12 Agosto 2022, Sexta-feira
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Pedro Gandaio: “Temos jogadores com muita qualidade e vamos para a luta contra qualquer equipa”

Aos 32 anos, Pedro Gandaio é o homem ao leme dos sadinos na passagem pelo 111.º aniversário. O ex-adjunto de Toni Pereira, que se estreou no cargo com um emocionante triunfo em Torres Vedras ao cair do pano, deixa uma mensagem aos sócios. “Acreditem e continuem a apoiar, o Vitória está vivo e a erguer-se”

 

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O que representa para si ser treinador do Vitória?

Representa um enorme orgulho, uma enorme responsabilidade, sinto-me feliz aqui, sinto que estou num grande clube, onde nada me falta. Sinto-me grato por quem trabalha comigo, pelos jogadores que tenho à disposição e representa uma enorme satisfação e vontade de vencer neste clube. Gosto de ter jogadores com fome de vencer e é assim que me sinto neste clube, com uma fome tremenda de vencer, de ter sucesso, de crescer com o Vitória. Sinto-me muito orgulhoso por poder representar um clube desta dimensão.

Chegou a Setúbal como elemento da equipa técnica de António Pereira, com quem já tinha trabalhado em Alverca. Surpreendeu-a a saída do seu antecessor?

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Sim, sem dúvida. Mais ainda por ter sido no momento em que decidiu fazer. O Vitória tinha nove pontos, cinco jogos realizados, com um jogo em atraso. Ao ganhar esse mesmo jogo em casa contra o U. Santarém iria significar estar em 3.º lugar muito perto dos primeiros classificados. No entanto, são razões pessoais, o mister Toni saberá melhor do que ninguém os motivos que o levaram a deixar o Vitória, e temos de respeitar a sua decisão.

Ficou surpreendido quando foi convidado a assumir o leme da equipa. O que lhe pediu a administração nessa altura?

Sim, fiquei surpreendido, mas acreditávamos que poderiam querer manter a equipa técnica, e assim o fizeram. Nessa altura a Administração pediu-me para liderar a equipa de forma interina pelo menos nos seguintes dois jogos. O do Caldas não se realizou, e no último tivemos um belíssimo resultado com o Torreense (triunfo por 1-0), fruto de muito trabalho e compromisso dos jogadores que nos ajudaram a trazer os três pontos para a cidade de Setúbal.

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Quando chegou ao clube, no passado mês de Julho, alguma vez imaginou que pudesse ser, volvidos quatro meses, o treinador do Vitória por ocasião do 111.º aniversário do clube?

111 são muitos anos de vida, de História e de muitas vitórias. Não imaginei ser o treinador do Vitória tão cedo. Esta época decidi tirar o nível 3 do curso de treinador, consegui entrar, e queria manter-me no activo. O convite feito na altura para adjunto veio a calhar, pois tirava-me alguma responsabilidade. Mas não escondo que a minha ambição é ser treinador principal. Não tenho prazos definidos, tenho sim a certeza do que quero atingir, onde quero chegar e para isso o Nível 3 ainda não chega.

O que mais o surpreendeu quando chegou ao Bonfim?

O que mais me surpreendeu foram as pessoas, estamos a falar de um clube da 1.ª Liga, o Vitória não é desta divisão. A sua grandeza, a sua história, os corredores do Vitória são impressionantes. No entanto, apanhei uma estrutura, um grupo de pessoas (desde da administração até aos técnicos de equipamentos) fantásticas que nos têm tratado de forma exemplar, sinto mesmo que existe uma família no Vitória.

Quais as maiores dificuldades que encontrou?

A maior dificuldade foi mesmo esta transição, quer na relação com os meus colegas, onde era mais um para ajudar o mister Toni e podia discutir ideias em que cada um podia ter a sua ideia sem haver uma decisão final… Agora, por vezes, essa troca de ideias complica-se quando se tem de decidir por um caminho. A outra grande dificuldade, que prefiro chamar desafio, tem sido a passagem de um dos adjuntos para treinador principal perante os jogadores.

Do que conhece da Liga 3, o Vitória tem condições para subir à II Liga esta época?

Do que tenho visto da Liga 3, acredito que o Vitória é um sério candidato. Não nos podemos esquecer que este ano é um ano zero para o Clube e naturalmente há coisas que falham e que estamos menos preparados do que outros clubes onde as suas estruturas estão organizadas há mais tempo, como é o caso do Torreense, do U. Leiria e do Alverca na nossa série. Mas isso não me intimida em nada, sou optimista por natureza, e no jogo com o Torreense demos mais uma prova de que dentro das quatro linhas é o que interessa. Temos jogadores com muita qualidade, temos a experiência dos jogadores mais velhos e a irreverência dos mais novos e vamos para a luta contra qualquer equipa.

A missão que tem em mãos é a mais difícil e exigente que alguma vez teve ou prefere encará-la como um desafio aliciante?

Como referi anteriormente, sou muito optimista e encaro esta missão com muita responsabilidade, com muita gratidão pela oportunidade e ciente de que os resultados irão ditar a minha passagem pelo Vitória. Como tal, encaro-a como uma grande oportunidade, uma oportunidade que não chega todos dias e que acredito que será uma viagem muito bonita com esta família.

Como define o plantel que tem à sua disposição?

Penso que temos um plantel equilibrado. Temos a mistura de jogadores mais experientes com jogadores jovens, temos muita qualidade no plantel de juniores que vêm constantemente treinar connosco, o Rodrigo Pereira tem jogado mais vezes, na jornada anterior jogou o Dani, e haverão mais a aparecer, porque a nossa equipa de juniores tem muita qualidade. Mas, como todos os treinadores, procuramos sempre acrescentar valor ao plantel.

Consegue explicar por palavras o que sentiu no seu jogo de estreia como treinador principal, com o Torreense, quando Bruno Bernardo marcou o golo do triunfo aos 90+6 minutos?

Penso que todos os jogadores perceberam que eu estava bem mais nervoso do que qualquer outra pessoa ali, mas penso que tive a capacidade de não deixar que essa ansiedade e nervosismo me retirasse o foco e a frieza para tomar as decisões de forma racional. Aquele momento é inexplicável, o jogo já tinha terminado há mais de meia hora e parecia que o meu corpo por dentro continuava a tremer, os meus níveis de adrenalina devem ter atingido valores record, e esse momento, foi como se tivesse libertado toda a tensão e toda a pressão que coloquei dentro de mim desde há dez dias.

Quando decidiu que queria ser treinador de futebol?

Decidi que queria se treinador de futebol entre os 17 e os 18 anos. Não queria estudar mais quando finalizasse o 12.º ano, mas foi essa vontade que me fez querer ir para a universidade. Em boa hora que o fiz.

Qual foi o seu percurso até chegar onde está hoje?

No meu estágio de licenciatura, não arranjaram treinador adjunto para mim, então fui para principal dos sub-11 do Núcleo sportinguista de Rio Maior (2009/2010) enquanto era jogador (a nível amador) no Pataiense. No ano seguinte continuei a jogar no clube e passei a treinar os sub-13 e os sub-17 enquanto era coordenador da formação. Em 2011/2012, mantive as mesmas funções no Pataiense, mas subi de escalão com as respectivas equipas e como jogador representei Os Nazarenos. No ano seguinte, e por questões económicas, decidi ir para Lisboa onde acreditava que podia ter mais oportunidades também no futebol. Tive dois anos na escolinha do Sporting de Carcavelos ao mesmo tempo que era treinador principal na equipa de futebol universitário, primeiro no ISCTE e depois na Faculdade de Ciências Médicas. Em 2016/2017, estive como principal dos juvenis do Casa Pia e adjunto da equipa B. Em 2017/2018, como adjunto no Club Sintra Football e, em 2018/2019, no Al Hilal (Arábia Saudita) em funções diferentes, como preparador físico. Em 2019, com o nascimento do meu terceiro filho decidi que tinha de vir ajudar a minha família e regressei. Acabei essa época no Estoril, seguiu-se o Casa Pia, Cova da Piedade e, no ano passado, o Alverca. Acabei a época no Marinhense como treinador principal pois era um desafio que já procurava há algum tempo. O resto, é Vitória!

Integrou a equipa técnica de Jorge Jesus, que no passado também treinou o Vitória, nos sauditas do Al Hilal. Que memórias guarda dessa experiência?

Memórias de uma aprendizagem que jamais esquecerei. De um treinador que procuro retirar o máximo do que me recordo, quer no rigor, na exigência, na paixão e sobretudo na forma de trabalhar as ideias. De um treinador que para mim me tratou como um filho e sei que isso foi o que o deixou mais triste quando decidi regressar a Portugal. Custou-me muito mais deixar o homem. Passei horas no ginásio com um treinador que idolatrava, tinha o privilégio de trabalhar e aprender todos dias.

Quais as suas principais características como treinador? Como se define?

Penso que as principais características são as de ser muito apaixonado pelo que faço. Sou muito rigoroso e muito exigente. A começar comigo mesmo e tento passar isso, e procuro passar essa ideia de compromisso, paixão e vontade aos jogadores mas de uma forma positiva, de forma que seja uma aprendizagem para todos que não seja uma imposição, que é algo que nem sempre consigo.

Qual a sua principal referência / inspiração?

Não tenho uma referência. Gosto de ir buscar um bocadinho de alguns treinadores. Vejo coisas muito boas no Sérgio Conceição, adoro a forma como o Guardiola transforma as equipas por onde passa e como domina os jogos, actualmente sigo o Ruben Amorim com muita atenção por me parecer ser um óptimo exemplo de liderança, comunicação e a forma como consegue ter a equipa comprometida. E podia referir mais um ou dois de topo, mas há muitos treinadores inspiradores como o Luís Freire e agora o Filipe Cândido. Na minha opinião, podemos aprender com todos e tirar noções para a concepção da nossa própria ideia que não tem necessariamente que ser fechada.

O Vitória celebrou a 20 de Novembro o seu 111.º aniversário. Se pudesse escolher um presente qual seria?

A melhor prenda seria a subida de divisão, assinava já, comigo ou sem mim como treinador. Esta administração, estes jogadores, esta gente merecem estar noutro patamar

Que mensagem deixa aos adeptos na passagem de mais um aniversário do clube?

A mensagem que deixo é que acreditem no Vitória, que nos continuem a apoiar, o Vitória está vivo e a erguer-se. Temos estabilidade, algo que não existia há alguns anos e esta administração tem trazido isso, vamos cometer erros, vamos tomar decisões certas e outras erradas, mas tenho a certeza que vamos crescer muito, e que o Vitória muito brevemente estará no seu devido lugar.

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