Três meses depois está de regresso ao Vitória para assumir o cargo de diretor-geral do futebol. Quais as razões que o levaram a voltar?
Volto pelas pessoas, mas também pelo muito que o Vitória significa para mim. Todos os que me conhecem e lidam comigo percebem isso, volto a casa, depois de uma interrupção de três meses. Entrei no clube com 10 anos e saí com 21. Voltei em 2023/2024 pelo Vitória. Vim com o André Dias e fizemos uma época excelente, subimos de divisão, mas aconteceu o que aconteceu (descida administrativa). Fomos para a 2.ª divisão distrital e nem quis ouvir mais nada. Continuei no Vitória por ser simplesmente o Vitória.
Depois disso, com duas subidas consecutivas, contribuiu para o regresso do clube ao Campeonato de Portugal esta temporada…
Fizemos dois anos muito bons, é preciso coragem para um clube enorme como o Vitória descer à 2.ª distrital e fazer o que fez. Quero agradecer, mais uma vez, a todos os jogadores e ‘staff’, equipa técnica, que me ajudaram a mim e ao Vitória a chegar ao Campeonato de Portugal. Quero aproveitar para pedir ao presidente [n.d.r.: Francisco Alves Rito esteve ao lado do diretor na apresentação de terça-feira na sala de imprensa do Bonfim] que encontremos um espaço no interior do estádio em que todas as equipas que subam até à I Liga fiquem gravadas nas paredes do Bonfim. Incluindo os dois grupos fenomenais de que o fizeram nos últimos anos.
Em termos individuais, qual a sua maior ambição?
Desde que entrei aqui, em 2023, o meu maior sonho é poder ajudar o Vitória a chegar à I Liga. Estar nestes projetos como diretor desportivo, ou outra denominação, é apenas uma nomenclatura. Aquilo que me interessa é contribuir para o Vitória chegar à I Liga e tudo farei, como sempre fiz, com a minha exigência máxima. Os meus grupos têm uma responsabilidade social sempre que entram em campo porque estamos a representar uma cidade e temos a responsabilidade de fazer com que a segunda-feira de cada vitoriano seja mais feliz.
O que é preciso fazer para que isso seja uma realidade?
Só quando somos rigorosos e passamos esse rigor para os jogadores é que eles também conseguem ser rigorosos nos 90 minutos que existem num jogo. Esse aspeto aliado ao trabalho é que fazem com que os objetivos sejam sempre alcançados. Foram três anos de sucesso e, independentemente da divisão em que se está, o Vitória tem que passar ADN aos jogadores. Por isso é que muitos jogadores têm pena quando saem e sentem que queriam continuar no projeto. Senti isso na pele nos anos em que aqui estive. Quando chegam, digo sempre aos jogadores que quando entram, muitos deles não são do Vitória, mas quando saem vão ser mais vitorianos.
Dentro do campo, a equipa teve sucesso nos últimos três anos. Acredita que pode em 2026/27 acontecer pela 4ª época consecutiva?
Já vi equipas com orçamento mais baixo, na globalidade, não só nesta divisão, ganharem campeonatos. Já vi equipas com orçamentos maiores subir ou ganhar campeonatos ou não. Já vi equipas muito boas, mesmo no Vitória, de alguns anos atrás, só com internacionais descer de divisão, ou com muitos internacionais descer e já vi equipas do Vitória com menos qualidade e fazerem bons campeonatos. Temos que passar uma imagem e uma corrente positiva e suavizar as coisas e passar um pouco a ideia do jogo a jogo. Sabemos em que posição o Vitória se encontra. Sabemos que há alguns jogos ainda em atraso e só depois de serem jogados é que percebemos a classificação. Temos de passar um pouco a ideia do jogo a jogo, confiar no que vai ser feito, no que está a ser feito, e perceber no final como é que vamos acabar.
Em determinados momentos, a equipa tem acusado a pressão e os jogadores o peso da camisola…
Jogar no Vitória não é fácil, ser diretor no Vitória não é fácil. Vestir uma camisola com um peso muito grande e na situação em que está, o Campeonato de Portugal, quando os adeptos sabem que Vitória é emblema de I Liga, pesa muitas vezes nos jogadores. Este estádio tem muita história. As pessoas do Vitória, os adeptos, os simpatizantes, querem sempre mais porque estão habituados a mais. E nós temos que saber viver com isso e às vezes não é fácil para os jogadores que não estão habituados. Tem de haver tranquilidade para tentarmos tirar o melhor dos jogadores e fazer uma corrente positiva e suave que temos que passar, trabalhar jogo a jogo, para que possamos no fim do campeonato atingir os objetivos a que nos propusemos.
Tencionam aproveitar a paragem do campeonato para reforçar o plantel?
Vou ver com o ‘mister’ o que podemos fazer, onde é que podemos melhorar e onde é que posso ajudar. Vamos trabalhar em conjunto para que a equipa possa evoluir. Se tivermos que procurar algum tipo de atleta que esteja a fazer falta. Sempre na perspetiva de melhorar a qualidade do plantel, do jogo e resiliência.