Autor do único golo no embate de domingo entre o Vitória e o Amora B, o avançado Zé Mário foi o herói dos sadinos ao marcar o 1-0 que deu os três pontos à sua equipa na partida de acerto de calendário, referente à 17.ª jornada do Campeonato da I Divisão da Associação de Futebol de Setúbal. No Estádio do Bonfim, o jogador substituiu Catarino, aos 60 minutos, e, aos 82, festejou com os colegas o golo que viria a dar a vitória.
Com o tento obtido, que interrompe um período de mais de dois meses se ‘faturar’ [n.d.r.: tinha marcado um golo no triunfo 2-0 sobre o Fabril a 17 de janeiro], Zé Mário, de 22 anos, aumenta para oito o número de golos marcados pelos verdes e brancos. Refira-se que seis dos tentos foram a contar para a Taça AFS ‘Joaquim Sousa Marques’ e os outros três foram no campeonato.
Em relação ao facto de se ter reencontrado com os golos, curiosamente frente à sua anterior equipa, o avançado encara com naturalidade esse momento. “Voltei a marcar, antes também já tinha estado vários jogos de seguida a fazer golos [jornadas 14 e 15 do campeonato com o Charneca Caparica e Fabril, respetivamente e jornadas 2 a 4 da Taça AFS com o Arrentela – ‘hat-trick’ – O Grandolense e Afonsoeirense]”.
Depois de ter ficado fora das opções na 20.ª ronda frente ao Moitense, Zé Mário voltou a fazer parte da ficha de jogo este domingo, dia em que o treinador Paulo Martins lançou-o no decorrer da segunda parte, acabando por ser decisivo. “Tinha ficado uma semana de fora, entrei agora e marquei golo. É o resultado do trabalho e da confiança da equipa. Tudo é resultado do trabalho no dia-a-dia”.
Em relação à forma como viu o encontro desde o banco de suplentes e depois já dentro do campo, o atacante nascido na Guiné-Bissau, a 20 de janeiro de 2004, considera que a eficácia na finalização na oportunidade que teve foi a chave do sucesso. “Na primeira parte tivemos oportunidades para marcar, mas não conseguimos fazer golo. Depois do intervalo, aplicamo-nos mais ainda e conseguimos chegar ao 1-0”.
No final do encontro, o homem do jogo diante dos amorenses começou por salientar o apoio dos adeptos e vincar a importância da conquista dos três frente a um adversário de valor. “Quero em primeiro lugar agradecer a todos os vitorianos e à equipa. O jogo era complicado, sabíamos que o Amora é uma equipa de qualidade e difícil e, por isso, tínhamos de entrar com tudo”.
Nas declarações prestadas ao Instagram do clube depois de o árbitro Lucas Feijão ter apitado para o final da partida com o Amora B, Zé Mário virou o foco para o obstáculo que os vitorianos vão ter na 22.ª jornada quando defrontarem, em Setúbal, o GD Sesimbra, atual 3.º classificado com 40 pontos (menos 15 que os sadinos que lideram com 55). “Agora é pensar no próximo jogo que vamos ter em nossa casa para somarmos mais três pontos”.
Suplente goleador
Um facto curioso em relação a Zé Mário prende-se com o facto de os três golos que soma no campeonato terem sido todos apontados como suplente utilizado. Frente ao Amora B entrou aos 60 minutos e marcou, com o Fabril foi a jogo aos 59 e ‘faturou’ e com o Charneca foi a jogo aos 63 e também fez golo. Em setembro de 2025, na Taça AFS, fez três golos ao Arrentela e um a O Grandolense depois de entrar no início da segunda parte. A exceção que confirma a regra aconteceu com o Afonsoeirense: alinhou os 90 minutos e fez um dos golos da goleada (5-0).
Na lista de melhores marcadores do Vitória no campeonato, Zé Mário (com três golos) ocupa a sexta posição (a par de João Delgado) atrás de Leo Chão (10), Bruninho (seis), Catarino (cinco) e Marouca e André Gomes (ambos com quatro). Na Taça AFS, o atacante guineense soma cinco golos na tabela de artilheiros apenas atrás de Catarino (seis) e à frente dos colegas Leo Chão (três) e Marouca e Bruninho, ambos com dois.
Zé Mário chegou a Portugal vindo da Guiné-Bissau para jogar, então, nos juniores do Amora FC e rapidamente se destacou, chegando à equipa principal em 2022/23. Depois disso, passou por algumas dificuldades de afirmação e foi transferido para o Cukaricki da Sérvia, onde até se estreou na Liga Europa em 2023/24. Na mesma temporada foi emprestado ao Torreense, mas não encontrou o seu lugar e foi emprestado novamente, no ano seguinte, ao clube que lhe abriu as portas em Portugal, o Amora.
Em 2025/26 seguiu-se o Vitória, clube que Zé Mário não escondeu a sua felicidade em representar os sadinos quando chegou ao Bonfim. “Sinto-me muito feliz de estar aqui. O Vitória é um clube que toda a cidade apoia. Obrigado aos adeptos, ao clube e aos colegas de clube pela confiança que me deram. Esta vai ser sempre a minha casa”, disse na altura ao ‘site’ “Craques.pt”.