Em dias de chuva, a atividade letiva é frequentemente condicionada, registando-se infiltrações nas salas, corredores e ginásio
Pais, professores e alunos da Escola Básica e Secundária António Gedeão, em Almada, exigiram hoje medidas urgentes para a resolução de problemas estruturais no estabelecimento de ensino, que dizem colocar em risco a saúde dos estudantes e dos docentes.
Em dias de chuva, asseguram, a atividade letiva é frequentemente condicionada, registando-se infiltrações nas salas, corredores e ginásio, uma situação que garantem arrastar-se há anos, mas que tem vindo a piorar.
Com a palavra de ordem “Quem aprende merece respeito. Quem ensina merece condições”, a comunidade educativa concentrou-se hoje à porta da escola para alertar para a degradação das condições físicas daquele espaço e pedir à Câmara Municipal de Almada que avance com urgência para obras de requalificação do equipamento que alberga cerca de mil alunos do 5.º ao 12.º ano.
A Escola Básica e Secundária António Gedeão, situada na freguesia do Laranjeiro/Feijó, foi identificada pelo Governo e pelo município como uma das escolas a necessitar de intervenção prioritária.
Rodrigo Araújo, da Associação de Estudantes da Escola Secundária António Gedeão, disse à agência Lusa que as más condições do estabelecimento já provocaram quedas de alunos e de professores, algumas com gravidade.
“Não temos condições em nenhuma parte da nossa escola”, disse o aluno, explicando que os tetos estão cheios de bolor, cheios de fissuras e com infiltrações de água, apelando a que as autoridades ajam rapidamente para que possam ter aulas com o mínimo de condições.
Em outubro, um dos pavilhões da escola teve de ser encerrado por questões de segurança, obrigando à transferência temporária de 12 turmas para uma outra escola do concelho.
A autarquia, entretanto, colocou monoblocos para garantir a continuidade das aulas, mas segundo alunos, pais e professores esta solução tem tantos ou mais problemas do que as anteriores instalações, que eram também provisórias.
Pedro Marcelo, presidente da Associação de Pais, explicou à Lusa que têm sido feitos vários alertas à autarquia de Almada referentes aos problemas vividos na escola, levando já alunos e professores a pedir transferência para outras unidades.
Nalguns casos, explicou, os alunos optam por mudar de área mesmo não sendo a que gostariam de frequentar, para conseguirem colocação noutras escolas do concelho.
O diretor do agrupamento António Gedeão, que tem nesta escola a sua sede, explicou também à Lusa que a situação está no limite.
“São 43 anos de espera de uma requalificação que nunca mais acontece”, disse José Godinho, explicando que, apesar de a escola ser a primeira prioridade para a requalificação, o processo está parado.
José Godinho adiantou que “de dia para dia” a escola perde qualidades para o ensino.
“As reparações que vamos fazendo são infrutíferas. É uma luta ingrata e já estamos cansados”, disse o docente e diretor do agrupamento, adiantando que já equaciona a possibilidade de mandar turmas para casa porque estão a ser obrigados a fechar salas.
O responsável disse ainda que a iniciativa de hoje partiu dos alunos, mas que toda a comunidade educativa se uniu porque “já não aguentam mais”.
“Os miúdos não se sentem motivados. Aprender com a água a cair em cima das mesas, não poder abrir o manual porque pode ficar molhado, são condições que só visto”, disse, considerando que existe uma inércia do poder político para resolver o problema, principalmente depois da transferência de competências para as autarquias.