Tal como tinha acontecido há quatro meses na primeira volta do Campeonato da I Divisão da AF Setúbal, o Vitória ganhou no domingo ao Palmelense, por 2-1, depois de ter estado a perder (1-0) ao intervalo. A conquista dos três pontos na partida da 19.ª jornada, realizada no campo Cornélio Palma, foi uma prova cabal da fibra de que é formado o plantel que comanda, afirmou o treinador Paulo Martins.
Para ilustrar a postura que o grupo de trabalho adotou no embate com os vizinhos palmelenses, o timoneiro dos sadinos partilhou a mensagem que foi transmitida no seio do plantel e que contribuiu para a reviravolta no marcador. “Uma das frases do nosso balneário foi que não era dia para jogar futebol, hoje era dia para vir aqui ganhar. Quisemos mostrar porque somos o primeiro classificado do campeonato. Foi isso aconteceu”.
O técnico, de 48 anos, que está à frente da equipa principal setubalense desde o início da temporada 2024/25, sublinhou a importância abnegação dos seus pupilos e a sintonia existente com os treinadores. “A alma destes jogadores é o reflexo e o trabalho das ideias que a equipa técnica procurou incutir neles desde o princípio da época. Quando nos dedicamos com afinco ao que fazemos e damos o máximo de nós essa atitude permite-nos ganhar jogos”.
Paulo Martins fez questão de repetir os elogios que tem feito aos seus atletas ao longo da época atual. “A juntar a tudo isso, há obviamente a qualidade dos jogadores. Mais uma vez, isso ficou patente, mostrámos que somos uma grande equipa, com uma alma muito grande”, vincou, reconhecendo que o facto de o Vitória seguir invicto na prova (15 triunfos e três empates em 18 jornadas) também ajudam a manter a confiança. “É óbvio que os resultados que temos tido nos empurram para cima”.
No encontro em que o avançado Luís Rosa fez o 1-0 para o Palmelense, aos 26 minutos, e o médio sadino João Delgado, com dois golaços, operou a cambalhota no marcador (73 e 81 minutos), o técnico considera que a exibição não foi perfeita e que há aspetos a melhorar. “Apesar de tudo o que fizemos de bom, não foi um jogo tão bem conseguido da nossa parte e fomos para o intervalo a perder”, disse, referindo que era expectável que o Palmelense ia dificultar ao máximo o objetivo da sua equipa.
O treinador voltou a sublinhar a forma como todos os que compõem o plantel se entregam à missão de representar o Vitória, procurando dar sempre o melhor de si. “Não tenho palavras para estes jogadores, são fantásticos, trabalham muito durante a semana. Não é apenas o treino, é a deslocação que alguns fazem de comboio, saem tarde do treino, vão para casa, chegam tarde e no dia a seguir têm de ir para os seus empregos”.
E acrescenta: “Chegarem ao domingo e terem esta alma e força tem obrigatoriamente de ser valorizado.
Agradeço aos jogadores a forma como deram tudo de si para alcançarmos mais três pontos, menos um jogo para fazer, na nossa caminhada”, disse ainda em alusão aos pontos conquistados em Palmela que permitiram consolidar o primeiro lugar da classificação com 48 pontos, mais oito que o perseguidor Olímpico do Montijo que goleou (4-0) na receção a O Grandolense, 3.º classificado.
Adeptos empurraram para a vitória
Tal como se previa, o campo Cornélio Palma teve uma forte presença de adeptos que fizeram a curta viagem entre Setúbal e Palmela. Ao lado da equipa durante todo o jogo, o treinador fez questão de frisar a importância do 12.º jogador no recinto para o êxito da equipa. “Quero agradecer a esta moldura humana que nos acompanhou a Palmela e empurrou-nos para a vitória”, disse após o final da partida de domingo.
Na antevisão ao duelo com o vizinho Palmelense, Paulo Martins tinha lembrado que a sua equipa é a detentora do “melhor ataque e defesa da competição” e que, por esse motivo, estava “no caminho certo”. Apesar do golo sofrido no domingo – que eleva para nove o número de tentos encaixados na baliza setubalense nas 18 jornadas realizadas –, o Vitória tem de longe a defesa mais sólida da competição em que o Moitense (17 golos sofridos) tem a segunda melhor defesa.
Em relação ao setor ofensivo, com os dois golos de João Delgado em Palmela, o Vitória soma agora 39 golos marcados. Apesar de continuar a liderar a lista de equipas mais concretizadoras, os sadinos viram o Olímpico do Montijo (34 golos) encurtar a distância no fim-de-semana depois de terem goleado (4-0) O Grandolense, conjunto treinado pelo ex-defesa vitoriano Nuno Pinto, que também contabiliza 34 golos em 18 jornadas.