20 Maio 2024, Segunda-feira

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Meio milhar marchou pelas ruas de Setúbal para celebrar Dia do Trabalhador

Meio milhar marchou pelas ruas de Setúbal para celebrar Dia do Trabalhador

Meio milhar marchou pelas ruas de Setúbal para celebrar Dia do Trabalhador

Dos mais velhos aos mais novos, todos partilharam sentimento de preocupação com o futuro e com precariedade vivida pelos trabalhadores

 

Na luta pelos seus direitos, cerca de meio milhar de trabalhadores juntou-se na cidade de Setúbal para celebrar o Dia do Trabalhador, um “dia especial” e com uma “importância enorme” para quem marcou presença. Nesta quarta-feira, num desfile organizado pela União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, trabalhadores de várias empresas reuniram-se na Praça do Brasil e marcharam rumo à Avenida Luísa Todi. Dos mais velhos aos mais novos, todos partilharam um sentimento de preocupação com o futuro e com a precariedade vivida pelos trabalhadores. O Bispo de Setúbal também fez questão de marcar presença, com a garantia de estar com povo sadino e a favor de todos os que tomem as “melhores decisões para a vida feliz dos concidadãos”.

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O percurso começou na Praça do Brasil, onde se reuniram várias centenas de pessoas de diversas empresas, para celebrar o Dia Internacional do Trabalhador. Daí seguiram pela Avenida 22 de Dezembro rumo à Avenida Luísa Todi, onde lhes esperava um palco e vários espaços onde podiam comer e beber. Ao longo do caminho várias pessoas assistiam a este desfile, com algumas a juntarem-se à marcha dos trabalhadores.

Após a chegada de todos à Avenida Luísa Todi, Luís Leitão, coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, subiu a palco e falou para todos os presentes. “Esta é uma grande jornada de luta que envolve milhares de trabalhadores. É um dia especial entre nós, pois assinala-se 50 anos do primeiro 1.º de Maio em liberdade”, referiu, apontando que todas as “conquistas são de Abril consagradas com a luta de Maio”.

O líder sindical saudou todos aqueles que se “esforçaram” para permitir que nesta quarta-feira pudesse estar “aqui em liberdade”, deixando também uma palavra de paz a todos aqueles que são vítimas da guerra.

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Luís Leitão sublinhou que os problemas com que os trabalhadores se deparam são “imensos” e que o lema da CGTP não podia ser mais actual. “Aumentar salários e pensões, garantir direitos e combater a exploração”, referiu. Quanto ao futuro, realça que este “não se advinha fácil” para os trabalhadores, para os jovens e para os reformados.

A voz dos trabalhadores

Nesta manifestação foram várias as faixas etárias a marcar presença, dos mais pequenos aos mais velhos. A jovem Rita Druiett realçou, em declarações a O SETUBALENSE, que a importância deste dia é “enorme”, nomeadamente num momento em que se “vive um retrocesso enorme” nos direitos dos trabalhadores. “Cada vez mais os mais jovens não têm acesso ao trabalho, não conseguem alugar uma casa”, atirou, realçando que “este dia não é de festa, mas sim de luta que deve continuar para sempre”.

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Presente nesta manifestação esteve também o jovem historiador setubalense Diogo Ferreira, que explicou que este dia, durante o fascismo, “praticamente não tinha legitimidade para ser celebrado”. O historiador recordou que em Setúbal, nas vésperas do 1.º de Maio, o músico José Afonso foi preso pela polícia política, por se saber que ia haver uma preparação de uma manifestação pública de celebração do 1.º de Maio.

Num prisma mais actual e enquanto “cidadão e trabalhador”, Diogo Ferreira afirmou que se vive um período de “transição complexa”. “Vêm tempos difíceis para o trabalho, os postos de trabalho vão ser reduzidos em diversos sectores e é preciso exercer os direitos para manter certos postos de trabalho. A precariedade laborar é algo que existe muito para os nossos jovens e os sindicatos devem ser um veículo de luta colectiva pelos direitos individuais”, realçou.

O jovem historiador confessou estar na manifestação com a sua filha também a “lutar por ela, por o futuro dela”, porque um dia “será também uma trabalhadora”, explicando que tem que lutar por um “futuro melhor para ela”.

De cravo na mão e com “Grândola Vila Morena” a tocar de fundo, Flora Cabrela, de 76 anos, mostrava-se emocionada enquanto descrevia, a O SETUBALENSE, este dia de uma “importância tremenda”. “É a importância da liberdade e um dia que muito de bom trouxe para os trabalhadores e para o povo. Durante muitos anos não me pude expressar de forma livre, mas hoje tenho a liberdade de dizer aquilo que quero. É um sentimento que não consigo explicar”, frisou.

Bispo de Setúbal presente na luta pelo povo sadino

Presente nesta manifestação esteve Américo Aguiar, que, em declarações a O SETUBALENSE, explicou que a igreja “não pode deixar de estar junto com todos aqueles que se esforçam no dia a dia da sua vida”.

Para o bispo sadino, o trabalho “não é só para ganhar dinheiro”, também significa a “concretização da vocação”, realçando que “bom seria que todos tivessem o trabalho que gostam e que tivessem a retribuição que corresponde aos seus sonhos e projectos”, deixando a garantia que “tudo o que for possível fazer para melhorar as condições depende de todos e cada um de nós”.

No entender do líder da Diocese de Setúbal, existem pessoas que “têm de corrigir as situações reais para que a vida das pessoas possa verdadeiramente ser feliz”. O Cardeal garantiu estar com a população e com o povo sadino “sempre”, sublinhando que estar nesta manifestação “não é estar contra ninguém”, mas sim “a favor de todos os que querem providenciar as melhores decisões para a vida feliz dos concidadãos”, referiu.

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