“Em Alcácer do Sal, temos uma situação muitíssimo crítica a todos os níveis”, disse a vice-presidente da CCDR do Alentejo, Ana Paula Amendoeira
O património cultural edificado de Alcácer do Sal ficou com graves danos, devido ao mau tempo, revelou a CCDR do Alentejo, que tem registo de estragos em imóveis históricos em pelo menos mais seis concelhos da região.
“Em Alcácer do Sal, temos uma situação muitíssimo crítica a todos os níveis”, afirmou esta quinta-feira à agência Lusa Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo para a cultura.
Assinalando que o organismo ainda tem em curso “um levantamento sistemático do património” afetado pelas inundações e derrocadas provocadas pelas intempéries naquele concelho do distrito de Setúbal, a responsável considerou que o cenário é desolador.
“Tivemos a afetação muito grave de reservas arqueológicas, museu, igrejas e outro património classificado”, salientou, reiterando que “só na área do património a situação é de grande complexidade”.
Ana Paula Amendoeira lembrou que a situação mais urgente foi a estabilização da encosta do Castelo de Alcácer do Sal, porque existia risco de desmoronamento, indicando que a zona, depois de intervencionada pelo Exército, está agora a ser monitorizada.
Algumas zonas urbanas da cidade estiveram inundadas durante vários dias, no final de janeiro e início deste mês, devido à subida do caudal do Rio Sado.
Ana Paula Amendoeira indicou que, na região do Alentejo, a primeira ocorrência que chegou ao conhecimento da CCDR foi a derrocada de um troço do baluarte seiscentista da fortificação de Estremoz, distrito de Évora, no dia 28 de janeiro.
Segundo a mesma responsável, neste concelho, foi igualmente registada uma nova derrocada, desta feita no Castelo de Veiros, num troço situado junto àquele que já tinha ruído em dezembro de 2022, também devido ao mau tempo.
Ainda em Estremoz, a Ermida de Nossa Senhora dos Mártires ficou sem algumas telhas na cobertura e a Igreja da Misericórdia tem infiltrações e entrada de água no seu interior, com a existência de danos nos azulejos, referiu.
Este período de tempestades também originou a derrocada de um troço da fortificação do Castelo de Elvas, distrito de Portalegre, e, já esta semana, o desabamento parcial do paramento da muralha do Castelo de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora.
De acordo com Ana Paula Amendoeira, também desmoronou uma parte do paramento interior da nora do Núcleo Intramuros de Serpa (distrito de Beja) e, em Marvão, distrito de Portalegre, o Convento de Nossa Senhora da Estrela perdeu telhas nas coberturas e ficou com infiltrações de água.
Na povoação de Vila Ruiva, no concelho de Cuba, distrito de Beja, a Ermida da Senhora das Represas e as igrejas Matriz e da Misericórdia também ficaram com danos nas coberturas e infiltrações, provocando danos no património integrado.
Estes estragos foram comunicados à CCDR do Alentejo pelos municípios ou entidades proprietárias, disse, vincando que o levantamento ainda não está fechado, pois, “todos os dias chegam novas ocorrências”.
“Nos próximos dias ou semanas, mesmo que o tempo estabilize, pode haver outras ocorrências” resultantes do mau tempo e “um agudizar das condições de conservação de alguns sítios que são mais frágeis”, advertiu Ana Paula Amendoeira.
Assumindo que muitos dos edifícios agora afetados já tinham algumas fragilidades, devido à falta de manutenção, a vice-presidente da CCDR do Alentejo admitiu que, para a sua reparação, serão necessários “alguns milhões de euros”.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, assim como estragos materiais.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.