A equipa de basquetebol do Seixal – que venceu o Carnide Clube na última jornada do Grupo de Manutenção (81-78), garantiu a permanência no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, numa época que foi bastante atribulada devido a alguns contratempos inesperados e também a algumas lesões que prejudicaram imenso o seu desempenho. Mas, o principal objetivo foi conseguido, como explica o treinador da equipa, Pedro Silveira, um seixalense de gema.
“Era um campeonato recheado de equipas apetrechadas com jogadores estrangeiros de várias origens (a maior parte deles profissionais) e com atletas muito experientes, habituados a este e a patamares superiores. E nós com uma equipa de maltinha nova, cheia de valor e talento, que nunca virou a cara à luta. Uma equipa em que poucos tinham jogado neste nível competitivo, em que quase todos se iniciaram nas nossas escolas e que nunca abdicou de jogar à Seixal – mesmo em situações em que a desvantagem física era evidente nunca nos encolhemos e nos protegemos na forma como enfrentámos todos os adversários”.
Pedro Silveira recorda que tudo isto aconteceu “numa época que ficou marcada logo no início pelo desaparecimento do nosso querido amigo Júlio Faísca, triste desfecho que, tendo em conta tudo o que ele representava para todos nós, teve naturalmente um grande impacto; numa época em que tivemos 3 lesões graves, que obrigaram, ou vão obrigar, a intervenções cirúrgicas; numa época em que surgiram mais 7 ou 8 lesões de alguma gravidade – roturas musculares, roturas de ligamentos, entorses, luxações, todas elas obrigando a paragens superiores a um ou dois meses e, nalguns casos, ainda mais tempo; numa época em que, como se não bastasse o que já tinha acontecido com o Faísca, também vimos partir, logo no início de 2026, o amigo Zé Luís; numa época em que o nosso pavilhão teve montes de problemas devido às chuvas, impossibilitando-nos de treinar nas melhores condições em inúmeras situações, o que penalizou bastante a nossa preparação em momentos importantes da temporada; numa época em que o visto do Giovanne não foi considerado válido de forma que pudesse jogar a partir de fevereiro, não lhe permitindo contribuir na fase mais decisiva do campeonato quando o seu rendimento melhorava a olhos vistos”.
Foram de facto muitas ocorrências que o grupo de trabalho conseguiu ultrapassar e Pedro Silveira diz que se lembra bem que “no início do campeonato, com as derrotas – algumas um pouco expressivas, coisa a que estávamos pouco habituados – muitos (que não nós!!!) pensaram que estávamos a cair num buraco de onde não mais conseguiríamos sair. Só que saímos! Por tudo isto – e muito mais – esta conquista, ainda que longe dos holofotes e que poucos possam dar por ela, para todos nós (atletas, treinadores, dirigentes, familiares, adeptos e apoiantes), que tanto fizemos por isso, valeu bem mais do que muitas medalhas e títulos. Obrigado, Malta”, referiu com orgulho o treinador da equipa, que é filho do saudoso Luís Silveira que foi uma das grandes referências do basquetebol nacional.
Pedro Silveira contrariando um pouco aquilo que é habitual em si abriu uma exceção e destacou também alguns jogadores a nível individual. “Não posso deixar de registar a extraordinária temporada do Gonçalo Lourenço, o nosso “americano”, que é mais um produto de excelência “made in Seixal”. Olhar para a lista dos 10 melhores marcadores do campeonato e ver em 1.º lugar o Gonçalo (que nunca tinha jogado a este nível) e só depois o nome de 7 americanos, 1 caboverdiano e 1 venezuelano, certamente todos profissionais, com o segundo melhor marcador a 37 pontos de distância, é, de facto, fantástico, não esquecendo tudo o que ele também contribuiu. Só é pena que este ano já não ter idade para ir à seleção nacional de Sub20 porque na época passada foi ignorado.