Gaspar, bióloga do Ocean Alive, organização ambiental pela preservação das pradarias marinhas no Sado, salienta, por um lado, “a longa vida dos golfinhos que ultrapassam os 50 anos de idade”, mas por outro, aponta para a falta de alimento no Sado que leva os golfinhos a procurar alimento cada vez mais longe.

“As pradarias marinhas, que são o berço da vida no estuário do Sado têm aumentado de tamanho, mas há falta de alimento para os golfinhos, que são vistos cada vez mais a sul, na zona da Comporta”.

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De acordo com o ICNF, esta comunidade conta “com um número reduzido de indivíduos, em que cerca de um terço tem mais de 30 anos de idade, e por ser uma população pequena, é muito sensível às alterações no seu habitat e a pressões antropogénicas, estando fortemente dependente da qualidade ambiental e da utilização sustentável do Estuário do Sado”.

No sentido de a proteger, foi estabelecido um Plano de Acção para acompanhamento e monitorização da população que o ICNF tem desenvolvido, assim como a forte aposta na sensibilização dos utilizadores do estuário para minimizar os impactos, principalmente na época de Verão.

As embarcações têm um código de conduta no avistamento de golfinhos. Não podem estar mais que três em simultâneo, nem seguir à frente dos animais, nem ficar mais de 30 minutos em simultâneo ou aproximar mais de 30 metros. As regras surgem para diminuir o stress dentro da comunidade, cujas características podem levar a que, perante o stress, matem as crias.

Para Raquel Gaspar, o tempo permitido para observação de golfinhos deve ser encurtado, tendo em conta o maior movimento de embarcações de recreio no Sado nos últimos anos. “Há uma grande pressão junto dos animais provocado pelas embarcações de recreio e o tempo de observação deve ser encurtado para salvaguardar principalmente os mais novos”, diz a bióloga.

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