21 Setembro 2021, Terça-feira
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Interculturalidade e solidariedade marcam dia-a-dia na Quinta Fonte da Prata

Apesar dos problemas, habitantes asseguram que bairro continua a ser uma zona calma

 

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Situado na freguesia de Alhos Vedros, na Moita, o bairro multicultural da Quinta Fonte da Prata – onde residem actualmente cerca de cinco mil habitantes –, continua a ser um dos espaços daquele município onde continuam a chegar mais moradores.

Todos os meses, oriundos de diferentes pontos do mundo, a maior parte dos cidadãos chega com muitas necessidades, sendo as primeiras aprender a ler e a escrever para poderem dar início a uma nova fase das suas vidas.

É o caso de Márcia Lenny Pereira, que se encontra já reformada, por motivo de doença, e que vive naquele local há apenas um mês.

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“Penso que esta área é uma zona calma para se viver, porém, continuam a faltar mais espaços de comércio e por essa razão, raramente estou por aqui, até porque também aproveito o tempo que tenho para apostar na minha formação”, afirma a O SETUBALENSE a jovem com apenas 26 anos.

Enquanto uns dão os primeiros passos neste sentido, outros ocupam o tempo com outro tipo de formações, assegurado no terreno pelos projectos que se encontram em curso no local pela Fundação Santa Maria Rafaela, com o apoio prestado à comunidade pela Congregação das Escravas do Coração de Jesus, através da cedência de roupas e alimentos à população.

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Isabel Andrade, assistente administrativa com 50 anos, já tinha vivido naquele sítio e, após um pequeno interregno, decidiu regressar em 2011 à Fonte da Prata, onde se manteve na última década.

“O bairro é agradável, embora existam coisas que continuam a estar menos boas, mas as pessoas são afáveis”, sublinha.

Para a moradora, a autarquia devia apostar na “construção de uma piscina que, até agora e apesar de estar projectada, acabou por nunca ter sido feita, para além de um parque de skate para que os mais jovens pudessem dele usufruir”.

Na sua perspectiva e tendo em conta que a zona costuma ter sol boa parte do ano, a lisboeta adianta que se podia “aproveitar para, em conjunto com a comissão de moradores e com os vários condomínios, colocar painéis solares nos edifícios para que pudéssemos ter luz em casa de graça e, provavelmente, até daria para colocar também na rede pública”.

Já os acessos, defende, “são considerados bons”, embora “os transportes pudessem ser em maior quantidade”.

Para Fernando Neves, outro residente, natural de Garvão e ex-morador da Lagoa da Pega, situada ali perto, já está reformado aos 64 anos e vive desde 1971 na Fonte da Prata. “Sou dos tempos em que assisti à construção deste bloco de habitações”, recorda.

“Com os tempos, o bairro atraiu muitos imigrantes e em termos de segurança, pelo menos a partir de uma determinada hora, devíamos ter uma patrulha fixa, fosse da PSP ou GNR, porque existem zonas da urbanização onde nem se consegue dormir”, denuncia.

“Devíamos ainda ter mais algumas estruturas, apesar de existir um complexo desportivo que foi vandalizado recentemente”, lembra, afirmando que àquela zona costumam vir também muitos jovens oriundos da freguesia do Vale da Amoreira.

No bairro vivem cerca de cinco mil pessoas

Aos 67 anos, Maria das Dores Guerreiro, natural de Aljezur, Algarve, foi das primeiras residentes do bairro. “Há coisas que são boas aqui, mas também temos pessoas que se acham donas disto tudo”, desabafou a O SETUBALENSE.

“Deviam construir mais equipamentos nesta urbanização”, no sentido de “dar mais condições a quem vive nesta área da Moita”, realçou.

Por um curto passeio pela urbanização, foi ainda possível encontrar a brasileira Keila Salvador, de 30 anos de idade, que veio de Minas Gerais para o bairro há 15 anos. A jovem, operadora talhante de profissão, garante “gostar do sítio” onde mora, que considera ter uma “boa harmonia, apesar de por vezes surgirem algumas confusões”.

No seu entender, “devíamos ter mais transportes, porque às vezes é um pouco complicado já que demoram muito a chegar”, refere.

O descampado ali existente – outrora destinado a receber a continuidade da urbanização criada pelo consórcio espanhol Martinsa-Fadesa –, “já podia ter sido melhorado com a construção de um parque para crianças ou convívio da população”, defende.

Já Fernando Chaves nasceu em Moçambique, tem 66 anos e vive há duas décadas naquele local. Antes de se mudar para a Fonte da Prata, o mecânico naval vivia em Carnaxide e nos últimos anos tem assistido a “uma melhoria acentuada nas condições de vida” de quem ali mora, tanto em termos de “segurança” como de “infra-estruturas existentes”.

Porém, para o residente, continuam a existir “pequenos grupos que não abalam a população”, mas que teimam “em praticar alguns actos de vandalismo”, como sucedeu recentemente no complexo desportivo.

“Fazia falta, com muita urgência, a construção de uma piscina, e para manter estável a saúde mental desta juventude, deveriam ser implementadas mais iniciativas, nomeadamente ligadas ao desporto, até porque a Moita está muito bem situada em relação a Lisboa”, frisou.

Fundação aposta na inclusão escolar

Desde 2004, o projecto TASSE, da Fundação Santa Maria Rafaela (FSMR), tem vindo a desenvolver no bairro uma acção de aposta na melhoria da inclusão escolar das crianças e jovens, reforçando as suas competências e oportunidades da população daquela comunidade.

Além da promoção escolar dos mais jovens, o empenho em levar por diante a inserção na vida activa dos jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos, bem como a necessidade de fomentar o “empreendedorismo e a participação activa” desta faixa de habitantes, continua a marcar o dia-a-dia de muitos dos moradores.

Aumentar o sucesso escolar e a auto-estima de crianças e jovens continuam, por este motivo, a serem duas metas deste projecto.

Na Fonte da Prata, a FSMR desenvolve ainda um plano que se traduz no “aumento da empregabilidade e de experiências profissionalizantes”, tendo sido criado o Gabinete de Apoio ao Emprego, cuja intervenção consiste no “encaminhamento dos jovens para formação e na sua orientação face a ofertas de emprego”.

A par desta meta, decorre ainda no local um programa de formação em contexto de trabalho/estágio – com duração que varia de seis meses a um ano –, numa iniciativa acompanhada por “formação comportamental e reuniões de supervisão ao longo de todo o seu desenvolvimento”.

Para isso, a Fundação conta com um conjunto de acordos com empresas e outras instituições, para garantir a existência de vagas de estágio que possibilitem a concretização do programa.

Paralelamente, tem ainda em curso um projecto de promoção do empreendedorismo, que possa assegurar “um projecto de vida sustentável” a todos os que ali chegam.

Bairro CLAIM apoia integração de migrantes há 14 anos

Na Quinta Fonte da Prata, o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), em funcionamento desde Março de 2007, tem se assumido como um espaço que, conjuntamente com o Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI), procura “ajudar a responder às questões que se colocam aos imigrantes que escolheram Portugal como país de acolhimento”.

Neste espaço, são dadas respostas às perguntas de pessoas que chegam de outros países e é prestado auxílio no seu processo de integração, a nível local, ajudando “a resolver os seus problemas com eficácia” e mais “humanidade”.

Fonte da Prata apoia população imigrante que chega ao bairro

Beneficiando de diferentes parcerias desta Rede, o CLAIM – Fonte da Prata assegura também a estas pessoas ligações às “instituições nas áreas da Saúde, Segurança Social, Educação, Trabalho, Habitação e Jurídica”, com vista “à melhoria do acesso do cidadão imigrante aos diferentes serviços”.

Um trabalho que é desenvolvido com a missão de “acolher e integrar a população imigrante do bairro e freguesias vizinhas” e “promover a interculturalidade através da realização de actividades”, tais como aulas de português para estrangeiros, festas interculturais, sessões de cinema e debate, assim como passeios.

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