27 Junho 2024, Quinta-feira

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“Aproveitar o desconfinamento para mostrar que Portugal está aberto aos negócios e capaz de retomar as exportações”

“Aproveitar o desconfinamento para mostrar que Portugal está aberto aos negócios e capaz de retomar as exportações”

“Aproveitar o desconfinamento para mostrar que Portugal está aberto aos negócios e capaz de retomar as exportações”

Eurico Brilhante Dias

Secretário de Estado da Internacionalização destaca que vai arrancar em breve uma campanha nos principais países parceiros. Atento a Setúbal, defende uma reflexão sobre o acesso aos fundos europeus no próximo QCA

 

Conhecedor da realidade de Setúbal, onde já trabalhou em empresas, como o Porto de Setúbal, Eurico Brilhante Dias reconhece que a discriminação da península no acesso aos fundos comunitários é uma “questão antiga”. Aconselha uma reflecção sobre o tema, a pensar no próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), com empenho por parte dos agentes da região.

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Em entrevista a O SETUBALENSE, o secretário de Estado admite uma quebra nas exportações, este ano, de cerca de 14%, mas acredita que em 2021 haverá um “forte crescimento”.

Enquanto secretário de Estado da Internacionalização como pretende ajudar as empresas exportadoras a vencer a pandemia?

Aquilo que, neste momento, procuramos é estar ao lado das empresas e estar ao lado das empresas é estar ao lado dos trabalhadores e dos seus postos de trabalho. Estas empresas são fundamentalmente exportadores, são empresas que estão em Setúbal mas não apenas a pensar no mercado português mas a pensar fornecer os mercados externos. Este é um momento duro, mas é um momento também para mostrar que a nossa capacidade instalada, que a realidade portuguesa, que construiu um recorde de exportações em 2019, permanece activa. Esta é a grande mensagem.

Que mensagem quer o Governo passar?

A mensagem do governo português, é que Portugal está aberto para os negócios e tem a sua capacidade instalada pronta para responder às encomendas. Quando o conjunto dos países europeus – aqui falo fundamentalmente do mercado interno da União Europeia – começa a fazer a reabertura, o chamado desconfinamento, é a altura ideal para dizermos aos operadores económicos que Portugal passou esta primeira vaga de forma muito satisfatória. Há sempre que lamentar as vítimas, e nós também temos vítimas, mas temos de mostrar que Portugal está aberto e que podem confiar nestas empresas para colocar as suas encomendas que elas serão satisfeitas.

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Já anunciou uma campanha internacional, de promoção dos produtos portugueses, para breve. Como vai ser?

Vamos lançar uma campanha, ‘Portugal Open for Business’, a partir da semana 18 de Maio, que terá conteúdos produzidos em empresas portuguesas e empresas de capital estrageiro que estão instaladas em Portugal, que permanecem abertas. Vamos poder comunicar com filmes, com imagens e com mensagens, nas redes sociais, nalguns jornais de referência da Europa, especialmente nos nossos principais parceiros económicos, Espanha, França, Alemanha, mas também naturalmente a Itália, o Reino Unido e, provavelmente, também nos Estados Unidos e Canadá. Vamos focar muito nestes mercados OCDE e procurar aproveitar uma coisa que os portugueses conquistaram colectivamente, que foi a ideia que este é um país organizado, que define e cumpre regras, e foi por isso que ultrapassou de forma tão eficaz esta primeira vaga da Covid-19. Ficámos com uma boa imagem externa, reforçamos a boa imagem externa que tínhamos, temos de aproveitar agora o momento de desconfinamento para sinalizar que a confiança que [estes países] tinham, podem mantê-la. Provámos que somos um país organizado, capaz e com boas empresas, boas instituições, bons trabalhadores

Tem ideia do montante de investimento nessa campanha?

Esses pormenores são apresentados pela Aicep [Portugal Global, agência de promoção externa de Portugal], a quem compete desenvolver a campanha. A Aicep teve uma orientação clara do Governo, e em particular da sua tutela que é minha, da Secretária de Estado da Internacionalização, para preparar de imediato a comunicação aos nossos clientes que Portugal está aberto para os negócios.

A região de Setúbal tem algumas das maiores exportadoras nacionais – nomeadamente a Galp, AutoEuropa, The Navigator Company e Repsol Polímeros – receia um grande trambolhão das exportações por causa da Covid?

O comércio internacional vai decrescer em 2020 para lá dos dois dígitos. As projecções da Comissão Europeia indicam que as exportações portuguesas de bens e serviços – que têm uma componente importante de serviços, de um terço aproximadamente – podem cair 14,1%. Há projecções mais optimistas e menos optimistas, mas vamos aceitar [a projecção da CE] como referencial. Mas a Comissão Europeia também projecta, para 2021, um fortíssimo crescimento de mais de 13% das exportações e é para esse trabalho que nós estamos cá. Sabemos que este será um ano muito difícil, porque os mercados fecharam, mas temos de mostrar a nossa capacidade de fazer, para aproveitar a onda do desconfinamento e da retoma. É esse o trabalho do secretário de Estado Internacionalização tem de fazer, e é isso que estamos a fazer.

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Há mais alguma coisa que as empresas tenham pedido e que o Governo possa vir a adoptar para ajudar estas empresas exportadoras?

Claro. Primeiro na liquidez. As linhas que foram lancadas são fundamentais porque vão permitir, quando as encomendas chegarem, haver capital para comprar matérias-primas e ter outra vez os trabalhadores a trabalhar, aqueles que estão em lay-off, para retomar o processo produtivo. Essas linhas são fundamentais para responder à encomenda internacional. A segunda são os custos de crédito. Estamos a avançar. Já aprovamos o plafond de três mil milhões de euros, passando de dois para três mil milhões de euros o plafond das garantias de Estado para efeitos de seguros de crédito e em particular seguros de crédito à exportação.

E para incentivar o investimento?

Lançámos rapidamente uma campanha de comunicação focada no investimento direto estrangeiro e nas oportunidades que vão aparecer para captar investimento directo estrangeiro. Penso que não há só dificuldades, há também oportunidades nesta crise e acho que Portugal é um parceiro confiável, de confiança e penso que muitas empresas europeias, particularmente francesas, alemãs e espanholas, que se foram abastecendo fora da União Europeia, poderão olhar para Portugal como um bom mercado de abastecimento. E na área do digital estamos a fazer um grande esforço para preparar as empresas portuguesas, principalmente as pequenas e medias empresas dos sectores do vestuário, calçado e têxteis, para uma realidade que emergiu, o comércio electrónico. que tem vindo a substituir muitos dos canais tradicionais. É neste momento que temos de acelerar esse processo.

O que lhe têm dito as empresas e as organizações empresariais?

As empresas do sector exportador a primeira coisa que querem é a procura, que os mercados reabram, e nisso o Governo português tem trabalhado. Perdoe-me, mas sei que estou a falar em causa própria muito bem. O nosso primeiro objectivo é fazer regressar a procura, porque as empresas não querem subsídios, querem mais procura. Se tivemos regularização da procura não precisarão de tanto apoio.

Tem dados sobre o lay-off nessas empresas?

Algumas empresas já terminaram com lay-off. Tenho alguns casos de empresas que foram progressivamente terminando, uns que passaram para lay-off parcial e outras que, especialmente o sector dos têxteis, muitas delas conseguiram converter rapidamente para produzir máscaras. Outras mantêm o lay-off parcial e com isso procuraram proteger emprego, para retomarem. É evidentemente que seria pouco inteligente e pouco sério dizer que 2020 não vai se um ano muito difícil. Vai ser um ano muito difícil, mas é em 2020 que preparamos um bom 2021 e é isso que estamos a fazer.

A Península de Setúbal é discriminada no acesso aos fundos comunitários, por estar integrada na Área Metropolitana de Lisboa. A própria Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET) que representa muitas exportadoras, queixa-se dessa injustiça. Especialmente agora, com a Covid, não acha importante que a região de Setúbal pudesse estar ao nível das outras no acesso a fundos?

A Península de Setúbal está integrada na região de Lisboa e isso é uma questão muito antiga. Aliás, desde os tempos em que eu colaborei muito com empresas, até com o Porto de Setúbal, e conheço bem essa realidade, mas neste momento, até mais do que do Portugal 2020, as empresas precisam de apoio público na tesouraria e para o lay-off. Neste caso as empresas de Setúbal não são diferentes das outras empresas do resto do país e continuam a ter o nosso apoio. Mas penso que, na reflexão que todos temos de fazer para o próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), as empresas de Setúbal, as forças civis, as associações empresariais e as câmaras municipais têm um papel importante. Temos de fazer essa reflexão e perceber como vamos olhar o próximo QCA e como Setúbal deve posicionar-se. Penso que a gente da terra será melhor porta-voz de Setúbal do que eu próprio.

Mas reconhece que, no distrito de Setúbal, o nível de desenvolvimento, o rendimento per capita, por exemplo, é inferior ao da região de Lisboa?

Isso é uma grande realidade e também é verdade que tem um conjunto enorme de grandes exportadoras, como fez referência. Isso deve ser contemplado, pensado no âmbito do próximo QCA. Este está a terminar, é uma discussão que, neste momento, não faz sentido, para este quadro comunitário.

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