2 Fevereiro 2023, Quinta-feira
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“Vou estar ligado ao Vitória para o resto da minha vida”

O jogador, de 38 anos, declarou o seu amor incondicional ao clube que representou entre 2017 e 2023

 

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Equaciona a possibilidade de ainda regressar ao Vitória noutras funções?

Como jogador será apenas para jogar pela equipa de veteranos, que terei todo gosto em integrar. A minha intenção é adquirir conhecimentos e voltar mais enriquecido para ajudar o futebol português e do Vitória. Vou agora tentar restabelecer-me e ter um controlo mais forte do meu sistema emocional, que foi sempre a minha maior arma. O que me aconteceu [n.d.r.: falecimento da sua esposa em setembro de 2021] mexeu com toda a minha estrutura emocional e, por isso, é preciso parar, reformular e, a partir daí, continuarei a ser o mesmo que era antes. Prefiro restabelecer-me e voltar aqui com fome e vontade de conseguir ser o Semedo que todos reconhecem. Vivi 24 por dia a minha carreira de futebolista. Só não o fiz no último ano e meio porque as rotinas e as circunstâncias mudaram desde aí e não consegui viver da mesma forma. Quem me conhece, sabe que hoje não sou mesmo porque falta-me algo a nível mental e estrutural. É preciso uma readaptação e fazer algo diferente para que consiga voltar mais forte.

Sente que já não era o mesmo jogador? Foi por essa razão que anunciou agora a saída?

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Peço imensas desculpas ao nosso actual treinador (Luís Loureiro) por não me ter encontrado nas melhores capacidades. Quem trabalhou comigo sabe que há hoje um pouco menos de mim do que fui antes. Ao mesmo tempo, sei que dei tudo o que tinha de dar em cada momento. Este é o momento certo. Não viverei do futebol, terei de fazer algo mais para sustentar a minha família. Não sou um Ronaldo que se pode dar ao privilégio, com tudo o que fez, de viver e fazer o que quer. Sou uma pessoa honesta e não era justo estar aqui por estar até ao final da época por causa do salário. Prefiro sair agora, restabelecer-me e dar a oportunidade ao meu Vitória, se o entender, de contratar alguém. Não tenciono atrapalhar a vida de ninguém.

A sua saída tem efeitos imediatos ou vai continuar ligado de alguma forma ao Vitória até ao final da época?

Vou estar ligado ao Vitória para o resto da minha vida. Vou ter um tempo para reflectir, mas não em termos de Vitória, é impossível. O clube está além de tudo. Estou a parar por causa da minha vida, tenho dois filhos para criar e preciso restabelecer-me a nível mental. Estarei sempre ligado e vou preparar-me por mim, mas também pelo Vitória. Mesmo deixando de ser jogador, estarei sempre em contacto e presente ao lado dos homens que tanto me ajudaram.

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É conhecida a longa amizade que tem com Cristiano Ronaldo. Falou com ele sobre a sua decisão?

Quando falei com ele já tinha a decisão tomada. Disse-lhe no mesmo dia em que falei com o meu treinador. Houve um pouco de preocupação com a mensagem que tinha um tom mais sério. Percebeu que algo se estava a passar. No dia seguinte sentámo-nos e conversámos. Sabia que segunda-feira [16 de Janeiro, dia em que o Vitória defrontou e venceu, 2-1, o Fontinhas] era o meu último jogo. Não havia volta a dar, sabia que tinha de o fazer.

Em termos físicos como se sentia?

Não se trata de razões físicas porque sei o que fiz e me permitiu ser desde os 17 anos profissional de futebol. A componente física é algo matemático: se comermos e trabalharmos bem, vamos ter mais disponibilidade para exercer a nossa actividade. A nível mental, quanto mais se pensa que se pode controlar, as adversidades acabam por alterar um pouco o que julgávamos ser certo. Não vou esperar pelo final da época porque iria estar a atrapalhar quem sempre cuidou de mim e esteve comigo no momento mais difícil da minha vida. É preferível parar já e restabelecer-me para dar o melhor de mim no futuro.

Qual o momento da sua carreira que recorda com mais carinho?

O dia em que assinei pelo Vitória. Foi a concretização de um sonho. Sinto que as coisas não acontece por acaso. No dia em que fiz o meu último jogo, a braçadeira de capitão que usei tantos anos no clube acabou por passar pelos meus melhores amigos de toda a vida: o Zequinha e o François, que usou a braçadeira nesse dia pela primeira vez. Foi como se os astros se tivessem alinhado para tornar possível essa situação num jogo em que conseguimos os três pontos. Tenho em casa a braçadeira que todos usámos nesse jogo. Vou sempre recordar os que lutaram comigo no momento mais difícil vivido pelo nosso clube, os que receberam propostas para sair e decidiram ficar.

Como reagiram os seus colegas quando lhes comunicou a decisão de deixar de jogar?

O Zequinha, a chorar baba e ranho, disse-me: “cortaste-me a perna!” O François enviou-me uma mensagem tão especial que não tenho palavras para a descrever porque não sabia que poderia ter tanto impacto na sua vida.

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