1 Fevereiro 2023, Quarta-feira
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João Freitas: “É preferível fazer algo activo, do que passar as tardes sentado ao computador”

Aluno de Mérito, divide o tempo das aulas e estudo com vários projectos. O que o agita é a reflexão, expressão e delinear soluções

 

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Estar envolvido em projectos, além da escola, é parte do ritmo dos dias de João Quintela Freitas. “É preferível fazer algo activo, do que passar as tardes sentado ao computador sem nada em concreto”, diz.

E, no último ano lectivo, envolveu-se e liderou um projecto, em Almada, promovido pelo Fórum dos Cidadãos e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, participou no Parlamento dos Jovens, promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, e num outro dedicado à música dos tempos da revolução de 25 de Abril de 1974.

Descanso, só mesmo agora em férias, mesmo assim, a cabeça não lhe pára. No que se vai meter no próximo ano lectivo, ainda não tem certezas, mas alguma coisa será. “Estou a organizar ideias. Gosto de pensar; interessa-me a reflexão e a expressão”, assume e ri-se.

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“Ele também gosta muito de estar com os amigos, mas está sempre com novas ideias e a fazer coisas”, conta a mãe Helena, e passa uma revelação: “Gosta de cozinhar, tem de aprender e vai tendo jeito”; risse e acrescenta: “Há uns dias [era início de Julho] convidou amigos para jantar lá em casa, e foi ele que tratou de tudo”. Até podia ter aproveitado o facto de a família ter um restaurante em Almada, mas “gosta de fazer as coisas por sua conta”, comenta a mãe.

Ainda com 15 anos, só faz aniversário em Outubro, já transitou para o 11.º ano e entra no ano lectivo 2022/2023 como aluno de Mérito na Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, em Almada, onde estuda Humanidades.

A escolha do curso conta que foi pelas disciplinas de História, Geografia, Psicologia e Sociologia que vai ter quando chegar ao 12.º ano. E aponta já ao ensino Superior: “Tenho andado com os olhos em Filosofia, Ciências Políticas e Ciências da Comunicação; são áreas que exploram matérias de que gosto, que mexem com a opinião pessoal e informação”.

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Em parte, foi este ‘desassossego’ que o levou a entrar no projecto DeliberaEscola, promovido pela associação Fórum dos Cidadãos e apoiado financeiramente pela Fundação Calouste Gulbenkian; um projecto que promove a participação cívica dos estudantes e, “detecta problemas no sistema escolar, ou nas escolas em si, e pretende ensinar os alunos sobre como agirem perante problemas”, define João Freitas.

Aqui, os alunos do secundário funcionam como “facilitadores” que “lideram encontros e reuniões com alunos do ensino básico que dão o seu ponto de vista, mais interno, sobre os problemas da escola”. Problemas estes que podem ser de âmbito dos “equipamentos da escola, outros relacionados com turmas, horários, ou mesmo questões humanitárias”, explica.

Este é um tipo de projectos que o fascina. “É muito importante que os jovens aprendam a ser activos, que participem, e que sejam ouvidos pelos adultos e também por quem decide”. Uma geração com mais experiência que “nos ajuda a guiar e concretizar as ideias. Saber como formular e pôr em prática soluções para os problemas”.

É esta convivência que João Quintela Freitas tira como máxima: “Quanto mais pessoas conhecer e conversar, mais aprendo”.

Este foi também o motivo que o levou a participar no Parlamento dos Jovens. “Para chegarmos a um projecto como este, tivemos de pesquisar, reflectir e tirar conclusões sobre temas que nos foram propostos, e não são fáceis. Depois debater nas escolas e em várias outras reuniões até serem apresentados na Assembleia da República”.

Todo um percurso que interpreta como de “aprendizagem e crescimento” dos jovens e agrado por verem o “reconhecimento dos deputados [da Nação]”. E, para as escolas cujos projectos são vencedores, “é também um reconhecimento do mérito dos seus alunos e professores”, afirma.

Mas ‘saca’ ainda um outro argumento: “Nós, jovens, reclamamos muito por os deputados à Assembleia da República não colocarem os olhos nas nossas opiniões, reclamamos por não nos deixarem envolver na política. Estes projectos são uma oportunidade para todos”. E passa pela redundância assumida: “A conclusão, é que as conclusões são enriquecedoras”.

Todo o envolvimento em projectos extra-lectivos que reforçam a obrigação do saber organizar e cumprir prazos entende como um valor acrescentado. “São muito importante para um adolescente”, afirma.

E cumprir prazos foi também o que aconteceu quando, no último ano lectivo, se encaixou num projecto para levar, a nível escolar, um ‘espectáculo’ sobre música do período do 25 de Abril de 1974. “Foram seleccionadas canções que foram apresentadas a 26 de Abril”. A cargo de João Freitas, que toca ukelele, desta vez ficou apenas a voz. “Tivemos de tirar do nosso tempo lectivo várias horas para ensaiar”.

A música poderia ser mais uma das ocupações de João, mas nem por isso. “A minha relação com a música não é muito activa. Aquilo na escola foi apenas mais uma experiência”.

Foi mais uma experiência, e mais uma responsabilidade como praticar voleibol e ter em mira que, na próxima época, consiga competir “a sério” numa equipa. Entretanto, pratica natação e, para trás terá ficado a dança urbana e ser escuteiro. O que lhe está mais presente é organizar ideias para se envolver em novos projectos. Como disse: “É preferível fazer algo activo, do que passar as tardes sentado ao computador sem nada em concreto”.

 

João Quintela Freitas à queima-roupa

Idade 15 anos

Naturalidade Almada

Residência Almada

Estudante de Humanidades

“É muito importante que os jovens aprendam a ser activos, que participem, e que sejam ouvidos pelos adultos e também por quem decide”

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