Câmara de Setúbal e Federação Portuguesa de Natação dizem que foram feitas as devidas análises às águas como manda a World Aquatics
Cerca de uma dezena de atletas que participaram no passado fim de semana na Taça do Mundo Águas Abertas, que decorreu na Praia de Albarquel (PUA), sentiram-se indispostos depois da prova ter terminado. O caso mais grave foi o da nadadora húngara Bettina Fábián, vencedora do 2.º lugar da prova, que esteve sete horas a soro.
As principais afetadas foram as nadadoras que participaram na prova que decorreu no sábado pelas 10 da manhã. Segundo o jornal A Bola foram várias as desportistas que tiveram sérios problemas intestinais e entre sete a uma dezena das 48 participantes (terminaram 36) acabaram por ter de ser assistidas no hospital para receber soro. Os homens, cuja prova teve lugar nesse mesmo dia mas pelas 16 horas, dizem também ter sentido algum desconforto – mas não tão grave quanto no caso das mulheres.
Um dos relatos recolhidos pelo jornal desportivo é da italiana Ginevra Taddeucci (5.ª classificada). “Passei uma noite inteira a vomitar, deitada no chão! Querida World Aquatics, há anos que lutamos com a má qualidade da água nas competições. Onde está a proteção para os atletas?”.
Também nas redes sociais a francesa Ines Delacroix culpou a qualidade da água. “Adoecer devido à qualidade da água uma semana antes dos campeonatos nacionais não era exatamente o que tinha imaginado! Preparei-me para Setúbal com probióticos, mas ainda estou doente sem parar desde segunda-feira, tenho febre alta e durmo ao lado da casa de banho”.
Para o selecionador alemão, Bernd Berkhahn, em declarações ao Bild, o problema foi a água ter sido controlada 48 horas antes da competição, numa zona conhecida pelo tráfego naval. “Os grandes navios descarregam as suas casas de banho e outros resíduos diretamente na água”.
Miguel Arrobas, presidente da Federação Portuguesa de Natação, assegurou que todos os processos foram cumpridos antes dos atletas entrarem nas águas do Sado. “Teoricamente terá sido alguma coisa no sábado de manhã, mas a federação, a Câmara de Setúbal e a organização cumpriram todos os trâmites para este tipo de provas. Particularmente as análises à água exigidas pela World Aquatics. Tudo se fez para que as normas fossem cumpridas e até perguntei à câmara se haviam acontecido descargas na zona ou um descuido qualquer, mas ainda não conseguimos apurar a origem do que provocou os problemas às atletas. Se é que essas causas vieram dali”.
Fonte da Câmara Municipal de Setúbal adiantou a O SETUBALENSE que foram feitas análises às águas da Praia da Saúde e do PUA três meses, oito dias e 48 horas antes das provas, como mandam as regras da World Aquatics, e que estas “estavam ótimas”. Os resultados foram entregues aos responsáveis pela organização da competição.
O responsável conta ainda que, em 18 edições realizadas ao longo de 20 anos, só entre 2011 e 2012 se registou um problema ao nível das águas “por causa de umas chuvas uns dias antes, que afetou a qualidade das águas, mas nada com esta dimensão”, uma informação que a autarquia setubalense confirma.