O bicho papão da inflação energética!

O bicho papão da inflação energética!

O bicho papão da inflação energética!

16 Outubro 2026, Sexta-feira
Vice-Presidente da ACISTDS

A energia não é apenas mais um custo na cadeia de produção mundial. A partir de meados do século XX, o petróleo passou a ser a base sobre a qual assenta praticamente toda a economia moderna. Quando o petróleo aumenta, o efeito propaga-se pela cadeia económica, acabando quase sempre por chegar ao consumidor de todas as formas e feitios (inflação).

Neste cenário, parece quase mecânica a lógica de resposta da política monetária: quando a inflação sobe, aumentam-se os juros; quando abranda, pondera-se baixá-los. A este ritmo, a substituição de um decisor do BCE por uma app com inteligência artificial talvez nem exigisse grande esforço computacional!

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Está mais do que estudado que o aumento das taxas de juros é o remédio adequado para sintomas de inflação por condições económicas “demasiado” favoráveis!

Mas, tal como não devemos utilizar o remédio da diabetes para emagrecer, também o “remédio” do BCE (juros) não se adequa à verdadeira origem do desafio inflacionista agora apresentado! Quando tens um parafuso, não utilizas um martelo… o parafuso pode até ficar rente à parede mas, à martelada, tudo fica destruído à sua volta!

Aumentar as taxas de juro num contexto destes é como martelar um “parafuso”, que limita o acesso ao crédito, desincentiva o investimento e reduz a capacidade de consumo das famílias. Para as empresas, sobretudo as pequenas, significa a quebra abrupta de receita e o aumento dos custos operacionais, uma tempestade perfeita vinda “a martelo” do centro de decisão da política monetária europeia. 

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Daí a pertinência da pergunta retórica: 

Será esta a única resposta possível?

Obviamente que não! Não se trata de dispensar uma política monetária responsável, mas de questionar a sua utilização como resposta predominante a problemas que exigem estratégias de curto, médio e longo prazo.

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A curto prazo, seria preferível reduzir a receita do Estado nos combustíveis e enfrentar algum défice orçamental, do que levar à contração e empobrecimento generalizado. Aqui mesmo ao lado, em Espanha, foi assumida a posição de baixar os impostos dos combustíveis! Em Portugal, privilegiou-se manter o Estado “gordinho”, dando contrapartidas a certos sectores, à custa da carteira dos cidadãos e das pequenas empresas! Esta opção coloca pressão inflacionista em todos os produtos e serviços à venda a partir de Portugal, afetando a nossa competitividade interna e externa.

Num contexto de longo prazo, a energia nuclear deveria voltar a ser ponderada como uma possível opção estratégica… a nível europeu, se investirmos metade do que agora se investe em armamento, no desenvolvimento de novas soluções de fusão ou fissão nuclear, no espaço de poucos anos, estou certo que encontraríamos novas soluções tecnológicas, mais seguras, que nos permitiriam ter energia limpa e virtualmente infinita.

Será com este tipo de pensamento estratégico, complementado com decisões de curto prazo para desafios iminentes, que podemos consolidar a nossa resiliência para fenómenos político-militares perante os quais não temos capacidade de conter ou sequer influenciar. Já para não falar dos fenómenos naturais, resultantes da nossa incapacidade coletiva, a nível mundial, para travar as alterações climáticas a que agora estamos sujeitos!

Precisamos de soluções que atuem sobre as causas dos aumentos de preços, reforcem a resiliência energética e protejam a capacidade de produzir e consumir. Porque estabilizar os preços é importante, mas fazê-lo sem destruir valor económico e sem penalizar quem tem menos capacidade para suportar os custos indiretos das guerras no oriente, é igualmente essencial.

Em momentos destes, fica óbvio que precisamos de políticas mais fortes!  Precisamos de pensamento estratégico! Precisamos de soluções de longo prazo e não de remendos financeiros que a todos prejudicam.

Uma coisa é certa, combater a inflação resultante da escassez de combustíveis fósseis não pode significar, simplesmente, tornar a nossa vida mais pobre.

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