21 Maio 2022, Sábado
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Mais de duas centenas reflectem sobre prática tradicional nefasta para as mulheres na Moita

6.º Encontro regional dá voz a comunidades que continuam a ser afectadas pelo mundo

 

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Mais de duas centenas de pessoas estiveram reunidas no último sábado, no auditório do Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, para dar voz às comunidades que continuam a ser afectadas, nos dias de hoje, por uma prática tradicional nefasta para as mulheres.

Na véspera da data em que foi assinalado o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, o equipamento municipal acolheu o sexto encontro regional dedicado a esta temática.

A iniciativa contou com as presenças de Carlos Albino, presidente da Câmara da Moita, de Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, e da embaixadora do Senegal, Fatoumata Bnetou Rassoul Correa.

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O autarca moitense começou por congratular-se com o facto de o concelho ter acolhido este ano – após os municípios da Amadora, Sintra, Seixal, Lisboa e Odivelas –, o debate em torno de uma problemática “tão sensível” e à qual “é preciso pôr fim”.

O presidente considera que a Mutilação Genital Feminina (MGF) “é uma violação dos direitos humanos” e, nessa medida, “uma forma, clara, de violência contra mulheres e meninas em todo o mundo”.

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A este propósito, acrescentou que “temos todos, homens e mulheres, um papel fundamental para que esta prática, que afecta não só física, mas psicologicamente, milhões de mulheres e meninas, seja erradicada”, disse.

“É com encontros como este, onde se desconstroem os mitos à volta desta prática e onde se partilham histórias e experiências, que podemos chamar a atenção de um cada vez maior número de pessoas, para este problema que é global e não apenas uma franja na sociedade”, sublinhou.

Rosa Monteiro, por sua vez, destacou a responsabilidade do sector público nesta intervenção, através de autarquias locais como a Moita, que “integraram nos seus Planos Municipais para a Igualdade, o combate às práticas tradicionais nefastas e que o fazem também no concreto da sua intervenção”, disse.

A representante do Governo adiantou ainda ser “essencial” a capacitação das jovens mulheres das comunidades afectadas, para ultrapassarem as fronteiras que lhes são impostas. “É fundamental criarmos espaços de reflexão, de partilha e de diálogo, para contrariarmos a ‘invisibilização’ do tema”, destacou.

Intervenções comunitárias para prevenir problemática

Durante a manhã e no primeiro painel do encontro, apresentado por Rolaisa Embaló, a antiga aluna da Escola Secundária da Baixa da Banheira reflectiu sobre a MGF no concelho, com a projecção de um conjunto de vídeos com testemunhos e considerações de diversos membros da comunidade e sobre o trabalho em rede que tem sido desenvolvido no território.

A sessão incluiu também um segundo painel dedicado às intervenções comunitárias em curso na Prevenção da MGF, com a participação das mediadoras interculturais de saúde Fatu Okika, Lina Barona Ramos, Mariama Djaló e Regina Conté.

Além destas, a discussão contou também com a participação da referida ex-aluna e de Estrella Luna Muñoz, da Escola Técnica Profissional da Moita, de Adbul Gaffar e Lina Maria Hernandez – em nome da Casa Árabe portuguesa –, e Fátima Rafael, pertencente à Comunidade Islâmica de Palmela.

A fechar o encontro estiveram ainda António Carlos Pereira, vereador dos Assuntos Sociais daquela autarquia, e Sandra Ribeiro, presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Já o músico guineense Braima Galissá, mestre tocador de Kora, encerrou a iniciativa com chave de ouro.

Dez anos de trabalho com membros da sociedade civil

A Associação Mulheres Sem Fronteiras, à qual o município se associou em 2018, tem vindo a trabalhar incessantemente desde 2011, altura em que se alertou, pela primeira vez, para esta prática no concelho. Desde então e ao longo de dez anos, foi desenvolvido um trabalho com a sociedade civil e membros de diversas áreas.

“Mais de 1300 alunos e alunas, muitos de comunidades afectadas pela prática e 32 docentes, estiveram envolvidos de forma continuada neste trabalho”, refere a autarquia, tendo sido formados “mais de uma centena de docentes do 1.º ciclo ao secundário [e] assistentes operacionais do ensino pré-escolar”.

Foi ainda dada formação a 75 técnicos e técnicas da área social, de Organizações Não Governamentais e do Centro de Atendimento a Vitimas Barreiro-Moita, entre outras, estando actualmente quase 80 profissionais de saúde capacitados com formação nesta área.

O combate a esta e outras práticas nefastas à saúde de meninas e mulheres fará parte do Plano Municipal para a Igualdade e a Não Discriminação (PMIND), que será dado a conhecer “no primeiro semestre deste ano”, revelou o município.

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