28 Março 2023, Terça-feira
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Bombeiro despedido impede tragédia maior

Era o único no quartel habilitado a conduzir carro pesado para o incêndio. Debate político “pegou fogo”. PSD pede comissão de inquérito

 

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“Se [ele] não estivesse, tinha ardido tudo, tínhamos uma catástrofe”. Por sorte, estava. Sorte, porque quando deflagrou o incêndio que devastou um edifício na Rua Machado dos Santos, na passada sexta-feira, era ele o único no quartel dos Bombeiros do Montijo com habilitação legal para conduzir o carro pesado que permitiu combater o fogo.

Ele é o chefe Vítor. Estava no quartel na qualidade de voluntário, já que em Novembro último foi demitido dos quadros pela direcção, tal como o comandante Pedro Ferreira. E à mesma hora a Equipa de Intervenção Permanente finalizava a resposta a um incêndio ocorrido na zona do Cais do Seixalinho.

O caso foi abordado na reunião de câmara de quarta-feira passada pelo vereador da CDU, Joaquim Correia, na sequência de uma intervenção do vereador do PSD, João Afonso, sobre as dificuldades com que a corporação se debate, por entre críticas ao funcionamento da Protecção Civil Municipal. E foi apontado pelo autarca da CDU como exemplo para ilustrar a falta de “capacidade de resposta instalada”.

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A hipótese de que o sinistro poderia ter destruído os edifícios contíguos não é, de resto, afastada pelo Comandante dos Bombeiros do Montijo. “Se o Chefe Vítor não estivesse no quartel, de certeza absoluta que demoraríamos mais tempo a chegar ao incêndio e isso poderia trazer um cenário ainda mais grave do que aquele com que nos deparámos”, admitiu Pedro Ferreira a O SETUBALENSE.

No cerne da questão está a luta que se tem vivido dentro da Associação dos Bombeiros – a direcção eleita há pouco mais de um ano está demissionária, incompatibilizou-se com o Comando desde a primeira hora e de permeio elementos dos três órgãos sociais demitiram-se (Nuno Canta, presidente da autarquia, classificou a actuação do elenco directivo demissionário de “vil”, de “vingança” em relação à direcção anterior).

A actual situação, no entender de João Afonso, é reveladora de um “insustentável estado de operacionalidade do serviço da Protecção Civil”. E o autarca anunciou que “o PSD irá requerer, com carácter de urgência, através da sua bancada na Assembleia Municipal, a constituição de uma comissão para inquirir o funcionamento da estrutura da Protecção Civil”.

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“Há anos que os bombeiros enfrentam graves dificuldades financeiras, sofrem de falta de equipamentos, faltam bombeiros profissionais para assegurar o socorro, há anos que a estrutura da Protecção Civil não tem meios nem capacidade técnica nem coordenação adequadas”, considera o vereador do PSD.

Mas para Nuno Canta o social-democrata, além de tentar tirar dividendos políticos da situação, apenas tem contribuído para alimentar a desunião interna na corporação. O socialista – que ouviu ainda Joaquim Correia apontar-lhe a obrigação de pressionar os bombeiros – lembrou que “a Protecção Civil não são só os bombeiros”. Engloba todas as outras forças de segurança, “até a Força Aérea”.

“A função do presidente da Câmara e responsável máximo pela Protecção Civil é garantir os meios para o funcionamento das corporações”, disse, antes de frisar que o problema dos bombeiros “é uma questão de gestão” interna.

O chefe do executivo garantiu ainda não ter qualquer problema com a realização da comissão de inquérito que o PSD irá requerer. Ao mesmo tempo considera injustas as críticas recebidas. Ainda para mais quando a Câmara Municipal do Montijo tem apoiado os bombeiros “com mais dinheiro todos os anos”. “Temos aumentado significativamente o valor [dos apoios]”, sublinhou, sem deixar de estabelecer um paralelismo. “Temos outra associação de bombeiros, a de Canha, que é impecável e imaculada, e a coordenação da Protecção Civil é a mesma”, indicou.

O incêndio de sexta-feira, 20, deixou 16 pessoas de três famílias desalojadas e provocou um ferido grave e três ligeiros.

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