27 Maio 2022, Sexta-feira
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Câmara da Moita com 4,4 M€ de incobráveis

Valor de 4,4 milhões em dívida no sector das águas é encarado como “incobrável”

 

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A direcção política do Partido Socialista da Moita emitiu na último fim-de-semana, um comunicado onde acusa a CDU concelhia de “maquilhagem” do relatório e contas da autarquia, revelando que através da aprovação do documento referente a 2021, foi possível tomar “conhecimento da real situação financeira” do município, lembrando que “durante os últimos meses todos temos ouvido aquilo que é o grande ‘chavão’ da gestão [comunista] deixada na Câmara”, que foi marcada por “contas certas” e por um saldo no valor de seis milhões de euros.

“Ora a realidade vem desmistificar essa posição”, defendem os socialistas, lembrando que com a aprovação das contas referentes ao ano transacto, elaboradas pelos serviços camarários e validadas pelo Revisor Oficial de Contas – o mesmo de anos anteriores –, foi tornada pública “a real situação financeira” da autarquia.

“Nunca se ouviu uma palavra sobre as dívidas incobráveis deixadas, mas as mesmas são factuais e vêm descritas”, lembra o partido, acrescentando que desde 1992 acumulou-se “aproximadamente 4,2 milhões de euros, que continuam a ser descritos como um activo”. Na mesma reacção, a secção do PS lembra que este valor inscrito era na realidade considerado “virtual”, dado ser “incobrável”, pelo que a “receita nunca poderia ser canalizada para o investimento que tanta falta faz”, sublinham.

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Na mesma declaração, o PS local afirma que “a gestão CDU camuflava os seus resultados com valores que efectivamente não existem” e diz não se rever nesta forma de demonstrar os números, continuando a assumir “um compromisso de seriedade e de verdade com para com os nossos munícipes”. Acrescenta ainda que “seja qual for o cenário, com o PS a população […] contará sempre com transparência e seriedade, pois só assim se define um rumo de sucesso, de trabalho e valorização”, garantido que cabe ao actual executivo “construir um caminho de desenvolvimento, onde todos se sintam parte integrante”, acrescentam em comunicado.

Valores em dívida marcam Assembleia Municipal

Acrescente-se que durante a última sessão daquela Assembleia Municipal, realizada na noite da última sexta-feira, a vereadora Sara Silva (PS) adiantou que o referido valor que estava na contabilidade municipal demonstra ser “uma constatação”, ou seja, um resultado líquido, sendo que “a conta de clientes tinha um resultado inicial” superior a cinco milhões de euros que “na realidade não deveria ter”, porque um valor superior a 4 milhões e 467 mil euros foi retirado “da conta do activo como imparidades, porque são valores que, desde 1992, estavam em dívida quanto ao abastecimento de água”, frisou.

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Na altura, a vice-presidente da edilidade moitense adiantou “que o resultado líquido positivo de anos anteriores é camuflado, uma vez que não retirando este valor do activo de clientes, o resultado líquido aparecia positivo”, afirmou, realçando que só agora “chegamos ao resultado líquido negativo, precisamente porque estas imparidades, retirando-se, e muito bem, do activo, se diminui o resultado líquido”, constituindo um desfecho nocivo para a edilidade.

Sara Silva: “Estamos a falar de um camuflar de valores”

Esta terça-feira, em declarações à agência Lusa, a autarca sublinhou que “por opção nunca foram consideradas imparidades ao longo deste tempo”, dado tratar-se de uma dívida acumulada com duas décadas, relativa ao abastecimento de água à população. Supostamente era [um encargo] que não era recuperável e que não iria entrar na receita dos cofres da autarquia”, explicou.

Sendo incobrável, por terem passado os prazos, a autarca garante que “estamos a falar de um camuflar de valores que estavam reflectidos na conta de clientes e que não vai ser possível recuperar e entrar nos cofres da autarquia”. A vereadora acrescentou que os mesmos são considerados irrecuperáveis e “por isso passaram para gastos”, sendo observado como uma imparidade. “É dinheiro que a autarquia estimava poder utilizar e que não vai ser possível cobrar”, frisou.

A responsável adiantou que “gostaríamos de usar” esta verba “no que fosse útil para o concelho”, tendo classificado este cenário como “irreal”. Para Sara Silva, a verba “não existe e isso é o que nos interessa que a população saiba, que havia uma rubrica e dinheiro que podíamos cobrar e que, na realidade, é incobrável”, sublinhou. O SETUBALENSE procurou ouvir o ex-presidente da autarquia, Rui Garcia, e o PCP moitense, não tendo conseguido obter declarações sobre o assunto até ao final desta edição.

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