23 Maio 2024, Quinta-feira

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A Garota Não distinguida com o Prémio José Afonso 2023 pelo álbum “2 de Abril”

A Garota Não distinguida com o Prémio José Afonso 2023 pelo álbum “2 de Abril”

A Garota Não distinguida com o Prémio José Afonso 2023 pelo álbum “2 de Abril”

Disco já tinha sido distinguido, em Fevereiro deste ano, com o Prémio José da Ponte

 

A cantautora A garota não (Cátia Mazari Oliveira) venceu o prémio José Afonso 2023, com o álbum “2 de Abril”, anunciou esta sexta-feira o júri do galardão, atribuído anualmente desde 1988 pela Câmara Municipal da Amadora.

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O júri, que decidiu atribuir o prémio por unanimidade, considerou que “2 de Abril” “evidencia a maturidade artística da artista, maturidade que se evidencia na qualidade interventiva das letras, nos arranjos imaginativos e nas várias influências que expõem a riqueza e a diversidade do mundo sonoro e poético de A garota não, influências que vão desde a influência de José Afonso ao hip-hop mas que, não obstante, resultam numa grande coerência musical”, lê-se num comunicado divulgado hoje pela autarquia da Amadora.

“O cariz autobiográfico do álbum terá sido determinante para que o mesmo atingisse este grau de qualidade e uma emoção particular, um grito de revolta perante as agruras de uma vida difícil envolto na poesia nostálgica das memórias de infância da artista”, salientou o júri.

“2 de Abril” já tinha sido distinguido, em Fevereiro deste ano, com o Prémio José da Ponte, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores.

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Editado em Abril de 2022, o álbum mais recente de A garota não é uma homenagem ao bairro 2 de Abril, em Setúbal, onde a artista viveu, cresceu e de onde saiu aos 26 anos, para “procurar outros caminhos e outras visões do mundo”.

“2 de Abril” começa por ser este olhar para o passado, mas sem que as letras, sem que os textos sejam alusivos a isso. No fundo, são aquilo que eu sou com base naquilo que fui vivendo”, contou a cantora e compositora, em entrevista à Lusa, aquando da edição do álbum.

Antes de se apresentar como A garota não, Cátia já escrevia as suas músicas, “só não as mostrava”. O seu percurso começou “por cantar jazz e bossa nova em adegas, bares e hotéis”.

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Nas 20 canções que compõem “2 de Abril”, canta sobre temas como ‘a tragédia’ do Mediterrâneo, a gentrificação, que também afecta Setúbal, cidade onde ainda vive, ou a faceta activista do artista chinês Ai Wei Wei, e faz uma homenagem ao músico José Mário Branco, convocando assim temas muitas vezes associados à chamada música de intervenção.

Mas, para A garota não, “a música de intervenção teve aquele período histórico [das décadas de 1960 e 70] e pertence àquele período histórico”.

Por isso, associa a música que faz mais “ao inconformismo”. “No sentido de não viver bem com o flagelo do Mediterrâneo ou com o que está a acontecer na Ucrânia. Inconformismo no sentido de nos deixarmos tocar pelo que é amargo e pelo que é doce na vida dos outros”, referiu.

Do ponto de vista musical, em “2 de Abril”, a cantora quis “marcar o que vivia naquele bairro”, lembrando o prédio onde vivia com a família como “um território multicultural”.

“No rés do chão vivia uma família cigana, no primeiro andar uma família angolana e nós. Por cima de nós viviam quatro irmãos, com os pais, que só ouviam música electrónica. Depois havia uma particularidade: nos bairros sociais ouvia-se música em alto nível, o volume estava sempre no máximo, quase para mostrar quem tinha o aparelho de som mais potente”, recordou.

Naquela época, “subir as escadas do prédio era como entrar nas várias camadas de inspiração musical: o flamenco, os ritmos endiabrados angolanos e a parte electrónica”. “E o meu pai era um lugar diferente de todos estes, porque ouvia Rui Veloso, Bob Dylan, Joan Baez, Zeca Afonso”, partilhou.

“Tentei trazer um bocadinho de todas estas linguagens para este disco, nos arranjos, na forma como produzimos, como vestimos as canções”, disse.

Embora seja um trabalho a solo, A garota não conta em “2 de Abril” com vários convidados, entre os quais a cantora Ana Deus, que lê um poema de Francisca Camelo, o ‘rapper’ Chullage e o baterista Fred Pinto Ferreira.

O júri do Prémio José Afonso 2023 foi constituído por Sérgio Azevedo (em representação da Câmara Municipal da Amadora), por Pedro Teixeira da Silva (em representação do Teatro Nacional de São Carlos) e pelo músico Eu.Clides, que venceu o Prémio José Afonso 2022 com o álbum “Declive”.

O prémio, no valor de cinco mil euros, “tem como objectivo homenagear o cantor e compositor português José Afonso, preservando e perpetuando a obra do autor”, sendo a atribuído a um álbum editado no ano ou nos anos anteriores ao da edição do prémio.

Além disso, “visa incentivar a criação musical de raiz portuguesa, galardoando temas que tenham como referência a Cultura, a Língua, a História e a Música Popular Portuguesa”.

O Prémio José Afonso 2023 será entregue a A garota não no dia 26 de Abril, no Cineteatro D. João V, onde nesse dia a artista irá actuar.

Os bilhetes para o concerto, com um custo de 15 euros, “estarão brevemente à venda”, de acordo com a Câmara da Amadora.

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