26 Junho 2022, Domingo
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InícioDossiêEspecial 165 AnosManuel da Fonseca, o santiaguense que sempre defendeu os alentejanos

Manuel da Fonseca, o santiaguense que sempre defendeu os alentejanos

O regionalismo marcou os escritos do autor de ‘Cerromaior’

Iniciado no universo literário por influência do pai, o escritor Manuel Lopes Fonseca é figura de referência em Santiago do Cacém. Nasceu na localidade em setembro de 1911. Foi contista, poeta, romancista e cronista, sendo que era de lápis ou caneta em punho que estava bem. O autor que no seu último tempo de vida, criticou os próprios críticos, tinha uma visão peculiar da literatura. Esta, sem futurismos associados, servia para refletir o presente, disse em entrevista publicada no jornal Expresso em 1993, após o seu falecimento. Para além disso, era um mundo carregado de hipocrisia, preferindo afastar-se desse ambiente já que não era dado a fingimentos fugindo-lhe a boca para a verdade.
Manuel da Fonseca mudou-se na sua juventude para a capital, mais concretamente para o bairro Estefânia, para fazer o ensino secundário. Frequentou diversas escolas. Ainda em Lisboa trabalhou no comércio, na indústria e no jornalismo.

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Toda a gente o sabia comunista, dado que foi membro do Partido Comunista Português (PCP). No mundo da política, convivia com figuras ligadas às artes e às ciências, como são exemplos Bento de Jesus Caraça e Lopes Graça. Filiou-se no PCP, nos anos 40, e nele permaneceu.

Fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e foi presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, na altura em que a mesma conferiu a José Luandino Vieira, o Grande Prémio da Novelística pela obra “Luanda”, levando ao encerramento da sociedade e à detenção de alguns dos seus membros. Estes, incluindo Manuel da Fonseca. foram levados para a prisão de Caxias.

Em 1983 foi candidato da CDU por Setúbal, nas eleições legislativas. Nesse mesmo ano, foi-lhe atribuído o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Assumia-se como uma pessoa dotada de preocupações com o povo e que gostava de com ele se misturar.

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Regionalismo é palavra de ordem nas suas obras. Estas carreteavam intervenção social e política. O Alentejo foi um território de forte cariz revolucionário durante o Estado Novo. A região foi marcada pelo conflito entre os grandes latifundiários e aqueles que por esses eram explorados. Nos escritos de Manuel da Fonseca, havia espaço para essa exposição. O autor tinha ligação intrínseca com o Alentejo, ora com um sentimento de maravilha e espasmo ora de desencanto.

O santiaguense fazia questão de escrever sobre a vida no Alentejo e das pessoas que nele moravam. As paisagens faziam parte dos seus textos, a natureza tinha sempre lugar e as terras lavradas pelas mãos trabalhadoras também. Foi assim que conseguiu conquistar o lugar de um dos melhores escritores neorrealistas portugueses.
A sua primeira publicação foi em 1940 com a “Rosa dos Ventos” editada pelo próprio. Dois dos seus romances mais conhecidos são “Cerromaior” de 1943 e “Seara de Vento” de 1958.

Na mesma entrevista ao Expresso, Manuel da Fonseca afirmou que não fazia publicidade aos seus livros e eles acabavam por ser vendidos, ou seja, achava-se vestido de descrição, preferindo-a até.

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Em homenagem ao escritor da terra, a biblioteca municipal de Santiago do Cacém tem o seu nome, bem como a Escola Secundária da cidade. A biblioteca municipal de Castro Verde também. O escritor colaborou com várias revistas e jornais. Faleceu a 11 de Março de 1993.

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