Almada e EPAL assinam acordo para a resiliência do sistema de abastecimento de água do concelho

Almada e EPAL assinam acordo para a resiliência do sistema de abastecimento de água do concelho

Almada e EPAL assinam acordo para a resiliência do sistema de abastecimento de água do concelho

A diversificação das origens de água constitui uma das possibilidades em estudo para aumentar a resposta do sistema perante situações de falha

A Câmara Municipal de Almada, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS) e a EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres) assinaram ontem, 23 de setembro, um acordo de colaboração para estudar uma solução estrutural que permita reforçar a sustentabilidade e a resiliência do sistema de abastecimento de água do concelho.

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Assinado no Museu de Almada – Casa da Cidade, este acordo configura-se num contexto de “crescente pressão sobre os recursos hídricos e de maior exigência sobre os sistemas de abastecimento, associados, entre outros fatores, às alterações climáticas e à evolução demográfica e das necessidades de consumo”, refere a Câmara de Almada.

O abastecimento de água de Almada assenta em origens subterrâneas associadas ao aquífero da Península de Setúbal. “A diversificação das origens de água constitui, por isso, uma das possibilidades em estudo para aumentar a capacidade de resposta do sistema perante situações de falha, emergência ou outras ocorrências que possam comprometer a continuidade do serviço”.

Segundo a Câmara de Almada, no âmbito do acordo, a EPAL vai desenvolver um estudo técnico para avaliar uma solução de abastecimento a Almada a partir do seu sistema, que dispõe de capacidade de captação, tratamento e transporte de água na zona mais próxima do concelho. O estudo poderá envolver, para além das equipas técnicas da empresa, especialistas e projetistas externos e a realização de trabalhos complementares que se revelem necessários.

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Refere ainda a autarquia que estão a ser equacionados dois cenários de fornecimento, com “capacidades entre 4 e 6 milhões de metros cúbicos por ano e entre 10 e 12 milhões de metros cúbicos por ano”. As soluções em análise têm como objetivo “criar redundância no sistema e reforçar a capacidade de garantir a continuidade do abastecimento em situações de contingência”.

As conclusões do estudo e os respetivos relatórios serão partilhados com o Município de Almada e com os SMAS. Concluído este trabalho, a EPAL apresentará uma proposta de contrato de fornecimento, que deverá estabelecer, entre outros aspetos, a configuração e capacidade do sistema, o regime tarifário, os prazos de execução dos investimentos, a duração do eventual contrato e os volumes anuais de água a adquirir pelo Município.

O acordo agora celebrado não determina, contudo, a realização de qualquer investimento nem obriga as partes à celebração de um futuro contrato de fornecimento. Mantém-se igualmente a possibilidade de os SMAS continuarem a procurar e a avaliar outras origens alternativas de água.

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Na cerimónia de assinatura, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, sublinhou a necessidade de responder às fragilidades estruturais do sistema de abastecimento, num contexto em que as alterações climáticas e o aumento das necessidades de consumo colocam novos desafios à gestão dos recursos hídricos.

“O verão que vivemos foi muito difícil. Houve famílias sem água, houve preocupação e houve um enorme esforço das equipas que trabalharam dia e noite para responder à crise. Não esquecemos o que as pessoas passaram. É precisamente por isso que estamos aqui”, afirmou.

Para Inês de Medeiros, a resposta passa por garantir a segurança do abastecimento no imediato e, simultaneamente, preparar soluções estruturais para o futuro: “Perante as alterações climáticas que vivemos, perante o aumento populacional que toda a Margem Sul tem tido e o reflexo que isso tem no aumento dos consumos, temos de cuidar das captações existentes e garantir a segurança do abastecimento”.

José Manuel Sardinha, presidente do Conselho de Administração da EPAL, destacou a importância de estudar uma solução de longo prazo para reforçar a segurança hídrica de Almada, salientando que a capacidade atualmente disponível no sistema da empresa permite equacionar uma resposta de resiliência para o concelho.
“A EPAL tem como objetivo servir as populações com qualidade, com permanência e nesse sentido esta é também uma grande realização nossa, podermos estudar e apresentar uma solução para o sec. XXI de resiliência e de segurança hídrica, num município tão perto dos municípios que nós servimos há muitos anos”.

Também presente na cerimónia, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, enquadrou o acordo numa estratégia mais ampla para a gestão sustentável dos recursos hídricos na Península de Setúbal, região que depende fortemente de recursos subterrâneos e que enfrenta desafios acrescidos associados à evolução demográfica.

“Este protocolo insere-se no objetivo maior de encontrar uma estratégia para a gestão sustentável dos recursos hídricos para a península de Setúbal, que é uma região que está toda dependente de um aquífero, tendo mais de 1 milhão de habitantes e vai albergar o novo aeroporto de Lisboa. Precisamos de uma solução de resiliência para toda esta região”.
Também ontem, a ministra do Ambiente, anunciou que os municípios de Almada e do Seixal vão assinar um acordo para o licenciamento de um furo de captação de água, visando a resolução a curto prazo do problema de abastecimento do concelho de Almada.

O acordo entre os dois concelhos deverá ser assinado no início de outubro.

Segundo a ministra, o furo, denominado CBR2, está localizado no concelho do Seixal, como a maioria dos furos que abastecem Almada, que esteve em situação de alerta desde o início de julho e até final de agosto devido a sucessivas falhas no abastecimento de água, com especial incidência na Costa da Caparica.

“É muito importante porque precisamos, de uma forma harmoniosa e de acordo com todos, licenciar o furo CBR2, o famoso furo que vai resolver, para já, em curto prazo, e que está localizado no Seixal”, disse Maria da Graça Carvalho.

A ministra falava durante a assinatura do acordo entre Almada e a EPAL para estudar uma solução que reforce a resiliência e a segurança do sistema de abastecimento de água do concelho.

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