6 Outubro 2022, Quinta-feira
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Rogério Conceição: O serralheiro civil a quem o avô transmitiu o ‘bichinho’ do associativismo

Aos 23 anos é presidente da assembleia-geral dos Ídolos do Chinquilho da Anunciada. “Sem os mais velhos não existiriam as colectividades, mas agora é a juventude que tem de dar força aos projectos”, diz

 

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Rogério Conceição vive desde sempre no Bairro Grito do Povo, em Setúbal, onde gosta de estar e se sente verdadeiramente em casa. Com 23 anos, é serralheiro civil na Câmara Municipal de Setúbal e presidente da mesa da assembleia da associação Ídolos do Chinquilho da Anunciada.

Estudou até ao nono ano nas escolas da Anunciada, primeiramente do primeiro ao quarto na Escola n.º 9 do Casal das Figueiras e depois na Escola Secundária Lima de Freitas, até ao nono ano. Seguiu-se uma experiência no Centro de Formação Profissional Solisform, na Lisnave, onde tirou o seu curso de Técnico de Manutenção Industrial, 12.º ano, nível quatro.

Em 2014, a então presidente do município setubalense, Maria das Dores Meira, dinamiza uma reunião com os moradores no Bairro Grito do Povo. “Começou por formar grupos de moradores para ajudar a melhorar o bairro e entre estes surge um grupo informal, ‘Luta pela Juventude’, que marca o nascimento do meu percurso no associativismo e no qual trabalhámos com os jovens do bairro e fizemos muitas actividades envolvendo miúdos e graúdos”, começa por dizer Rogério Conceição. “Sempre gostei de bairros, Setúbal é composta por bairros e eu gosto disso. Sou filho de um e não gosto de ver os bairros mortos, quero vê-los vivos”, afirma.

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Quem o motivou a participar foi o seu avô, uma das pessoas que esteve à frente da construção do Bairro Grito do Povo, em 1974, e que o levou a esta reunião inicial. “O meu avô foi director da associação de moradores daquela altura e deixou-me o ‘bichinho’. Transmitiu-me o gosto pelo associativismo e por esta vontade de fazer acontecer”, continua.

 

Oficinas colaborativas marcam arranque no movimento associativo

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Depois do “Luta pela Juventude”, forma-se então o GO – Grupo Oficinas Colaborativas, projecto da autarquia implementado no território da Anunciada, onde se inclui o Bairro Grito do Povo e o Bairro dos Pescadores.

Nestas oficinas, dinamizadas em conjunto com técnicas municipais, foi desenvolvido trabalho para alcançar melhoramentos nos bairros. “Juntávamo-nos aos sábados à tarde e discutíamos vários assuntos dos bairros, que, entretanto, receberam a intervenção do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano. Acompanhámos as obras, éramos uma parte do processo, ouvidos e olhos para que os trabalhos andassem e corressem bem. Escolhemos como o bairro tinha de ser e tínhamos de estar ali prontos para trabalhar também”, partilha, adiantando que “quisemos ainda chamar a população de Setúbal aos Bairros dos Pescadores e do Grito do Povo, que sempre estiveram muito esquecidos e muitas pessoas não conhecem”.

As oficinas, na sua opinião, também vieram alterar esta situação, trazendo “pessoas de outros pontos da cidade a conhecer os nossos bairros, a nossa tradição, porque somos filhos e netos de pescadores e conserveiras”.

Entre as actividades realizadas por este grupo, do qual fez parte até meados de 2021, Rogério Conceição destaca, entre outras, “uma caminhada, um circuito entre os bairros, todos ligados por escadas, e o livro ‘Caminhos com História’, onde consta também o meu testemunho e os de vários elementos do GO e de moradores dos bairros sobre a história dos mesmos”.

Em Setúbal, existem, no seu entender, “muitas associações e os jovens deviam olhar para tal e juntarem-se. Os fundadores e sócios mais antigos precisam que seja dada continuidade ao que iniciaram. Estas colectividades hoje se não tiverem jovens com ideias novas e frescas acabam por fechar portas”.

Neste sentido, entende que a sua “função passa por puxar mais jovens para as colectividades, não deixando os mais velhos, que são a pedra fundamental. Sem eles não existiriam as colectividades, mas agora é a juventude que tem de trabalhar nestas iniciativas e de dar força aos projectos. Tem de haver força e é isso que me move mais para o associativismo”.

Em Fevereiro deste ano, foi convidado para integrar a direcção dos Ídolos do Chinquilho da Anunciada, da qual já é sócio há algum tempo. “Foi um novo desafio. A colectividade estava para fechar, mas agora retomou e está a funcionar bem. É um ambiente familiar, uma casa animadora e vamos estar cá de pedra e cal para que a casa levante”, diz. “As colectividades fazem-se de muito trabalho, com as direcções e os sócios. As direcções passam e a história das casas fica. Não podemos deixar morrer as nossas colectividades e nos Ídolos do Chinquilho da Anunciada temos muitos projectos para o futuro, para juntar sócios e amigos nesta casa para que seja ainda mais forte do que é”, remata.

 

Rogério Conceição à queima-roupa

Idade 23 anos

Naturalidade Setúbal

Residência Setúbal

Área Associativismo

Com orgulho nas suas origens e tradições, tem muitos sonhos para os bairros e vontade de os cumprir

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