Alisson foi baleado quando tentou retirar a arma a Florival e no momento em que a apontou a Mayla, grávida de três meses
Mayla Pertel, viúva de Alisson Gonçalves, morto a tiro por um homem que lhes invadiu a casa em Grândola no verão de 2023 à procura de um rival que afinal não morava lá diz-se aliviada e com “a sensação de dever cumprido” pela decisão do Tribunal da Relação de Évora em manter as penas de 21 anos de prisão a Florival Monteiro e de oito anos para a companheira deste, Bruna Cardoso, que ainda agrediu Mayla.
Alisson foi baleado quando tentou retirar a arma a Florival e no momento em que a apontou a Mayla, grávida de três meses. “Já chorei muito de felicidade”, diz considerando que a decisão do Tribunal da Relação, conhecida na passada quinta-feira, encerra definitivamente o processo. Os arguidos foram condenados por homicídio qualificado e Bruna ainda por ofensas à integridade física.
O crime deu-se na madrugada de 25 de junho de 2023 no Bairro do Isaías, em Grândola. Num outro local de Grândola, durante uma festa popular, Florival, de 29 anos, e Bruna, 22, tiveram uma discussão com um casal no parque de estacionamento. Decidido em procurar vingança contra o casal, Florival dirigiu-se a uma casa em Grândola, sem ter a certeza que era a do alvo, e arrombou a porta. À saída permaneceu Bruna.
Alisson, ex-militar brasileiro então com 35 anos, encarou o invasor, que estava de arma em punho e perguntava por uma pessoa que a vítima não sabia quem era. No momento em que Mayla apareceu na sala de estar, Florival apontou-lhe a arma e foi aí que Alisson interveio, tentando proteger a mulher grávida e placando Florival. No chão, Florival disparou três vezes a arma, atingindo Alisson no torax e zona dorsal.
Mayla tentou fugir e foi surpreendida por Bruna à porta de casa, que a agrediu três vezes com uma barra de ferro e só parou quando a vítima lhe disse que estava grávida. Nesse momento, Bruna disse ao marido que não era aquele casal que procuravam e fugiram. Alisson foi assistido pelos bombeiros, mas viria a falecer no local.
O casal fugiu após o crime e viria a entregar-se um ano depois. Tentaram ainda acordar no pagamento de uma indemnização à filha de Alisson, de 350 euros mensais, que não foi aceite. Foram condenados ao pagamento de 150 mil euros.
Os arguidos tentaram reduções de pena através de recurso ao Tribunal da Relação de Évora, mas sem sucesso. “Entendemos ter o tribunal ponderado devidamente os elementos a que atendeu na determinação da medida da pena, designadamente quanto ao grau de ilicitude dos factos, o contexto em que ocorreram e a sua gravidade, à intensidade do dolo com que atuou, ao grau da sua culpa merecem-nos inteira concordância”, consideraram os juízes desembargadores.
Nascido em Fortaleza, no Ceará, Alisson foi militar paraquedista no Exército Brasileiro. Veio para Portugal em 2018 e trabalhava nos Recursos Humanos de um hotel na Comporta há cinco anos. Mayla, professora no Brasil, veio com Alisson e explorava um salão de cabeleireiro em Grândola. Atualmente, Mayla e a filha, nascida em novembro de 2023, estão a viver em Portugal e não têm intenção de sair. De acordo com Mayla, era o sonho de Alisson criar um filho em Portugal.