26 Junho 2022, Domingo
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Nelson Melo: “Se for vontade dos clubes poderá ser ponderada uma provável recandidatura”

O ex-candidato a presidente da Associação de Futebol de Setúbal diz que, com uma nova liderança e uma nova visão, é possível ter uma melhor associação

 

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Um ano depois do acto eleitoral mais concorrido de sempre na Associação de Futebol de Setúbal, o SETUBALENSE falou com o candidato vencido, Nelson Melo, a quem colocou algumas questões sobre o panorama actual do futebol na região e sobre uma hipotética recandidatura daqui a três anos.

Na entrevista, Nelson Melo considera o acto eleitoral realizado como o início da mudança na AF Setúbal que, no seu entender, não pode ter como negócio principal os cursos de treinadores, a organização de jogos e a nomeação de árbitros. Há muito mais que pode e deve ser feito.

Já passou um ano sobre o acto eleitoral da AF Setúbal que foi disputado de forma renhida pelas duas listas concorrentes. Ficou desiludido por não ter sido eleito?

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Sim, naturalmente quem assistiu ao meu directo no Facebook na noite das eleições, percebeu isso. Acreditei que tendo um Projecto ”101 vontades, Um Projecto”, uma equipa forte, uma comissão de apoio, uma visão de inovação e muitos telefonemas e mensagens de apoio que a minha equipa iria vencer. Por outro lado na vida ou vencemos ou aprendemos, neste caso aprendi muito, conheci pessoas, visitei instalações, comecei a desenhar aquilo que seria a carta desportiva e as presidências abertas. O futuro será, certamente diferente e nós temos de estar orgulhosos pela votação que obtivemos, apesar da desilusão inicial, o que resultou do último acto eleitoral, e é já o sentimento de muitos, ter sido o início da mudança na AF Setúbal. E a mudança estará próxima.

Consta que há clubes arrependidos de não terem votado na sua lista. Já foi contactado por algum, nesse sentido?

Num processo eleitoral como o que enfrentamos na AFS, o trabalho inicial foi dar-me a conhecer aos clubes, assim como à minha equipa, sustentando a minha candidatura num projecto apresentado publicamente. Comparando a dinâmica que apresentámos, com propostas sustentadas e o desempenho que se tem verificado dos actuais Órgãos Sociais, é natural e real esse arrependimento de muitos deles. Alguns não tinham a noção de que é possível fazer mais e melhor numa associação de futebol. As conversas que os clubes, na pessoa dos seus dirigentes, têm comigo são absolutamente privadas. Quanto aos descontentes, têm sempre a hipótese de juntar 20 por cento dos votos e marcar uma assembleia geral destitutória, são os clubes e os núcleos de árbitros que decidem o que querem para a AF Setúbal, da minha parte respeito em absoluto o resultado eleitoral, conforme as regras da democracia e de um estado de direito.

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Quem ficou a perder mais com o facto de não ter sido vencedor. Foi o candidato Nelson Melo ou os clubes que optaram pela continuidade em detrimento da inovação?

Em primeiro lugar é preciso lembrar que, uma longa tradição eleitoral de lista única, foi terminada. O movimento associativo ficou a ganhar. Participaram 94% dos eleitores neste acto eleitoral, obtivemos mais de 46% da votação, tendo como adversário o presidente em exercício, que venceu por menos de 5%, ficou claro que muitos não estão contentes com o seu trabalho. Uma curta maioria, na sua liberdade de expressão não quiseram, optaram por ficar na mesma, o que respeitamos naturalmente.

No decorrer da campanha houve algumas insinuações nas redes sociais de pessoas que apoiavam a sua lista, alegadamente com perfis falsos, que atacaram fortemente elementos da outra lista. Isso foi feito com o seu aval?

Sobre essa questão, já em devido tempo e em sede própria disse o que tinha a dizer sobre a mesma. Tudo o que eu e a minha candidatura transmitimos, foi dito na nossa página oficial. De forma pública e frontal colocámos as nossas propostas sem beliscar a honra de ninguém!

Os últimos tempos não têm sido fáceis de gerir devido à pandemia. Se tivesse sido eleito teria feito algo diferente?

Não foi a pandemia que alterou a fraca dinâmica de gestão dos anteriores ou actuais órgãos sociais. O registo mantém-se e, na minha opinião, um registo de serviços mínimos. Uma Associação não pode ter como “core business“ os Cursos de Treinadores e sustentar a sua actuação a organizar jogos e nomear árbitros. Numa Associação, um Conselho Técnico tem de ser um órgão activo. Aquele que foi o nosso candidato a presidente desse órgão é médico especializado em saúde pública, teria sido uma mais-valia para todos.

Existe alguma estratégia para enfrentar a pandemia ou sobre a orgânica das competições. O que podemos esperar?

Naturalmente, se tivéssemos vencido tudo teria sido diferente. Por exemplo, teria previsto no regulamento de competições, tal como enviei por email para os clubes, uma informação de como decidir no caso de os campeonatos não poderem ser concluídos, e nunca iria propor um campeonato com 38 jornadas, mas os clubes aprovaram. Veja-se o exemplo da AF Porto, que já se encontra na fase de apurar o campeão.

Ainda faltam três anos para novas eleições. De qualquer forma, fica a pergunta. Nos seus horizontes está uma possível recandidatura?

Obtivemos mais de 46% da votação, 499 votos contra 551 daquele que era na altura o presidente em exercício e com o poder executivo de emitir e publicar comunicados na véspera. O facto da lista que encabecei ter conseguido ir a votos, foi o início dum processo de mudança que, muitos ou mesmo já a grande maioria consideram certa. Essa será uma vontade dos sócios ordinários da AFS e, se no futuro for vontade dos mesmos, essa possibilidade será ponderada.

Para finalizar, há algo mais que queira acrescentar?

Sim, gostaria de dizer a todos que é possível termos uma melhor AF Setúbal, com uma nova visão e uma nova liderança, reorganizando os serviços e a organização de competições, melhorar os serviços prestados na área da arbitragem, tornar as selecções distritais competitivas, criar um regulamento eleitoral, actualizar os estatutos, por exemplo os clubes que têm equipas de futebol 9, não tiveram direito a esse voto, porque tal não está previsto nos estatutos. Por outro lado os clubes com equipas do género feminino tem direito a menos votos que os masculinos, tal norma contraria o artigo 13 da Constituição da República (Igualdade), numa Instituição de Utilidade Pública, na nossa opinião, esta não é uma boa prática. Uma AF Setúbal, que apoie os clubes na certificação de competências, e que baixe os preços das formações através de protocolo com as autarquias. Uma AF Setúbal, que tendo em Sesimbra o único campo de Futebol de Praia, reconhecido pela FIFA, e em Setúbal o seleccionador Nacional, Campeão Europeu e Mundial, tenha a dinâmica de organizar o Primeiro Curso de Treinadores de Futebol de Praia. Uma AF Setúbal, que perceba o crescimento exponencial do número de praticantes na região do Litoral Alentejano, criando medidas concretas de apoio, como por exemplo, descentralizando alguns dos treinos das suas selecções distritais, para essa região. Um dia a AF Setúbal vai mudar, é possível fazer mais e melhor. Por fim, deixar o meu elogio público, a todos os dirigentes dos clubes do Distrito, sem excepção! Pela sua coragem e determinação, superando dificuldade sobre dificuldade, os constrangimentos e provações que a pandemia vem impondo quase há dois anos. É ao lado deles que sempre estivemos e contamos estar no futuro. Pelo Futebol, pelo Futsal, pelo Futebol de Praia e Arbitragem do nosso Distrito. Contem connosco!

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