13 Junho 2024, Quinta-feira

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“No dia em que a administração não me quiser estarei na rua no dia seguinte”

“No dia em que a administração não me quiser estarei na rua no dia seguinte”

“No dia em que a administração não me quiser estarei na rua no dia seguinte”

“Alguns (jogadores) terão dificuldades em arranjar clube porque fizeram uma época muito má”, diz

 

 

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Enquanto director desportivo do Vitória, como se sentiu no momento em que ficou consumada a descida de divisão do clube da Liga 3 ao Campeonato de Portugal?

Desanimado e triste. No início da época, ninguém no Vitória pensava que esse podia ser um cenário possível. Ao longo da época foram acontecendo coisas que nos foram alertando de que se calhar mão estávamos assim tão bem e fomos tentando alterar algumas coisas. O futebol tem destas coisas em que quando parece que as coisas não têm de dar certo tudo se encaminha para isso. Foi o que aconteceu: chegou uma altura em que nada acontecia a nosso favor. Creio que o último jogo foi o reflexo da época toda. A maneira como sofremos o golo (aos 89 minutos), como no outro jogo o resultado não nos ajudou. Foi tudo.

A construção do plantel passou muito por si. Sente-se como um dos principais responsáveis do fracasso?

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Como é óbvio, a culpa do que aconteceu é minha. Não posso apontar a culpa aos jogadores, treinadores nem administração. O principal culpado sou eu e não tenho nenhum problema em assumi-lo. De qualquer forma, há coisas que acontecem que não conseguem ter explicação. Ou os jogadores não são os melhores, se calhar não são; os treinadores não são os melhores, se calhar não são. Tudo junto parecia que não estava encaminhado para haver sucesso. Fizemos uma pré-época excelente e não houve indício nenhum de que pudesse acontecer este desfecho.

Porquê?

Tenho alguns anos de experiência no futebol, conhecíamos os jogadores que fomos buscar, sabíamos quem estávamos a contratar, mas nunca sabemos controlar se dentro do projecto os jogadores vão ter sucesso ou não. Claro que toda a gente erra: os jogadores, treinadores e nós que, às vezes, não tomamos as melhores decisões. Sou eu que contrato, mas não escolho um jogador só por que me apetece. Passa por uma série de fatores: desde o treinador querer o jogador, ao ‘scouting’ aprová-lo… Há toda uma estrutura que define o que é necessário. O meu papel é negociar. Quando se decide que se quer determinado jogador, cabe-me a mim negociar para tentar trazê-lo ou quando se tem de negociar para sair. É esse o meu papel. Não vou buscar um jogador qualquer porque me lembrei de repente dele ou porque me apeteceu.

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Considera que havia jogadores sem perfil para jogar no Vitória?

Se calhar o que o Vitória tem de fazer, e esse é um problema do clube que já vem de trás, é montar uma estrutura para que, quando chegue o jogador à fase da contratação, já tenhamos todo o conhecimento do mesmo para saber se tem capacidade para jogar no Vitória. Saíram jogadores em Janeiro que na nossa equipa não jogavam e foram para outras em que não desceram de divisão e foram às fases de subida. É um fenómeno que não conseguimos explicar. Por que razão um jogador serve para aquela equipa que foi à fase de subida e aqui não jogava. Todos os jogadores que saíram em Janeiro não jogavam cá, foram para outras equipas e jogavam e nenhum desceu de divisão.

Que leitura faz dessa situação?

É o reflexo de que a culpa não é só determinada por um jogador ser fraco ou não. Acredito que há um problema estrutural, a sorte é importante, mas temos de a conquistar e trabalhar por ela. Muita coisa aconteceu que podia ter mudado o rumo do campeonato. Quase sempre houve situações que foram em prejuízo do Vitória. São coisas que ninguém consegue controlar no futebol.

Na passada semana, o avançado Zequinha disse em entrevista ao nosso jornal que alguns jogadores acusaram a pressão de representar um clube como o Vitória…

Acredito que os jogadores sentiram pressão e muitos não conseguiram trabalhar da melhor forma por esse motivo. Na nossa estrutura, se calhar também exigimos demasiado em maus momentos. Pensando a frio é agora mais fácil dizê-lo, mas, talvez devêssemos tê-los apoiado e dado algum moral e criticamo-los por não estarem a dar tudo e, se calhar, teve um efeito contrário. Durante o campeonato são questões difíceis. Acompanhei muitos destes jogadores o ano passado e fui buscá-los porque sabia o que podiam dar e, esses mesmos atletas, não conseguiram fazer nada aqui. Alguns terão dificuldades em arranjar clube porque fizeram uma época muito má. São fenómenos que não conseguimos dominar a 100 por cento. Por o Vitória ser um clube diferente tem de se estruturar melhor que os outros. Todos na estrutura são culpados do que aconteceu: eu, os jogadores, treinadores e administração. Cabe-nos perceber o que fizemos mal muito rapidamente e o que temos de trabalhar melhor para tornar a estrutura muito mais forte para levar rapidamente o Vitória para onde tem de estar.

Depois do que aconteceu, pensa que tem condições para continuar no clube?

Se estivesse preocupado com o que se passa fora do clube, se calhar tinha saído do Vitória um ou dois meses depois de cá estar. A administração sabe perfeitamente o meu papel no Vitória. Serei sempre o menor problema no Vitória. No dia em que a administração não me quiser estarei na rua no dia seguinte. Não há impedimento nenhum da minha parte. Enquanto acharem que posso ajudar e sou um elemento válido para a estrutura, estou cá para ajudar. Quando pensarem que cometi erros e que a culpa do que aconteceu é minha estarei fora do Vitória. Independentemente de ser comigo ou com outro qualquer, o Vitória tem de continuar a trabalhar. Tem de ser rápido para não se começar tarde como no ano passado em que o fez já muito em cima do campeonato. Não sei se vai ser comigo ou não, a administração irá decidir. Falamos todos os dias e não tem sido um assunto de conversa porque não é o principal problema. Há muitos outros em que o clube tem de se focar para se estruturar melhor.

É sua vontade continuar?

Não se trata de continuar ou não comigo. Fá-lo-ei enquanto a administração achar que posso ajudar e faço sentido. Quando acharem que não irei embora pelo meu pé. Não sou peso nenhum para a estrutura desde o primeiro dia.

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