12 Junho 2024, Quarta-feira

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“Schweik na Segunda Guerra Mundial” estreia sexta-feira em Almada

“Schweik na Segunda Guerra Mundial” estreia sexta-feira em Almada

“Schweik na Segunda Guerra Mundial” estreia sexta-feira em Almada

Peça vai estar em cena até 19 de Novembro, com sessões de quinta-feira a sábado, às 21h00, e, às quartas e ao domingo, às 16h00

 

Um texto sobre gente normal, de rua, que tudo faz para sobreviver às condições que lhe são adversas é como o encenador Nuno Carinhas define “Schweik na Segunda Guerra Mundial”, de Brecht, que estreia sexta-feira, em Almada.

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Um ano depois de ter encenado “O misantropo”, de Molière, a convite da Companhia de Teatro de Almada (CTA), o antigo director do Teatro Nacional de S. João regressa ao Teatro Municipal Joaquim Benite para pôr em cena um texto de Brecht que “não fala de heróis”.

O levantar da peça estava decido há ano e meio e já fora uma escolha propositada após o estalar da Guerra da Ucrânia que “acabou por envolver todos”.

“Tudo se agravou agora e estamos com o mundo bastante envolvido num conflito que tem tudo para alastrar”, sublinhou Nuno Carimbas à agência Lusa, numa alusão ao conflito que entre Israel e a Palestina.

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A peça ganha ainda mais actualidade face ao crescimento da extrema-direita na Europa, admite o encenador considerando que “a tendência para a simplificação desses fenómenos” resulta de uma “ausência de memória”.

“Tudo é revertível (…). Se tivéssemos essa memória presente provavelmente não simplificávamos da maneira que simplificamos ou certos grupos não simplificavam da maneira como simplificam”, frisou.

À semelhança de “Os tambores na noite”, a primeira encenação de Nuno Carinhas enquanto director artístico do TNSJ, e “Baal”, esta encenação para o Teatro de Almada é, tal como “O senhor Puntila e seu criado Matti”, peças de Brecht de que Nuno Carinhas “gosta muito”.

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Porque são “imperfeitas”. “Como se fossem colagens dramatúrgicas. E isso agrada-me, porque dá-me a sensação de que para além das alegorias que podem conter adaptam-se muito bem aos tempos modernos, tempos contemporâneos”, observou.

Além de que apesar da musicalidade e da boa disposição, não é uma comédia, mas uma peça que faz pensar as coisas e não ser iludido por elas, pelo que “vale bem a pena”, frisou.

Sobre a peça protagonizado por Schweik, o soldado brechtiano inspirada no protagonista de “O bom soldado Schweik” do romancista checo Jaroslav Hasek, e que se tornou um símbolo do absurdo da guerra, Nuno Carinhas sublinha tratar-se de uma peça sobre “gente comum”.

“Sobre o homem da rua” e a maneira “como as pessoas tentam sobreviver numa situação que lhes é completamente adversa”, enfatizou.

Com música de Hanns Eisler, o texto também não fala de militância, mas de esperteza e de instinto de sobrevivência assentes numa “forma muito inteligente de argumentação” de Schweik.

Comerciante de cães de raça, Schweik nunca deixa cair a argumentação, marcando a sua conduta por uma dialéctica constante, num texto onde as dicotomias estão sempre presentes.

Schweik é de tal forma ágil e dinâmico a manobrar as dicotomias que chega ao ponto de um oficial das SS lhe confessar que não sabe por que motivo continua a ouvi-lo, enquanto admite estar “completamente fascinado” pelo seus argumentos.

“A crítica dentro da própria peça”, explicou o encenador, que também assina a cenografia e figurino.

Numa peça marcada pela simplicidade em cena, o encenador optou pelo despojamento, com os músicos a ocuparem parte do palco. Uma divisão marca a peça, com os factos históricos a serem projectados em pequenos vídeos a a preto e branco enquanto as cenas de rua se passam a cores.

Escrita por Brecht em 1943, quando o autor alemão estava exilado nos Estados Unidos, Schweik começa com um diálogo entre actores que personificam Hitler e Goebbels, projetado em vídeo, no qual o ditador alemão interroga o chefe das SS tentando saer o que pensam de si os “outros povos do mundo”.

A peça tem tradução de António Sousa Ribeiro, a peça tem luz de Guilherme Frazão, vídeo de cena de Cristina Antunes e voz e elocução de Luís Madureira.

A interpretar estão André Pardal, Carolina Dominguez, Cláudio da Silva, David Pereira Bastos, Diogo Bach, Duarte Grilo, Isac Graça, Ivo Alexandre, Luís Madureira, Maria Frade, Teresa Gafeira.

Inês Vaz e Pedro Santos (acordeão), Hugo Pedrosa e João Gomes (trombone), Rodrigo Azevedo e Tomás Moital (percussão), Miguel Costa e Henrique Borges (clarinete) e ao piano Francisco Sassetti e Jeff Cohen, que assume a direcção musical, completam o elenco.

A peça vai estar em cena até 19 de Novembro, com sessões de quinta-feira a sábado, às 21h00, e, às quartas e ao domingo, às 16h00.

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