Candidato do Chega critica atual gestão socialista e, se for eleito, pretende “fazer o que ainda não foi feito” a nível da habitação. Criminalidade e imigração é, para o cabeça de lista, uma preocupação
Rui Campos Silva, 48 anos, é o candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal de Odemira nas próximas eleições autárquicas, que se realizam a 12 de outubro. O partido candidata-se pela segunda vez ao sufrágio naquele concelho do Litoral Alentejano.
O administrador não executivo em diversos grupos económicos considera que os “últimos 15 anos de socialismo foram devastadores” e que faltam vários investimentos no território, entre os quais na saúde, na segurança e no espaço público.
Na habitação propõe-se a “fazer o que ainda não foi feito” e, no que diz respeito à vinda de imigrantes para o concelho, entende haver “um grande choque cultural”.
Em entrevista a O SETUBALENSE o cabeça de lista refere que uma das medidas no combate à criminalidade é a proximidade e fiscalização, enquanto se investe na polícia municipal.
Por que razão se candidata à presidência da Câmara de Odemira?
Quero virar a página de uma Odemira sem futuro, sem jovens, sem emprego, sem habitação, sem memórias, sem economia, mas dominada por meia dúzia de pessoas que vão acabar por colocar o concelho numa lápide, mas com grandes ganhos para eles e para o ciclo próximo deles.
Não quero, nem posso permitir que matem as minhas e as de muitos as memórias daquela Odemira, onde estudei, brinquei, que aprendi a gostar da cultura, da região, das pessoas, da gastronomia que não quero ver desaparecer, quero reavivar e possibilitar que muitos mais as possam viver, descobrir e escolher uma Odemira de futuro, como eu.
Na apresentação da sua candidatura refere que quer “devolver ao concelho o prestígio que lhe é devido”. De que forma é que isso é possível?
Esta frase não é minha, mas do André Ventura, mas sei não se vai importar que a utilize: Trabalho, trabalho e trabalho.
Odemira precisa de tudo, estes últimos 15 anos de socialismo foram devastadores, hoje precisamos de tudo em várias áreas, na saúde, ensino, na segurança, apoio aos mais idosos que foram abandonados, espaço público, e muito, mas muito investimento económico privado.
Precisamos de famílias, de jovens que queiram vir constituir família no município com mais qualidade de vida do País, uma região cheia de possibilidades em criar oportunidades na agricultura, nas pescas, no turismo, no lazer com uma costa marítima de 55 km, aproveitando a identidade e cultura de uma região única do Litoral Alentejano.
Tenciona ainda “afirmar Odemira tanto a nível nacional como internacional”. Como?
Promovendo tudo o que temos de único. As nossas vilas, os nossos alojamentos, os nossos restaurantes com gastronomia alentejana, os eventos da região que vários que promovem Odemira, as 11 praias únicas com bandeira azul, classificadas com Qualidade de Ouro, quer dizer zero poluição, o mais importante os odemirenses, pessoas maravilhosas com uma recetividade única.
Promover a criação de um parque tecnológico ao nível do que tem Évora “PACT” e atrair empresas e start-ups que venham para o concelho com projetos na área da ciência, tecnologia e inovação, nas energias renováveis, dinamização tecnológica agrícola, marítima, e com isso criar oportunidades de emprego e riqueza local.
Iremos projetar tudo isto numa comunicação internacional certamente com o apoio do Aicep, Turismo Portugal, mas também com comunicação própria da autarquia e do gabinete que irei criar com esse objetivo.
Dou um exemplo, acabou em 2023 o festival Sudoeste e não voltará a acontecer pelos motivos públicos conhecidos, até agora nem uma palavra do município, este evento deixava 4,7 milhões de euros em Odemira e 3 M€ indiretos, dava a conhecer pela primeira vez, o concelho a milhares e milhares de jovens e seus familiares, num só dia chegaram a estar 50 mil festivaleiros, eram maioritariamente portugueses mas muitos estrangeiros, até agora ninguém falou desta importância, pois eu deixo aqui uma garantia. Um grande festival virá para Odemira em 2026, não vamos deixar morrer o que foi bom durante 20 anos com o MEO Sudoeste e melhorar o que se tem de melhorar, mas vai acontecer um grande evento em 2026.
Posso até avançar um slogan para o festival em tom de brincadeira em primeira mão: “O Sol não vai parar de Brilhar na Zambujeira do Mar 2026”.
Que falhas aponta à actual gestão do município?
Seria mais fácil dizer o que não falhou nos últimos 16 anos, e digo 16 anos pois este presidente esteve presente neles – 12 como vice-presidente e quatro como presidente.
Conseguiram deixar o concelho como está e mesmo assim, pensam em continuar esta desgraça.
Economicamente o concelho está de rastos, comércio e lojas fechadas, centro histórico abandonado, sem turismo, sem perspetivas e investimentos de futuro. Turismo com pouca qualidade, sem procura, ranking turístico no fundo e sem confiança dos empresários e investidores.
Agricultura, pecuária e pescas: Os pequenos e médios agricultores sem apoio, o setor das pescas esquecido, a pecuária a precisar de projeção nacional.
Saúde: sem médicos, sem enfermeiros, sem apoio continuado para idosos, falta de pessoal, alas de apoio continuado fechadas, lares e centros dia existentes lotados.
Odemira precisa de um centro de saúde novo com qualidade para trabalhar 24 horas com serviço urgência.
Habitação: não se constrói uma nova casa camarária há 20 anos, compra-se umas casinhas, faz se remodelação e já está. É isto o modelo de habitação?
É pensar pequeno e sem noção, sem habitação nova acessibilidade, não se consegue atrair novos munícipes e com isso trazer enfermeiros, médicos, polícias, jovens, mão de obra qualificada, atrair novas famílias que queiram constituir ou mudar de vida em Odemira. Sem essa construção, não vamos atrair ninguém.
Não vale a pena sonhar nem achar que com varinha mágica se muda verdadeiramente algo, os políticos todos sabem isso, mas não tem visão, nem se querem maçar, dá muito trabalho projetar o futuro.
O crescente número de imigrantes é uma preocupação?
É muito preocupante, mas também muito perigosa, neste momento é o fator com maior desafio para se resolver e equilibrar em Odemira.
Atualmente existe um grande choque cultural, costumes e religiosos, mas existem também comportamentos que não estamos habituados e não queremos nos habituar.
Hoje, são regulares, crimes, agressões com uso de armas brancas, até de fogo, existe a céu aberto redes tráfico exploração de pessoas, emigração ilegal.
Não queremos a continuidade nem destes crimes, nem destas organizações em Odemira. Nem desta emigração descontrolada.
Eles têm de se habituar e adaptar a nossa cultura e costumes, não o contrário, ter comportamentos civilizados e serenos, quem não quer se quer integrar só tem um caminho rua daqui para fora, fora de Odemira.
Quais são as medidas que defende para criar mais habitação no concelho?
Numa só palavra, utilizando a música do Pedro Abrunhosa “fazer o que ainda não foi feito”, construir habitação camarária ou num modelo que no passado resultou e talvez se possa recuperar “cooperativa habitação” com parceria camarária. Para ontem era tarde.
E no combate à criminalidade?
Como sabe existem competências que são da responsabilidade do Governo Central e essa é uma delas, mas estou ciente e confiante na GNR e nos elementos que Odemira dispõem, sendo poucos infelizmente para uma grande área territorial, mas quero muito e desejo que possa ficar mais segura o mais rápido possível, pondo termo a estas redes de crime indostânicas que se radicaram e operam no concelho com redes de tráfico de pessoas entre outras coisas.
Ainda no passado dia 19 de julho tivemos tiroteios em três locais – em Almograve, São Teotónio e Café Pratas – alguém ouviu o presidente da câmara? Não, escondeu-se.
Na proximidade e fiscalização, como polícia amiga, polícia presente, irei sem demoras criar a Polícia Municipal de Odemira, definir o modelo, apresentar e concretizar a implementação.
Serão os Embaixadores e Defensores do Concelho de Odemira nas competências que lhe vão ser atribuídas.
Há algo mais que queira acrescentar?
Sim, deixar a mensagem aos odemirenses, que não venho fazer promessas para comprar votos, venho prometer compromisso na mudança.
Que Odemira, será com toda a certeza um concelho com futuro e o futuro de muita gente que para aqui virá viver, nascer, passear, conhecer e voltar.