Campanha vai decorrer até 30 de abril e os donativos vão ajudar as habitações e negócios lesados pelas cheias
A iniciativa ‘Reerguer Alcácer’, campanha de angariação de fundos em prol dos lesados pelas intempéries que afetaram o concelho, já conta com mais de 169 mil euros angariados. A informação foi dada na última reunião do executivo alcacerense, que decorreu na passada quinta-feira.
Pedro Paredes, presidente da direção do Atlético Clube Alcacerense e impulsionador da iniciativa, fez saber que o objetivo da criação foi a “angariação de fundos a entregar aos lesados, de forma criteriosa, justa, o mais possível, e baseada em regras que fossem pouco atacáveis”, e revelou que, à data, estavam contabilizados cerca de 169 mil euros
Acrescentou que “todas as pessoas envolvidas estão a fazê-lo pro bono, de forma idónea” e que “a estrutura tem um regulamento”, que pode ser consultado online, sendo que “os critérios de distribuição dos fundos ainda estão em definição”, explicou.
O dirigente do clube disse, ainda, que a campanha iniciou “com um bom ritmo, que foi diminuindo à medida que as notícias sobre Alcácer foram desaparecendo”.
Ao explicar que existia uma outra iniciativa – na plataforma GoFundMe – criada por um grupo de comerciantes disse que a pessoa responsável pela gestão da mesma manifestou a intenção de transferir o montante angariado para a conta da estrutura de missão, percebendo que “a forma mais justa de distribuir esses fundos, essencialmente destinados aos comerciantes, era ser acompanhada pelas mesmas regras” da conta.
“A estrutura de missão é composta por pessoas especializadas em várias áreas e, neste momento, já temos um levantamento completo dos lesados que se foram inscrever do centro de negócios do município. O montante reclamado é um valor muito significativo e o angariado é muito inferior”, completou Pedro Paredes. “Esta campanha não foi criada para ser a primeira linha de apoio, mas para completar” e tratando-se de uma angariação de fundos, “demora”.
A par do dirigente do clube, também Nuno Baião, membro da estrutura, sublinhou que o dinheiro “tem uma proveniência particular, não se trata de uma dotação orçamental do Estado, nem do município. Como se depende dos donativos, até termos um montante razoavelmente fixo, temos de esperar”, anuindo, porém que “não somos um apoio de primeira linha, mas não queremos ser um apoio de última linha”.
A campanha deverá terminar a 30 de abril. Após essa data o valor será apurado e entregue aos lesados em habitações e negócios. A distribuição vai ter em conta, numa primeira fase, os mais e os menos lesados e, numa segunda fase, será repartido igualmente.
Para além do dinheiro transferido por particulares, a conta acumula também as receitas de espetáculos e outras iniciativas que têm vindo a ser promovidas com esse cariz solidário.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, pronunciou-se relativamente aos apoios, dizendo que “a CCDR Alentejo retirou, dos próprios fundos, mais de 300 mil euros para proceder ao pagamento de 18 candidaturas ao nível das habitações”.
“Continuamos a reivindicar, por parte do Governo, os apoios necessários, não só para as habitações, mas também para as empresas e para o comércio que, neste momento, para além dos apoios da Segurança Social e IEFP, não têm, de facto, apoios por parte do Governo, senão o recurso à linha de tesouraria”.
Relativamente ao setor da agricultura frisou que o ministro da tutela anunciou, em visita à cidade, “uma verba que permitisse o relançamento da campanha”. “Acreditamos que chegarão estes apoios às pessoas, até porque, para além dos donativos, queremos que os alcacerenses que foram lesados recebam aquilo a que têm direito, porque são contribuintes como quaisquer outros e é isso que nós reivindicamos todos os dias”.