13 Agosto 2022, Sábado
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Indústria conserveira pode estar de regresso à vila sesimbrense

José Nero é neste momento o único produtor de conservas com ligação a Sesimbra

 

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A indústria conserveira tem uma história de mais de dois mil anos em Sesimbra, onde, em meados do século XX, chegaram a existir 14 fábricas a laborar. Na segunda metade do século XX, a última fechou portas. Hoje, existem intenções de recuperar a tradição conserveira em Sesimbra e José Nero, “com grande vontade de fazer regressar ao presente a qualidade das conservas do passado”, é o principal responsável.

Em 1680, a família Nero instala-se em Sesimbra para produzir e exportar peixe seco e salgado e em 1912 Amadeu Henrique Nero, avô de José, funda, com os seus sócios, a fábrica de conservas “A Persistente”. José Nero já nasceu no Porto mas mantém com a vila “uma ligação sentimental e familiar”.

“Acredito que acabamos sempre por voltar às origens e foi por isso que em 2010 resolvi retomar o negócio das conservas. Como já não tínhamos fábrica, a última unidade produtiva que tivemos fechou em 1996, no Montijo, comecei a encomendar a produção noutras fábricas e a utilizar marcas centenárias, nascidas em Sesimbra no tempo do meu avô, como Catraio, Georgette, Naval e Açor”, começa por contar José Nero a O SETUBALENSE.

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“Quando fiz o lançamento do atum Catraio em 2010 em Sesimbra, as pessoas mais antigas lembravam-se, mexeu com a memória colectiva, e nesse sentido pensei em lançar uma conserva relacionada com Sesimbra”, adianta. É lançada nesta altura a conserva de peixe-espada preto, nunca antes feita e considerada “uma inovação”, tendo sido a força que faltava para relançar as conservas Nero. Até hoje nunca mais pararam, contando com cerca de 60 referências no mercado.

Ideia passa por pequena fábrica para produção específica

Mais recentemente, Custódio Lopes, detentor de barcos de pesca em Sesimbra, desafiou José Nero a fazer uma conserva com “cação seco, a que tipicamente chamam em Sesimbra cão-do-monte ou cademonte. Como ele também seca o peixe, desafiou-me a fazer uma conserva. Deu-me três para fazer testes e o feedback de toda a gente que provou foi positivo”.

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Surge assim a ideia de voltar a trazer a indústria conserveira para o território, com a criação de “uma pequena fábrica para produção específica de espécies como esta e o peixe-espada de Sesimbra e para valorização de outras espécies da região”. De acordo com José Nero, a Câmara Municipal mostrou-se disponível para apoiar no que pudesse e combinaram reunir, quando a pandemia permitisse, para “avaliar a possibilidade e viabilidade de se avançar com algo desta natureza”.

Sobre esta possibilidade, Francisco Jesus, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, diz a O SETUBALENSE que o município conhece “o interesse do herdeiro de uma das principais conserveiras em retomar actividade em Sesimbra e, caso se concretize essa intenção, vamos estar ao seu lado a apoiar a ideia”.

Nas suas palavras, “embora não dependa propriamente da Câmara Municipal, estamos, naturalmente, receptivos ao retomar de uma actividade que já teve uma enorme importância na

vila, intimamente ligada à economia do mar, o nosso principal recurso, e que pretendemos dinamizar cada vez mais com projectos sustentáveis, que possam gerar emprego e mais-valias para o município”. No que diz respeito à recuperação desta tradição para Sesimbra, a nível cultural e económico, Francisco Jesus considera que seria “muito interessante, do ponto de vista da preservação da história, das tradições e da memória colectiva” e que hoje “provavelmente não teríamos uma produção industrial e em massa como nos séculos XIX e XX mas uma visão mais vocacionada para o turismo e para o chamado mercado gourmet”.

O município tem vindo a produzir conservas de carapau, sardinha e cavala, com pescado capturado pela frota de pesca de Sesimbra, vendidas na loja Yes Sesimbra. “Fazêmo-las na época do ano em que estão desvalorizadas e são vendidas sobretudo como isco, numa perspectiva de sustentabilidade e valorização do pescado”, explica, rematando que “a criação destas conservas foi também uma forma de despertar a comunidade para a sua importância e para o mercado que actualmente poderá ter”.

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