Francisco Alves Rito é presidente do Vitória desde março de 2025 e daí para cá viu o clube ascender da II à I Divisão da AF Setúbal e, no passado mês de maio, ao Campeonato de Portugal. Depois do sucesso alcançado nos distritais, o dirigente sabe que as dificuldades vão ser maiores nos nacionais, motivo pelo qual recusa definir um prazo para o clube regressar à I Liga de forma a não hipotecar a sustentabilidade do emblema sadino.
“Não podemos nunca ter a veleidade de achar que vamos subir todos os anos, ininterruptamente, até à I Liga. Quem disser isso está a enganar os sócios. É uma daquelas mentiras com que, muitas vezes, certos dirigentes menos recomendáveis ganham eleições nos clubes. Nós não prometemos isso. O que nós prometemos é que vamos ter, todos os anos, uma equipa pensada para lutar pelo título do escalão em que está”, disse à SIC Notícias.
Na entrevista ao ‘site’ do canal televisivo, Francisco Alves Rito sublinha a importância de repetir erros do passado. “Os sócios também se devem mentalizar que o mais importante de tudo é a sustentabilidade do clube. É assegurarmos que o Vitória vai continuar no futuro, de preferência, muitos mais anos do que aqueles que já tem, e que isso implica podermos, eventualmente, em algum ano, não subir de divisão”.
O líder dos setubalenses frisa que o clube não existe só para subir de divisão no futebol, uma vez que tem um papel crucial a desempenha na comunidade. “O Vitória existe enquanto instituição de utilidade pública, que promove o desporto, que forma jovens e crianças, e que tem um papel muito importante na vida social e desportiva na região. Temos também essa responsabilidade”.
Com isto, o dirigente não nega em nenhum momento que o objetivo passa por colocar novamente o clube entre a elite do futebol. “Queremos, naturalmente, devolver o Vitória à I Liga. Temos muitas modalidades, mas esta é a principal, o futebol, e esse é o nosso grande objetivo. É evidente que qualquer direção, qualquer presidente, gostava muito de conseguir esse feito no currículo. E eu não sou exceção, naturalmente”.
O presidente explica de que forma pretende continuar a administrar o clube. “Esta direção quer uma gestão de rigor, quer não só sanear financeiramente o clube, mas também atingir a sustentabilidade”, disse, explicando a forma com o pretende fazê-lo. “Queremos construir no Vitória e até no futebol português, uma mentalidade assente na ideia de que os clubes não podem viver acima das suas possibilidades”.
Eleito para o triénio 2025-2028, Francisco Alves Rito dirigiu-se aos vitorianos na entrevista que deu à SIC. “Queremos deixar isto muito claro aos sócios: não entramos em ilusões, ou em loucuras, de termos orçamentos muito acima das nossas possibilidades, e até das necessidades, porque há também quem queira ter orçamentos que nem sequer se justificam”, disse, vincando o “’know-how’ e a competência das pessoas da estrutura, do seu valor e da sua capacidade, para conseguirem, com menos, fazer mais”.
“Diferença não pode ser só dinheiro”
E acrescenta: “Daqui para a frente, o princípio tem que ser haver orçamentos necessários para sermos competitivos, mas a diferença, relativamente aos outros clubes, não pode ser só dinheiro, tem que ser, sobretudo, competência e a nossa estrutura tem que estar ciente disso. Acreditamos que tem a qualidade técnica para o fazer porque para se conseguir fazer uma boa gestão desportiva tem de se ter a capacidade de ir buscar os melhores com essas limitações”.
Nas declarações o líder dos setubalenses foi célere a responder quando desafiado pelo jornalista a explicar as razões pelas quais o clube não morreu quando viu, em 2024, a sua inscrição na Liga 3 reprovada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, acabando por ser relegado ao escalão mais baixo do futebol distrital. “Nunca morreu porque o Vitória tem um lastro muito grande”, começou por dizer, apresentando dados que o comprovam.
“Temos a convicção de que estamos acima da média, para não dizer entre os principais clubes de Portugal. Temos uma massa associativa, cerca de 10 mil associados, claramente superior à média dos clubes da I Liga. Temos assistências no estádio, mesmo jogando nas distritais, muito superiores à média da I Liga. E, portanto, isto demonstra que há uma alma vitoriana e que a nossa paixão não tem divisão. Logo, com toda esta força, é evidente que o clube é imortal. Não vai morrer por questões administrativas, enquanto tiver esta vivacidade social e associativa”.