Filipe Rita, de 36 anos, que nas últimas três épocas treinou o Almada Atlético Clube na Divisão de Honra de Andebol, a segunda competição mais importante da modalidade no nosso país, está de saída do clube almadense mas vai continuar a exercer as suas funções, noutro clube da mesma divisão, o Boa Hora Futebol Clube.
Em entrevista a O SETUBALENSE, Filipe Rita deixou bem patente que não houve nenhuma razão especial para a saída porque “tudo na vida tem um princípio e um fim” e a comunicação foi feita atempadamente.
O treinador faz um balanço positivo da época porque o objetivo foi conseguido embora só tenha sido através da participação no Grupo “B”.
Depois de três épocas no Almada AC foi anunciada a sua saída. Pode saber-se as razões porque não continua?
Foi uma escolha pessoal. Foi uma escolha difícil mas muito ponderada. Tudo na vida tem princípio e um fim, e com o decorrer da época fui sentido que esse fim se aproximava e no fim de março/início de abril comuniquei à direção do clube e ao grupo que sairia no final da época. Não existe uma razão específica para a saída, porém eu entrego sempre 100% de mim em tudo o que faço, e por vezes, essa entrega origina alguma saturação, mas faz parte desta profissão.
O objetivo foi alcançado mas fica a ideia que o campeonato foi muito competitivo e o equilíbrio entre as equipas uma constante. Concorda?
Concordo plenamente. A liga honra é o campeonato mais competitivo em Portugal. Foi uma das grandes conquistas da Federação a criação desta Liga de Honra. Os jogos são sempre muito competitivos e muito bem disputados onde reina o equilíbrio. Cada jogo resolve-se no pormenor e no detalhe, obrigando a que todos estejam focados a 100 por cento durante cada jogo.
Qual o balanço que faz da participação do Almada AC esta época na Divisão de Honra?
Faço um balanço de época positivo. O grande objetivo da época era garantirmos a manutenção mas através da classificação pelo grupo A. A forma como conseguimos, pela participação no grupo B, é que acabou por complicar um bocadinho mais as nossas contas. No entanto, no final de contas, conseguimos obter a manutenção a uma jornada do fim, que era o objetivo proposto no início de época.
A classificação obtida corresponde ao valor da equipa ou poderia ter sido um pouco melhor?
Na minha opinião, a classificação obtida é sempre a classificação justa. No entanto, penso que tínhamos equipa para ter ido um pouco mais além. O nosso objetivo passava por conseguir o apuramento para o grupo A, dando seguimento ao trabalho efetuado na época anterior. Porém, tivemos alguns contratempos durante a época que nos impediram de alcançar esse objetivo, entre muitas lesões, fatores internos, fatores externos… Tudo fez com que acabássemos a primeira fase em 9.º lugar e fora do grupo A. Quando começamos a segunda fase, já no grupo B, entramos da pior maneira e ao fim de quatro jornadas já levávamos quatro derrotas. No entanto, ao longo desses três anos, esta equipa sempre se caracterizou por, nos momentos de grande aperto, nunca vacilar. E a verdade é que, após essas quatro derrotas, tivemos quatro vitórias e dois empates nos seis jogos seguintes. Essa performance permitiu-nos a uma jornada do fim assegurarmos a manutenção. Acho que tínhamos equipa para termos entrado no grupo A, porém não conseguimos gerir da melhor maneira os momentos menos bons que fomos tendo ao longo da época. No entanto a equipa mostrou a qualidade que tinha.
E, em relação ao seu futuro como treinador. Já há algo de concreto?
Tive algumas propostas após ter anunciado a minha saída do Almada AC. Propostas essas que me fizeram refletir um pouco, no entanto, já existe um acordo fechado com a equipa do Boa Hora FC, que milita na divisão de honra, para a próxima temporada. Estou contente por poder continuar a trabalhar numa liga tão competitiva como a Liga de Honra e tentar ajudar o Boa Hora a alcançar os seus objetivos.
Há algo mais que queira salientar?
Gostava de deixar uma palavra de agradecimento a todos os atletas, treinadores e dirigentes com quem trabalhei ao longo destas três últimas épocas. Agradecer também aqueles que me são próximos e sempre me acompanharam, nos bons e nos maus momentos, ao longo destas três épocas. Gostava também de agradecer ao Almada por me ter dado a oportunidade de trabalhar a este nível. Saio com o sentimento de dever cumprido e de termos colocado o Almada onde merece estar.