26 Julho 2021, Segunda-feira
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Sistema de recolha de biorresíduos avança na Moita a partir de Outubro

Município já deu início à aquisição de equipamentos para este processo

 

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A Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, acolheu na última semana, a sessão de apresentação pública da versão preliminar do estudo para o desenvolvimento de sistemas de recolha de biorresíduos, financiado pelo Fundo Ambiental e que, no caso daquele município, surge na sequência de uma candidatura apresentada pela câmara para poder avançar com este processo no “último trimestre deste ano”, num “investimento de cerca de um milhão de euros”, afirmou a O SETUBALENSE, Rui Garcia, presidente daquela autarquia.

Na perspectiva do autarca, o processo lançado em 2018 “já deu grandes passos”, no sentido de se evoluir a nível nacional para um processo de recolha selectiva dos resíduos orgânicos, que podem ser transformados posteriormente através da compostagem. Ainda assim, o edil considera que o sistema é “complexo” e adianta que a próxima fase vai “implicar alterações nos hábitos das pessoas e na própria forma como tratam os seus resíduos domésticos”, na medida em que o processo “implica também uma transformação ao nível do funcionamento das câmaras municipais”, destacou.

A candidatura, explicou, foi criada com “apoios financeiros substanciais, porque exige a aquisição de equipamentos e uma preparação do município, antes de se passar à fase de implementação no terreno”, disse. Para que tal possa suceder, Rui Garcia sublinha que “é preciso fazer uma abordagem sobre qual é a realidade do território e quais os mecanismos mais adequados” a adoptar.

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Durante a iniciativa foi feita uma caracterização do território, do ponto de vista da produção destes resíduos e das propostas de solução para a sua implementação. “A candidatura da Moita foi aprovada, num valor que ronda cerca de um milhão de euros, com financiamento a 85% e já começámos a adquirir equipamentos”, informou Rui Garcia, que adianta ser intenção da câmara “começar a trabalhar neste sentido no último trimestre deste ano, para podermos começar com as primeiras experiências de recolha selectiva dos biorresíduos”.

Actuamente, “estamos a iniciar a recolha de um elemento que, até este momento, não é aproveitado” e “é essa fase que temos de procurar implementar”, acrescentou.

A separação começa na unidade familiar, sendo os resíduos encaminhados de seguida para tratamento e reutilização. De acordo com o conteúdo do estudo, apresentado pelo professor Alexandre Magrinho, do Instituto Politécnico de Setúbal, após a caracterização do concelho e da gestão de resíduos no município, seguir-se-á uma “avaliação geral das soluções de recolha e valorização dos bioressíduos”, com uma estimativa da evolução anual, de meios técnicos e humanos necessários para este efeito.

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Colaboração da população considerada essencial

Após a comparticipação de fundos comunitários, será necessário fazer uma estimativa de custos por habitante e por tonelada de bioressíduos recolhidos, com a adopção de medidas para “estimular a adesão dos cidadãos”.

A recolha selectiva ou valorização na origem “só é possível ter êxito se […] houver envolvimento, adesão, participação e colaboração” da população, sendo que o mesmo deve acontecer “pela positiva e não pela negativa”.

Para Alexandre Magrinho, o munícipe colabora se “estiver consciente dos ganhos ambientais”, se “pagar uma tarifa de resíduos de uma forma adequada e justa” ou se existirem incentivos à sua colaboração e participação.

O projecto será implementado “a partir de Outubro”, adianta o presidente da autarquia, Rui Garcia

A equipa responsável pela elaboração do estudo considera que, em termos ambientais, “a melhor solução a adoptar é a reciclagem na origem”, apostando-se na compostagem doméstica e comunitária sempre que existam “condições físicas para tal e condições de aceitação dos munícipes”.

O documento apresentado considera que o concelho da Moita, com características predominantemente urbanas, reúne “todas as condições para apostar na recolha selectiva porta-a-porta e na reciclagem na origem”. No entanto, o município “necessitará de aprender com a experiência e de planear com detalhe, ano a ano, a implementação da recolha de biorresíduos”, concluiu o docente.

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