21 Maio 2022, Sábado
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Grandes nomes da música portuguesa dão voz e palco a crianças refugiadas

Iniciativa junta crianças vindas de vários países com artistas lusófonos para cantar em dueto

 

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Pensado e criado pelo músico-compositor Davide Zaccaria e pela cantora Maria Anadon, sua mulher, residentes na Quinta do Conde, “Crianças pela paz” é um projecto musical e social que pretende dar a crianças refugiadas ou em situação de carência a oportunidade de aprender música, cantar em dueto com alguns dos maiores nomes da música portuguesa e participar no hino “Terra prometida”.

“Esta é uma ideia que tenho já há vários anos e quando entrámos em pandemia tive covid grave e com isso tempo para pensar e perceber que tinha de fazer uma pausa. Aí a ideia voltou, também por várias situações que vieram ainda mais ao de cima como as guerras, a fome, a pobreza. Com as vacinas contra a covid-19, pudemos perceber, por exemplo, quais os países africanos que praticamente não tinham no início direito a vacinas. Era altura de fazer algo”, começa por dizer Davide Zaccaria a O SETUBALENSE.

Com a finalidade de dar voz às crianças “vindas de realidades cruéis e muitas vezes esquecidas ou escondidas” e de lhes proporcionar uma experiência diferente, a ideia inicial era ir ao seu encontro, nos seus países de origem, mas devido à crise pandémica e a outras questões logísticas rapidamente perceberam que não seria possível.

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“Contactámos instituições que trabalham com as respectivas comunidades, presentes no território português, e algumas organizações não governamentais com conhecimento no terreno”, conta.

Salvador Sobral e muitos outros aderem à causa Dulce Pontes, Salvador Sobral, Paulo de Carvalho, Maria João, João Afonso, Jorge Fernando, Maria Anadon, Tatanka, Anjos, Fábia Rebordão, Soraya Ravenle, Eneida Marta, Ana Lains e FF, Luanda Cozetti são alguns dos artistas que dão voz à música de Davide Zaccaria e letra de Tiago Torres da Silva, acompanhados por várias crianças e jovens refugiados em Portugal, sem esquecer nomes como Carlos Alberto Moniz, Vítor Paulo, Firmino Pascoal, Pedro Branco, Ritta Tristany, Telmo Pires e Filipa Tavares.

“A adesão dos cantores foi muito grande e entusiasmante. A gravação do videoclipe, em meados de Fevereiro, foi uma festa incrível. Deu até para me arrepiar quando tinha todos à frente para dirigir”, partilha.

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Nas palavras de Davide Zaccaria, “é um grupo não muito homogéneo, com várias direcções e isso é fantástico. O tema é uma balada pop e há que dar asas às vozes deles, cada um com as suas características. É mesmo incrível porque cada um respeitou o tema mas com as próprias características vocais e de interpretação deu o seu contributo”.

Além dos artistas em palco esteve ainda um coro de crianças “muito diversificado”, com crianças refugiadas do Iraque, Irão, Síria e Afeganistão, alunos da Escola de Jazz do Barreiro, onde Davide dá aulas, e outros alunos seus e de Maria Anadon, sem esquecer os actores Eurico Lopes, Luísa Ortigoso e Beto Coville que também se associaram ao projecto.

Numa fase seguinte, “pretendemos realizar duetos, entre as crianças participantes no projecto e os artistas portugueses ou de língua oficial portuguesa, que serão gravados em CD para posteriormente ser vendido. O Salvador Sobral, por exemplo, canta, em português, com uma criança que irá cantar na sua língua materna”, explica.

As verbas resultantes da venda do CD serão, de acordo com Davide Zaccaria, “aplicadas na íntegra em bolsas de estudo e na aquisição de instrumentos musicais que serão posteriormente entregues às crianças”.

O músico responsável pelos arranjos e coordenação dos cantores, a par de João Califórnia da associação Sonos Terra, diz ainda que “as ideias são muitas mas temos de ter o dinheiro necessário para as bolsas de estudo e para os instrumentos”.

“Crianças pela paz” conta com o apoio do Rotary Club de Sesimbra, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Conselho Português para os Refugiados e da Egitana e procura “entidades públicas ou privadas que ajudem a concretizar o projecto”, lançando, assim, “o apelo a quem puder”.

A equipa compõem-se ainda com a pintora São Nunes, autora da capa do CD, Carlos Sargedas, realizador do videoclipe, e Luís Filipe Sarmento, Armando Carvalheda e Guadalupe Portelinha, autores da brochura presente no interior do álbum.

Entre as entidades parceiras estão a Banda Filarmónica Vaguense, a Escola de Jazz do Barreiro e a Orquestra Geração.

A iniciativa de inclusão e solidariedade pretende, assim, estimular nas crianças refugiadas, provenientes de vários países nos quais sofrem ou sofreram com a fome, a pobreza ou a guerra, e carenciadas, de nacionalidade portuguesa, o gosto pela música, o seu desenvolvimento intelectual, podendo incluí-las na sociedade e incentivá-las a utilizar a arte musical como forma de expressão.

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