ANAFRE diz que falta quórum ao executivo da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo

ANAFRE diz que falta quórum ao executivo da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo

ANAFRE diz que falta quórum ao executivo da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo

Assembleia de Freguesia solicitou ao presidente da junta que apresente nomes para recompor executivo e serem votados. Reunião agendada para dia 14

A Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) entende que o executivo da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo não tem quórum. Esta é uma das conclusões que constam no parecer já enviado à Assembleia de Freguesia pela ANAFRE, sabe O SETUBALENSE.

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Depois das renúncias dos eleitos pelo Chega, o executivo da junta ficou reduzido a apenas dois de um total de cinco elementos: o presidente Nuno Valente – que entretanto já se desvinculou do Chega – e o tesoureiro José Cordeiro (a quem o PSD já havia retirado a confiança política por ter aceitado integrar o executivo).

A secretária Paula Robalo, eleita pelo Chega, foi a última baixa no executivo. Renunciou ao mandato a 15 de junho e depois voltou atrás na decisão. Porém, no entendimento da ANAFRE, a renúncia produz efeitos automáticos e imediatos e não é passível de ser revertida.

Ainda assim, enquanto não for formalmente substituída, a secretária mantém-se legitimamente em funções e é válida a sua participação em reuniões e deliberações. Segundo a ANAFRE, após a substituição, a participação subsequente da renunciante faria com que as deliberações fossem anuláveis e acarretassem consequências financeiras e de responsabilidade para os membros do executivo.

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Nas respostas enviadas à Assembleia de Freguesia, a ANAFRE faz notar também que, com apenas dois dos cinco elementos legalmente previstos, o executivo da junta não pode reunir-se nem deliberar com validade sobre qualquer matéria, por falta de quórum. Existe apenas a possibilidade de o presidente da junta praticar actos isolados, ao abrigo das competências próprias, de gestão corrente e já orçamentados.

A ANAFRE, apurou ainda O SETUBALENSE, considera que a Assembleia de Freguesia deve interpelar o mais rapidamente possível o presidente da junta, no sentido de que este proponha novos vogais para colmatar as vagas, em reunião extraordinária a convocar para o efeito.

E esta démarche já foi desencadeada. “Com base no parecer que chegou [da ANAFRE], solicitei ao presidente da junta que apresente os nomes dos vogais para recompor o executivo e serem votados, em sessão agendada para dia 14 [de setembro]”, confirmou António Mestre, que preside à Assembleia de Freguesia.
O SETUBALENSE tentou contactar o presidente da junta, mas sem sucesso até ao momento.

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Nuno Valente deixa Chega
Para trás, fica um historial de demissões e fratura no seio do Chega no concelho de Palmela. E no dia 10 de agosto, Nuno Valente anunciou, em comunicado, a desvinculação do partido, passando a desempenhar as funções de presidente na Junta de Quinta do Anjo na qualidade de independente.

“A decisão surge na sequência de uma reflexão profunda sobre as condições políticas e institucionais verificadas desde o início do mandato, nomeadamente as incompatibilidades com as estruturas partidárias da ex-concelhia e [da] ex-distrital, a ausência de apoio político e institucional e um conjunto de divergências que […] tornaram insustentável a continuidade da sua vinculação partidária”, lê-se no comunicado.

“Esta decisão não significa que abandone o mandato que me foi confiado pelos eleitores. Significa que deixo de estar vinculado a uma estrutura partidária e passo a exercer a presidência com plena independência política, colocando a Quinta do Anjo acima de qualquer interesse partidário, agendas pessoais ou outros”, afirma Nuno Valente, citado na mesma nota.

O executivo da junta de freguesia (que emana da eleição à Assembleia de Freguesia) integrava quatro eleitos do Chega e um eleito da AD, mas neste momento, face à demissão de três eleitos do Chega, restam apenas dois, o atual presidente Nuno Valente, eleito pelo Chega, e um eleito da AD, a quem o PSD retirou a confiança política.

Críticas PS e CDU reagem a desvinculação do Chega

O anúncio da desvinculação de Nuno Valente do Chega motivou reações de PS e CDU, que não poupam críticas à atuação do líder do executivo.
Para os socialistas, a freguesia “vive um momento de profunda incerteza e paralisia governativa, provocado exclusivamente pela incapacidade de gestão do executivo eleito nas listas do Chega”.
“A tentativa tardia do presidente da junta em afastar-se da sigla partidária não apaga a total falta de quadros e de preparação para governar, nem resolve a paralisia de uma autarquia que ficou sem quórum, sem capacidade de deliberação e sem a confiança dos eleitores. A passagem a independente não ressuscita mandatos nem atribui quórum a um órgão colapsado. O PS não compactuará com manobras de bastidor nem validará actos que não tenham cobertura legal, exigindo o cumprimento escrupuloso da lei”, afirma o PS em comunicado. “Tudo faremos para repor a estrita legalidade democrática e garantir que a gestão dos dinheiros públicos não fica à mercê de decisões unilaterais e ilegítimas”, adianta. Os socialistas vão ainda mais longe e lançam uma bicada à CDU. “Enquanto a actual liderança da junta se afunda no desgoverno, outros, sonhando com um regresso ao passado, assistem na fila da frente numa passividade estratégica, ignorando que é a população de Quinta do Anjo que está a ser prejudicada”, disparam.
Já a CDU afirma que contribuiu sempre para que o executivo da junta tivesse todas as condições para governar e lembra o “orçamento aprovado” na Assembleia de Freguesia, “ainda que com necessidade de correção”, “a incorporação do saldo financeiro positivo, transitado da anterior gestão”, e a “aprovação da proposta do presidente para composição do executivo, por si escolhido”.
“Apesar de dispor de todas as condições para o exercício das suas funções, o resultado de dez meses de gestão Chega traduz-se na visível degradação do serviço público prestado, na incapacidade para o cumprimento das competências próprias ou delegadas pelo município”, atira a CDU, que, em comunicado, lembra ainda o facto de a Assembleia de Freguesia ter aprovado a solicitação de pareceres oficiais à CCDR-LVT e à ANAFRE sobre a situação do executivo.

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