22 Outubro 2021, Sexta-feira
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‘Rota Clandestina’ transforma cidade em laboratório de teatro com residências artísticas para criadores nacionais e estrangeiros

Artistas italianos, brasileiros, espanhóis e portugueses abrem processo criativo à influência da identidade e comunidade sadinas

 

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Setúbal está a ser palco de um novo projecto cultural, inédito, que pretende transformar a cidade num laboratório teatral, com residências artísticas de criadores nacionais e estrangeiros, alguns dos quais internacionalmente consagrados, como o italiano Pippo Delbono.

O projecto, denominado ‘Rota Clandestina’, fixa em Setúbal o processo criativo de dezenas de artistas, incentivando uma produção livre, em que os criadores não estão obrigados a resultados, com esperança de que o processo possa ‘beber’ na identidade sadina e receber contributos da comunidade local, artística e comum.

A ‘Rota Clandestina’, que tem como director artístico o autor e produtor italiano Renzo Barsotti, foi apresentada na sexta-feira, pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, como sendo um projeto que reforça a projeção da “cidade como espaço de criação artística”.

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O autarca define a iniciativa também como um espaço de afirmação da liberdade. “A palavra ‘clandestina’ não se relaciona com o termo ilegal, mas, às vezes, parece que precisamos de ter este espaço de clandestinidade para afirmarmos as ideias e projetar a liberdade da Cultura.”, diz Pedro Pina.

Para dinamizar a criação artistica, os espaços culturais da cidade, sobretudo o Fórum Luísa Todi e A Gráfica, equipamento inaugurado ainda recentemente, acolhem várias residências artísticas, de criadores nacionais e estrangeiros convidados, como Marco Martins e Victor Hugo Pontes, de Portugal, Pablo Rosal, de Espanha, ou Leonardo Moreira, do Brasil.

O director artístico diz que a ‘Rota Clandestina’, que decorre, pelo menos, até 2022, permite “estabelecer uma relação nova, diferente e não convencional entre espetador e actor”, com ensaios abertos, além de “libertar e despertar novas energias criativas no território de Setúbal”.

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“’A Rota Clandestina’ foge às características normais do processo de produção e de apresentação e permite deixar um tempo de trabalho e de pesquisa, que é uma pré-condição para garantir a criatividade.”, destaca Renzo Barsotti. O produtor italiano é conhecido em Portugal por ter fundado o Centro de Criação para o Teatro e as Artes de Rua e organizado o espetáculo inaugural do MAAR – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa.

A primeira residência artística deste projeto decorreu em dezembro do ano passado, no espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística, com a produção “Corpos Clandestinos”, do coreógrafo e encenador Victor Hugo Pontes, que volta a Setúbal em Agosto para nova estadia.

O catalão Pau Palacios, da Agrupación Señor Serrano, de Barcelona, que estará na cidade a partir de outubro, na primeira fase, de pesquisa, e posteriormente, em 2022, numa produção que será apresentada em 2023, vai trabalhar com os conceitos de limite e fronteira.

Para o início do próximo ano, está prevista a residência artística do brasileiro Leonardo Moreira. O dramaturgo e director do Teatro Hiato de São Paulo propõe-se abordar o processo colonial, procurando ultrapassar as barreiras entre colonizadores e colonizados, colocando uns e outros, portugueses e brasileiros, num mesmo conjunto, tendo Setúbal como palco.

 

Artistas de Setúbal chamados a participar

O projecto, segundo o vereador Pedro Pina “não esquece” os artistas da cidade, e os nomes estrangeiros envolvidos “não vêm para tirar espaço a ninguém”. Na apresentação, estiveram presentes algumas pessoas ligadas ao sector, mas nem todos se sentem já integrados.

“Não sinto o envolvimento dos agentes culturais que trabalham em Setúbal. É a primeira vez que oiço falar do projecto, aguardo respostas para perceber a relação com a comunidade.”, disse Fernando Casaca, do Teatro do Elefante, a O SETUBALENSE.

O vereador Pedro Pina esclareceu depois que se trata de “um processo em construção”, que a apresentação foi “apenas o pontapé de saída” e que o “chapéu de envolvimento” está a ser construído.

 

Pippo Delbono está a preparar no Fórum Luísa Todi peça sobre o amor

Desde o dia 17 de junho, o artista italiano Pippo Delbono está estabelecido no Fórum Luisa Todi, a preparar a estreia da produção teatral “Amore”, sobre a busca pelo amor. O trabalho criativo decorre até este sábado, dia 3.

O espetáculo tem como coprodutores, além da Câmara de Setúbal, o São Luiz Teatro Municipal, Pirilampo Artes Lda e os Ministérios da Cultura de Portugal e de Itália, entre outros.

No Cinema Charlot está a decorrer o Ciclo Pippo Delbono, de entrada gratuita, sempre a partir das 20h00, com a exibição de quatro registos em vídeo de peças de teatro criadas pelo artista italiano, com legendas em português. As próximas sessões são esta segunda-feira (28), com exibição de “Orchidee, de 2013, e quarta-feira (30), com “Vangelo”, de 2016.

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