21 Janeiro 2022, Sexta-feira
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Escavações confirmam que igreja do Castelo de Palmela era usada como necrópole

Os trabalhos arqueológicos que tiveram início no passado mês de julho no Castelo de Palmela já permitiram confirmar a existência de uma necrópole no espaço da antiga Igreja de Santa Maria, anunciou hoje a Câmara Municipal.

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A intervenção arqueológica, com enfoque no adro da antiga Igreja de Santa Maria, onde vai ser instalada uma escada rampeada, criando um novo acesso, precede a realização das obras para a criação de percursos acessíveis – eliminando as barreiras físicas – no Castelo de Palmela, no distrito de Setúbal.

O investimento global, de 356.700 euros, é cofinanciado pelo Programa Operacional Regional Lisboa 2020, no âmbito de uma candidatura ao CAFA – Castelos e Fortalezas da Arrábida.

“Das cerca de quatro dezenas de enterramentos exumados até ao momento (cronologicamente delimitados entre o século XVIII e os séculos XV/XVI), os arqueólogos do Museu Municipal confirmaram tratar-se, efetivamente, de população natural da antiga vila (homens e mulheres de várias idades)”, refere uma nota de imprensa da autarquia.

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“Nota-se uma forte presença de crianças de muito tenra idade, própria da alta taxa de mortalidade que era comum nos primeiros anos de vida de então”, acrescenta.

O município afirma que “todas as inumações respeitam os rituais associados às práticas cristãs” e que “os objetos associados são muito raros, normalmente rosários ou terços, botões, crucifixos ou moedas, embora a maioria [das sepulturas] não tenha qualquer objeto, dada a condição social das pessoas que eram enterradas no adro” da Igreja de Santa Maria, no interior do castelo.

A Câmara de Palmela salienta ainda que alguma “documentação escrita de 1510 refere que no adro da igreja se praticavam enterramentos” e que as intervenções arqueológicas vieram confirmar a utilização daquele espaço como “cemitério da população de Palmela”. A maioria dos enterramentos encontra-se em “bom estado de conservação”.

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Os trabalhos de campo têm contado, além dos arqueólogos, com a presença de uma antropóloga, prevendo-se que o trabalho laboratorial de antropologia, a realizar posteriormente, permita obter ainda “mais informação sobre a antiga população de Palmela, nomeadamente ao nível da estatura, alimentação, doenças ou deformações causadas pelo trabalho”.

Lusa

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