2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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Presidente da CCDR quer região de Lisboa “mais competitiva e coesa” nas áreas com ligação ao mar

Teresa Almeida pretende “fazer do próximo ciclo comunitário um ciclo de apoios focado nas dimensões relevantes”

 

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“Que mar queremos?” foi o ponto de partida para o “pequeno almoço com ideias” da manhã desta terça-feira. O encontro online, dinamizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), contou com intervenções de Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, e Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

“Pretendemos o lançamento de ideias em que estimamos que cada um dos intervenientes possa explorar esta dimensão emergente e em alguns aspectos mesmo urgentes do mar”, disse Teresa Almeida, presidente da CCDR-LVT, no momento de abertura do debate.

“O resultado será um contributo para o processo do novo ciclo do quadro comunitário 2021-2027. Queremos fazer do próximo ciclo comunitário um ciclo de apoios focado nas dimensões relevantes, com um quadro financeiro bastante mais reduzido que o anterior e por isso que nos obriga a melhor sabê-lo aplicar para que no final consigamos uma região de Lisboa mais competitiva e coesa”, continuou.

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Jorge Miguel Miranda, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), começou por dizer que “no anterior quadro comunitário, praticamente todas as regiões do País declararam o mar como área prioritária, incluindo Lisboa”. “Ao fim de vários anos, podemos ver que enquanto regiões como Peniche, Porto e Algarve foram capazes de mostrar uma capacidade real de execução, Lisboa ficou muito aquém do que era expectável”.

Para o presidente do IPMA, “é impossível hoje separar-se qualquer estratégia do mar do problema da necessidade da descarbonização rápida. Qualquer situação que se comece a pensar tem de ter isto em conta como um ponto mais importante do que era antes”.

Jorge Miguel Miranda considera ainda que “existe uma enorme incapacidade da região de Lisboa na junção de recursos e de compreender que quando os recursos são poucos os objectivos devem ser tratados faseadamente” e que “é óbvia a necessidade de clusterização de recursos em Lisboa que ultrapassem o problema da inexistência de financiamento apetecível”. “E não nos podemos esquecer que entre Lisboa e Cascais está cerca de mais de metade do PIB nacional”.

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A Lisboa deve-se, no seu entender, “exigir a capacidade de fazer qualquer coisa que vá para além do que é simples e isso é possível, desde que seja compreendido e assumido por todos”. “Vamos definir um conjunto de objectivos excepcionais. Temos de perceber por que não fizemos, por que estamos atrás de todos”.

Capital natural será trunfo importante para riqueza das nações

Tiago Pitta e Cunha, da Fundação Oceano Azul, por seu turno, considera que “durante esta pandemia, houve um facto muito assinalável que talvez pela própria pandemia o cidadão comum não se tenha apercebido: o impacto para as economias da aprovação pela União Europeia (UE) do Pacto Ecológico em Janeiro de 2020”.

“Tudo mudará efectivamente, em termos de opções político-económicas e das prioridades das políticas públicas”. Esse pacto leva, de acordo com o director executivo da Fundação Oceano Azul, a UE a “redefinir-se em torno desse colossal desafio que é alterar o sistema económico, vigente desde pelo menos a Revolução Industrial, apoiado na extracção dos recursos naturais do planeta, que levou a um grande desenvolvimento socioeconómico, mas também a uma enorme exaustão do planeta e que se reflecte hoje através das alterações climáticas e da crise da biodiversidade”.

Para um país como Portugal, esta revolução em curso constitui, de acordo com Tiago Pitta e Cunha, uma oportunidade: “Os países que compreenderem melhor esta questão serão os que se poderão posicionar na dianteira dos próximos anos, décadas, em termos de mercados, consumidores e valências económicas”.

“No mar temos de reinventar a agenda definida pela UE em 2011 e temos enormes vantagens estratégicas em fazê-lo. A nova agenda terá de passar pelo capital natural dos países e das nações. Na alimentação, a extracção de proteínas de origem marinha terá de aumentar na medida em que as mesmas sejam ou carbono neutras ou carbono negativas, como é o caso das algas ou dos bivalves, que removem até carbono do oceano para terra, criando um ciclo que hoje não existe”.

Considera, ainda, necessário “reservar as zonas costeiras, restaurar os ecossistemas marinhos, criar áreas marinhas protegidas” e “voltar a desenvolver a biomassa e a biodiversidade, que vai ser um negócio altamente rentável no século XXI, o negócio do capital natural, e Portugal tem mais uma vez enorme vantagem”. “Temos biodiversidade de origem marinha sem paralelo no continente europeu e o capital natural vai ser seguramente nas próximas décadas um trunfo importante para a riqueza das nações”.

Esta conversa faz parte de um ciclo de eventos dinamizados pela CCDR-LVT, no qual serão abordadas igualmente temáticas como a cultura, amanhã, os alimentos, quinta-feira, e a inovação, agendada para 2 de Novembro.

O horário mantém-se igual para todos, entre as 08h30 e as 09h30. Para Teresa Almeida, presidente da CCDR-LVT, estes “são temas que cruzam vários domínios e que muito contribuem para as lógicas RIS3, da especialização inteligente”. “E que estimamos em mudança no futuro, onde uma acção antecipada será um passo para a competitividade e o progresso”.

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