23 Maio 2024, Quinta-feira

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Mata casal sem abrigo em incêndio no Seixal e confessa crime a grupo

Mata casal sem abrigo em incêndio no Seixal e confessa crime a grupo

Mata casal sem abrigo em incêndio no Seixal e confessa crime a grupo

Suspeito ‘tramado’ por grupo de amigas a quem confessou o crime em parque público

 

Paulo Aguiar, brasileiro de 32 anos, começou ontem a responder no Tribunal de Almada pelo duplo homicídio de um casal sem abrigo, Gertrudes da Costa, 48 anos e António Alves, de 53 anos, no Seixal em Maio do ano passado, ao pegar fogo à casa devoluta onde dormiam e impedir a sua saída, bloqueando a porta com madeira e fazendo força para que não a abrissem.

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No julgamento, o arguido negou tudo, disse que foi tudo uma confusão e que ficou em pânico quando foi detido em Espanha, mas uma testemunha garantiu que ele a abordou nessa noite num parque quando estava com amigas e que confessou o crime. Até lhes pediu para o seguir nas redes sociais, identificando-se assim.

“Ele estava alucinado, abordou-me e a umas amigas num parque e contou tudo o que fez. Disse que tinha matado duas pessoas que não faziam falta, contou tudo, que pegou fogo a uma casa abandonada e que impediu que as pessoas que lá estavam fugissem, mas não dei muita importância porque ele estava bêbedo e alucinado. Ainda apontou para onde tinha feito aquilo, mas não vi fumo nenhum e depois foi embora. Só mais tarde vi o fogo e percebi que era real”.

O testemunho foi de Tatiana Couto, essencial para a investigação da PJ vir a deter o suspeito de duplo homicídio em Espanha, para onde fugiu.
O crime ocorreu na madrugada de 13 de Maio do ano passado. De acordo com a acusação do MP, Paulo Aguiar procurava um sítio para dormir e entrou no antigo externato na Cruz de Pau por um buraco na porta das traseiras. No chão viu vários artigos espalhados, como brinquedos e roupa. Pensando que se tratava de bens roubados, pegou fogo com chama directa em três pontos e depois fugiu. À saída, apercebeu-se da presença de duas pessoas que tentavam escapar das chamas, mas bloqueou a saída com uma porta de madeira. “O arguido empurrou a porta de madeira impedindo a fuga das vítimas, mesmo sabendo do esforço que estas envergavam para sair”, descreve a acusação.

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Em tribunal, Paulo Aguiar negou tudo. “Fiquei em pânico quando soube porque fui preso, por este crime que não cometi e que não tenho nada a ver, houve uma grande confusão por quem me identificou”. O arguido, pintor, explicou que chegou a Lisboa dias antes para trabalhar com um novo patrão. “Estava na casa do meu patrão, na Charneca da Caparica, nessa noite, fiz chamadas para familiares e fiquei até uns dias depois para ir para o Porto, onde arranjei outro trabalho. Não sei porque estou a responder por isto”. O arguido disse que viveu perto do local do crime em 2016, mas não conhecia o externato onde o casal morreu carbonizado.

Paulo Aguiar foi confrontado com vários perfis de Facebook que o identificam e confirmou serem todos seus, embora não utilizasse a maioria. No testemunho de Tatiana Couto, esta referiu ter sido um desses que encontrou na manhã após o crime e que serviu para o identificar junto das autoridades.

“Eu estava com duas amigas quando ele nos abordou no parque das piscinas da Amora, pediu um isqueiro e depois um cigarro. Estava alucinado, mostrou como provocar um incêndio com um saco de plástico e disse que tinha pegado fogo a uma casa abandonada ali perto, onde encontrou roupas, brinquedos que dizia serem de violadores”. Tatiana contou que o arguido confessou ter matado duas pessoas, impedindo que estas saíssem da casa em chamas e que não faziam falta.

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“Não demos importância, ele disse que se chamada Paulo Aguiar, pediu para o seguirmos nas redes sociais e depois foi embora, disse que ia para a casa da prima na Charneca da Caparica e pouco depois soubemos do incêndio”. A jovem de 19 anos encontrou o perfil do arguido na manhã seguinte e mostrou ao pai “que conhece muitos polícias”, disse. As autoridades viriam a identificar o arguido e detê-lo. Está em prisão preventiva e responde por duplo homicídio qualificado e incêndio.

Parvalorem pede 30 mil euros

A instituição de crédito Parvalorem constituiu-se assistente e exige ao arguido 30 mil euros pelos danos provocados pelo incêndio. O externato é propriedade desta instituição de recuperação de créditos bancários.

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