O Vitória goleou (4-1) o Pescadores da Costa de Caparica num jogo que perdia (1-0) no final da primeira parte. O que disse aos seus jogadores no intervalo?
Todos sabiam que não estávamos a criar oportunidades para marcar – tivemos apenas duas ou três – e disse aos jogadores que tínhamos de controlar a ansiedade, uma vez que estávamos a perder ao intervalo. Disse-lhes também que acreditava muito neles e no nosso processo. Pedi-lhes que aumentássemos a velocidade; estávamos muito lentos e previsíveis naquilo que estávamos a fazer. Reforcei que confiava muito neles, mas eles também tinham que confiar uns nos outros, os que estavam em campo e os que iam entrar na segunda parte. Era um jogo em que tínhamos que ter um grande coração, mas a cabeça tinha que estar fria. Pedi-lhes que se limitassem a fazer aquilo em que nós trabalhamos e que eles tão bem fazem. Não me canso de dizer que os jogadores têm sido fantásticos e isso viu-se na capacidade de reação que tiveram.
Concorda que a entrada do Bruninho, no arranque da segunda parte, foi um ponto de viragem no jogo? Além do ‘abanão’ que deu à equipa, marcou dois golos…
O Bruninho é um jogador muito importante, como são todos os outros. Sabíamos que a sua entrada iria dar-nos mais posse de bola pela capacidade que tem de segurá-la de costas para a baliza. Na finalização, tínhamos que continuar a cruzar e a meter bolas na área. O Bruninho não podia estar sozinho nesses momentos, tinha que haver mais gente para criar dificuldades ao adversário. Estou muito feliz por todos aqueles que contribuíram com golos para o êxito, desta vez foi o Bruninho que se destacou mais e noutras ocasiões já foram outros jogadores.
Todos são importantes naquilo que é a nossa conquista nesta maratona.
Quando o resultado está empatado (1-1), o Pescadores fica a jogar com menos um jogador por expulsão do guarda-redes João Cardoso, aos 64 minutos. O facto de passar a jogar em superioridade numérica e ter convertido o penálti a que esse lance tinha dado origem, foi crucial para o desfecho final?
Claro que com uma expulsão e o penálti em que o Leo (Chão) mostrou muita frieza e experiência ao convertê-lo no 2-1 foi um momento crucial. Sabíamos que ao fazer 2-1, a jogar contra 10, que o Pescadores iria tentar as transições rápidas através do Gildo, que estava identificado por nós por ser um jogador que atua na profundidade. Mesmo assim sentíamos que podíamos controlar o jogo e ao fazê-lo, com a entrada do Walter (Sá), iríamos ter mais espaço nos corredores para criarmos mais situações de golo. Os jogadores que entraram acrescentaram valor à equipa. Quero deixar uma palavra ao (Diogo) Carvalheira, jovem que vem da formação e que fez mais uns minutos na equipa.
A mescla que há entre jovens atletas e colegas mais experientes é algo que beneficia o grupo, que só não foi para o intervalo a perder por 2-0 porque o adversário falhou um penálti quando já vencia por 1-0.
Sim, mas acredito que mesmo que tivesse o resultado em 2-0 ao intervalo que a nossa equipa iria marcar. Era crucial fazê-lo cedo na segunda parte para tentar virar o jogo [1-1 foi apontado por João Delgado, aos 56 minutos]. A grande penalidade incontestável que temos acaba por virar o jogo a nosso favor (2-1). Marcámos quatro golos e podíamos ter feito ainda mais. No final, foram mais três pontos, menos um jogo para disputar, e estamos já concentrados no jogo bastante difícil que vamos ter domingo em Palmela.
Tal como tinha sido o da primeira volta em que o Vitória chegou ao intervalo a perder 1-0 e faz a reviravolta no marcador na segunda parte, sendo o 2-1 final apontado, aos 90+2 minutos, por André Gomes? O jogo na casa do Palmelense terá características diferentes…
Sim. Em primeiro lugar há alguma rivalidade saudável entre os jogadores que se conhecem, que já jogaram num lado e no outro. Temos de entrar muito concentrados, sabemos que vai ser complicado, mas não há campeões sem dificuldades. Temos muito trabalho para fazer. Viemos de semanas em que as intempéries condicionaram um pouco o nosso processo de treino. A juntar a isto há as lesões de André Gomes e Marouca, há os castigos (Rodrigo Gomes, Tiago Nunes e Odilon) e os jogadores que na semana anterior fizeram trabalho específico como foram os casos do (João) Delgado e do Zé (Mário), que tinham pequenas mazelas. Em ambos os casos, felizmente conseguiu-se que estivessem disponíveis para o jogo.
Como está o André Gomes que falhou os dois últimos jogos – Vasco da Gama (Taça AFS) e Pescadores (campeonato)?
O André está de fora depois do que aconteceu, em Sines, frente ao Vasco da Gama (triunfo sadino por 3-2 no campeonato). Houve uma agressão clara em que, depois de vermos o vídeo do lance, ficámos com a ideia de que o jogador só não partiu da tibiotársica porque a relva estava molhada e o pé elevou-se, acabando por condicionar o tendão de Aquiles. Penso que as coisas estão a correr bem para termos o André o mais rápido possível, da mesma maneira que queremos ter o Marouca e todos os jogadores, condicionados e castigados, disponíveis.