Filipe Moreira: “Neste campeonato não jogam só as camisolas nem o peso da instituição”

Filipe Moreira: “Neste campeonato não jogam só as camisolas nem o peso da instituição”

Filipe Moreira: “Neste campeonato não jogam só as camisolas nem o peso da instituição”

Como antevê a concorrência que o Vitória vai ter no Campeonato de Portugal?

Vai ser grande! E aqui não há petróleo. Há sítios aqui à volta em que há, mas aqui não! Por esse motivo, temos que ir com calma, falhar menos e ser mais seletivos. Em termos de orçamento, há certas lutas em que não conseguimos entrar porque não estamos ainda nesse patamar. Os jogadores que vêm têm de sentir que não estão num clube qualquer. Aqui as coisas não são fáceis e é isso que é o Vitória. A paixão e exigência têm de ser sentidas e começa por mim e pela minha equipa técnica.

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Que é formada por Carlos Morais (treinador de guarda-redes), Paulo Figueiredo (adjunto), Joaquim Rodrigues (adjunto), Henrique Cabumba (adjunto) e João Fonseca (analista)…

Três deles que vieram comigo e trabalhamos juntos há muito tempo. Há um conhecimento absoluto. O Rodrigues já trabalhou foi meu jogador e já trabalhou em cinco ou seis clubes comigo. O Figueiredo foi seu colega em equipas que eu treinei ambos. O Carlos Morais também já está há algum tempo comigo.

Quero esclarecer que além destas escolhas, pode acontecer que pretendamos arranjar parcerias com instituições da cidade. O Instituto Politécnico pode ter estagiários que podem encaixar-se na nossa filosofia. Quando acontece isto é para aproveitarmos essas pessoas que estão na cidade e estudam no Politécnico. Temos de estar perto das instituições da cidade e estas parcerias nem sempre têm uma contrapartida financeira.

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Na preparação da pré-época quais os aspetos que privilegia?

Numa primeira fase, para quem já faz parte do processo, há uma adaptação progressiva ao esforço em termos físicos. Assim, estão mais preparados quando agora entrarmos numa semana com mais intensidade. Depois vamos trabalhar a identidade que queremos ter para o Vitória e é assim que se vai construindo uma equipa de futebol. Estamos a ter equilíbrio e sensibilidade para gerirmos este processo. Esta é a altura de fazermos um ninho, e termos um balneário em que os jogadores comecem a olhar uns para os outros e ter mais conhecimento mútuo. Desta forma, ganhamos referências e uma linguagem comum.

O Vitória vai integrar a série D do Campeonato de Portugal. De que forma antevê a competição?

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A massa adepta do Vitória é única e de uma paixão contagiante. Se fosse só isso que contasse a obtenção dos objetivos estaria garantida. No entanto, temos que perceber neste campeonato não jogam só as camisolas nem o peso da instituição. Há equipas que se apetrecharam e têm condições para lutar pela subida de divisão. Já há um pacote grande de equipas que não têm apenas o intuito da manutenção. Pelos investimentos que estão a fazer e pela forma como se estão a preparar querem afirmar-se como candidatos neste campeonato.

Naturalmente, o Vitória é sempre um candidato. Nós assumimos isso desde o primeiro dia e fizemo-lo de forma clara e sem subterfúgios. Somos obrigados a defender a história desta instituição e honrá-la. Queremos ir à fase final. Essa é a primeira etapa e, depois disso, subir de divisão e ir à final do Jamor. Antes disso, temos de ultrapassar as diferentes etapas com a estratégia que preconizamos no plano competitivo. Quando começarmos, temos que mostrar diariamente que somos candidatos para sermos favoritos.

Que mensagem quer transmitir aos sócios neste momento?

Quero que compreendam que ninguém vai ganhar este campeonato se não tivermos um pensamento coletivo. Ainda estamos longe de que o Vitória tem que ter. Toda a gente sente isso diariamente. A dor que os adeptos sentem por ver o Vitória no Campeonato de Portugal é algo que mexe muito. A referência da grandeza deste clube tem que ser o coletivo. A paixão, às vezes, confunde e perturba. O Vitória é um grande clube e não temos de fazer disso um problema. Temos que aceitar a crítica e saber viver com isso. Quem não se adaptar à pressão, não pode estar no futebol. Juntos fica mais fácil, mesmo nas horas difíceis.

Há alguma ideia que considere importante reforçar?

Quero que as pessoas percebam que levo 42 anos como treinador. E a paixão e a felicidade de o ser está presente e é diária. Tenho a sorte de estar num sítio em que as coisas são de outra dimensão. Quero que as pessoas também sintam essa felicidade. Quem trabalhar nesta casa tem que ser feliz, trabalhar com prazer e sair daqui realizado. Temos uma sorte grande por fazer aquilo que gostamos e temos que estar ao nível do que é o Vitória. Claro que, por vezes, vamos passar por momentos menos bons e aí temos que ser fortes, ter capacidade para refletir, estar unidos e sermos amigos. A minha grande riqueza não são as subidas de divisão, mas ajudar ao sucesso dos jogadores que treino e ter amigos no futebol. Por isso, quero estar aqui com felicidade para poder honrar e embelezar este nome que, para mim, é de outro planeta ou, como dizem os vitorianos, ‘não é grande, é enorme”.

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