1 Outubro 2022, Sábado
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Beatriz Bastos: A basquetebolista que veste com orgulho a camisola de Portugal há cinco épocas

Aos 23 anos, a atleta com trissomia 21 espera vir a conseguir “ser campeã” na modalidade e levar a sua equipa ao pódio

 

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Beatriz “Competitiva” Bastos. Este nome, por si só, revela muito sobre quem é a jovem de 23 anos que há cinco épocas é convocada para a selecção nacional de basquetebol. A atleta, com trissomia 21, vestiu pela primeira vez a camisola de Portugal em 2017/2018, tendo-se tornado presença assídua no conjunto luso, até à data.

O escalão onde treina actualmente não é o correspondente à sua idade, mas Beatriz garante que tal situação não a desmoraliza. “Sou a mais velha do grupo. Até me sinto mais desafiada e brinco muito com as minhas colegas e divirto-me muito”, garante.

O basquetebol entrou na vida de Beatriz quando esta tinha apenas oito anos, na altura por mera brincadeira. Começou por “jogar em casa”, onde “dava uns ponta- pés na bola e driblava”, até que os pais “viram que gostava de jogar” e inscreveram-na no Scalipus Clube de Setúbal.

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“Sempre gostei de basquetebol. Tem um papel muito importante na minha vida. A jogar sinto-me com paixão e sinto que é o meu futuro, porque me leva a competições. Quando estou a jogar dou tudo de mim. É a minha segunda casa”, conta a jovem, enquanto expressa um sorriso de orelha a orelha.

Passados 15 anos, a atleta já representou Portugal “em Itália, onde foi muito divertido e a equipa ficou em terceiro lugar, assim como em Guimarães e Vila Nova de Gaia”. “Adoro a sensação de ganhar. É boa. Por isso é que no desporto sou competitiva”.

Apesar de garantir que agora já se sente “confortável em ser convocada”, Beatriz confessa que “na primeira vez não estava nada à espera”. “Mas fiquei muito feliz. Gosto muito de representar o meu país”. Este ano, “mesmo não tendo havido fases de jogos, os treinos continuaram sempre”.

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Mãe é principal ‘culpada’ pelo sucesso da basquetebolista

É à mãe quem Beatriz dedica o sucesso que tem tido. “A minha família e amigos sempre me apoiaram, sou muito ligada a eles, mas em especial à minha mãe, que foi quem sempre me ajudou e incentivou a prosseguir no desporto. Sempre trabalhou e fez questão que eu estivesse integrada no contexto regular, quer na escola quer no desporto”.

Além disso, “quando há jogos pela selecção nacional”, Beatriz diz adorar que a mãe esteja sempre presente. “Vai, apoia-me e grita imenso por mim. É muito giro”.

É também a pensar na mãe que a jovem quer continuar a trabalhar para vir a “ser campeã de basquetebol”. “Já fui vice-campeã mundial de basquetebol 3×3, nos Campeonatos do Mundo de Síndrome de Down, em 2018, mas quero mais. É um objectivo que gostavamuito de alcançar. Ainda não consegui levar a minha equipa ao pódio, mas sei que vou conseguir um dia. É uma coisa que requer muito trabalho, mas estou focada nisso”. Para tal, garante que tem trabalhado arduamente.

“Treino três dias por semana. Treino às segundas-feiras na Escola Secundária Sebastião da Gama, das 19h00 às 20h30. Depois tenho treino às quartas e sextas-feiras, das 20h00 às 21h15 no Pavilhão da Aranguez. É o clube que decide onde se realizam os treinos”.

Semanas na APPACDM são muito preenchidas com actividades diárias

Também utente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Setúbal há vários anos, a jovem revela que o seu dia-a-dia, fora os treinos, é “muito preenchido”.

“Às segundas-feiras de manhã recolhemos materiais para a actividade da tarde, que passa pela jardinagem, enquanto à terça-feira de manhã tenho grupo de teatro na União Setubalense, que eu acho muito divertido, e à tarde temos jogos que nos fazem puxar pela cabeça, nomeadamente pela concentração”, revela.

Já às quartas-feiras “há uma sessão de grupo com todos os colegas no período da manhã”, sendo a parte da tarde dedicada a outro grupo de teatro, com as “conversas estranhas à séria”. “No dia a seguir a manhã é novamente na União Setubalense e a tarde é a fazer jardinagem. Durante o dia de sexta-feira fazemos ginástica. É uma semana muito completa”.

Nos tempos livres, quando os tem, diz gostar de “jogar futsal, por diversão, e de dançar, cantar e ir passear com a família e amigos”. “Meto-me a gritar no quarto, com as janelas abertas, a cantar bem alto com um microfone”, confessa.

Aos fins-de-semana, aproveita igualmente para “ver televisão e jogar no tablet ou telemóvel”, assim como gosta muito “de ir à rua brincar com o cão”. “Sou muito brincalhona e alegre. Adoro brincar com os animais e com os meus amigos”.

Passado muito feliz inclui Boccia na Secundária de Palmela

Natural de Abrantes, cidade onde ainda vai com frequência visitar a família, a atleta, que completa mais um aniversário a 31 de Dezembro, veio para Palmela aos quatro anos.

“Vamos lá comemorar o Natal, na altura da Páscoa ou quando alguém da família da parte da minha mãe faz anos. Gosto muito de lá ir. Tenho ligação com todos e falamos com frequência”.

Sobre a infância, diz que a mesma “foi muito feliz”. “Lembro-me de comemorar os dois anos em Espanha. Depois vim para Algeruz e comecei a andar no Infantário do Rouxinol”. O 1º ciclo foi feito na Escola Básica de Aires, sendo que do 5º ao 8º ano transitou para a Escola Básica Luísa Todi.

Para completar o 9.o ano, a jovem regressou à vila palmelense, onde frequentou a Escola Básica 2,3 Hermenegildo Capelo, tendo sido o secundário feito na Escola Secundária de Palmela. “Em todas as escolas que andei correu tudo super bem. Passei todos os anos, sem nunca reprovar, e completei o 12.o ano”, explica, visivelmente orgulhosa.

Enquanto estudava, fez também parte do desporto escolar, no qual praticou Boccia. “Na Escola Secundária de Palmela levava sempre uma equipa de Boccia às finais das regionais e nacionais. Gostei muito, mas agora já não pratico”.

Do que tem saudades, admite, é de fazer canoagem. “Gostava de fazer novamente, além de querer experimentar padel e surf. Adoro praticar desporto”.

 

Beatriz Bastos à queima-roupa

Idade: 23 anos

Naturalidade: Abrantes

Residência: Algeruz, Palmela

Área: Basquetebol

O que começou por mera brincadeira, rapidamente se transformou na segunda casa da jovem, que representa como atleta o Scalipus Clube de Setúbal

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