29 Novembro 2022, Terça-feira
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Carlos Humberto avalia desempenho da operadora Alsa Todi como “péssimo”

Primeiro secretário da AML considera que 50 supressões diárias é “inaceitável” e garante que tudo será feito para responsabilizar empresa

 

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A noite de sexta-feira acabou por ser longa para Carlos Humberto, primeiro secretário da Área Metropolitana de Lisboa (AML), que, ao fim das quase quatro horas em que foi ouvido na Assembleia Municipal de Setúbal, avaliou o desempenho da Alsa Todi como “péssimo” e disse que as 50 supressões diárias – ou seja, as carreiras que não são realizadas – “é inaceitável”.

“A avaliação que fazemos da Alsa Todi é má. É péssima. E faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para serem responsabilizados por esta apreciação. Não é uma apreciação de impressões. É quantitativa. É de avaliação concreta”, classificou o responsável da AML na audição para a qual foi também convocado Faustino Gomes, presidente da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).

Antes, na sequência de Faustino Gomes ter adiantado que existem “50 a 60 supressões diárias” devido aos motoristas estarem ‘à pele’, Carlos Humberto assegurou que “nos últimos dias [o serviço] tem vindo a melhorar”, ao serem transportadas diariamente “47 mil pessoas”, apesar de ser um resultado que não o deixa “dormir descansado”.

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“Houve evoluções em relação às cerca de 400/500 [supressões] que havia [no passado mês de Junho], mas isto é inaceitável. Isto prejudica fundamentalmente os utentes dos transportes, mas isto para nós é angústia, é desgosto, é problema”, descreveu.

Na sessão extraordinária do órgão deliberativo, a “degradação do serviço” – a cargo da Alsa Todi desde 1 de Junho –, o “stress e a ansiedade” com que os utentes têm vivido e o sentimento de “vergonha” com que lidam actualmente foram algumas das ideias que os cinco munícipes presentes fizeram questão de comunicar aos responsáveis.

Já por parte das bancadas da CDU, PS, PSD, Chega, PAN, BE e IL, várias foram as expressões utilizadas para descrever os problemas identificados no transporte público rodoviário em Setúbal, ouvindo-se que “os jovens têm passado por um autêntico pesadelo”, o “serviço hoje é bem pior” e “defraudou as expectativas das pessoas”, “é um grande falhanço que esta região não se pode dar ao luxo” e é “um retrocesso na promoção da utilização do transporte público”.

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Com algumas das questões a centrarem-se no período antes do início da operação, Carlos Humberto reconheceu que a mesma “começou muito mal” e que os problemas da Alsa Todi – que opera nos concelhos de Setúbal, Alcochete, Moita, Montijo e Palmela – devem-se, em grande parte, à “dificuldade na contratação de motoristas”.

Questionado, por sua vez, sobre “que medidas de penalização foram e estão a ser tomadas”, afirmou: “Não afastamos nenhuma das possibilidades que legalmente estão garantidas, como as penalizações ou um novo concurso público, mas não me peçam que diga aqui qual é a solução que vamos aplicar, por razões formais, jurídicas, etc.”.

Já o presidente da TML sublinhou não se rescinde “um contrato destes de ânimo leve”. “Percebem a degradação da qualidade do serviço que isso implicaria. Mas é importante saberem que já sinalizámos essa possibilidade ao operador [apesar] de não ser isso o que queremos”, justificou Faustino Gomes.

Por responder ficaram diversas perguntas, como, por exemplo, “para quando um aumento do número de autocarros”, levando a que, a meio da sessão, o deputado socialista Manuel Fernandes atirasse: “Os nossos convidados trouxeram-nos aqui algumas preocupações e eu pensava que trouxessem algumas respostas. Não saio daqui mais informado e mais confortável depois de ter ouvido algumas afirmações”.

Deputado do PS acusa Alsa Todi de ilegalidades

Depois de Carlos Humberto afirmar que “o serviço está a melhorar” e Faustino Gomes garantir que “o número de motoristas é suficiente”, Manuel Fernandes (PS) denunciou alegadas violações na carga horária dos motoristas, ao dar conta da existência de “chapas de serviço que ultrapassam as onze horas diárias de laboração”.

“Se o número de motoristas é suficiente, diria que é suficiente desde que ilegal perante a directiva comunitária que regula o transporte de serviço público em toda a União Europeia, a legislação portuguesa e o contrato colectivo de trabalho” do sector, disse.

Na sua intervenção, o socialista alertou ainda para a possível falta de condições oferecidas aos motoristas contratados pela Alsa Todi em Cabo Verde, que apenas terão casa assegura- da durante os três meses de integração.

“Estes motoristas têm, à partida, três meses de acolhimento. A informação de que disponho é que chegam a ir dez motoristas viver para a mesma casa durante os três meses. Não são condições de acolhimento para trabalhadores que vêm de outros países para aqui trabalhar”, explicou.

Completos os três meses, “esses mesmos trabalhadores vão ter de ‘se desenrascar’ e arrendar ou adquirir casa”. “Estamos numa zona onde os preços da habitação não são sequer compagináveis com os salários que auferem. Daqui por três meses estes trabalhadores vão ter a formação completa, mas possivelmente vão ter de regressar aos seus países porque não vão ter condições para trabalhar em Portugal”, concluiu.

Motoristas Empresa nega acusações do eleito do PS e pede que “se retrate e reponha a verdade”

Na sequência da intervenção de Manuel Fernandes na última Assembleia Municipal, na qual denunciou alegadas violações na carga horária e na falta de condições oferecidas aos motoristas de Cabo Verde, a Alsa Todi garante cumprir “escrupulosamente” a lei e as regras, pedindo ao deputado “que se retrate e reponha a verdade”.

Em comunicado, a operadora negou qualquer ilegalidade, afirmando que “as declarações certamente [foram] proferidas por desconhecimento”.

“A Alsa Todi assinou recentemente um acordo de empresa com as organizações representativas dos trabalhadores, como são os casos da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes e do Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores, que confirma o respeito pelas condições e regras vigentes”, recordou a transportadora rodoviária.

Sobre as acusações de “estarem a ser atribuídas condições menos dignas aos motoristas contratados em Cabo Verde, tal não corresponde minimamente à verdade”, afirma a empresa.

A concluir, a Alsa Todi disse “convidar todos os deputados municipais envolvidos na área 4 para visitarem as várias instalações da empresa para conhecerem as condições de trabalho, os equipamentos de última geração à disposição de todos os munícipes, bem como as unidades hoteleiras onde estão alojados os motoristas contratados em Cabo Verde”.

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