Primeiro ponto da ordem de trabalhos levou a uma acesa troca de palavras entre Clarisse Campos e Mário Caixas
A última reunião da Câmara de Alcácer do Sal, realizada na passada quinta-feira, ficou marcada pela divergência entre a presidente do município, Clarisse Campos (PS), e o vereador Mário Caixas (agora independente), sendo notória a cisão entre os dois.
Na origem esteve o primeiro ponto da ordem de trabalhos, uma tomada de conhecimento do despacho emitido a 10 de março, através do qual a presidente do executivo retirou a confiança política e os pelouros a este eleito. Mário Caixas pediu para usar da palavra, tendo-lhe sido negado pela presidente do município, sustentando que o assunto já havia sido “discutido na última reunião de câmara, antes do período da ordem do dia”, sendo que o vereador já havia tido a “oportunidade de apresentar as suas questões nesse período”.
Clarisse Campos acrescentou que, na presente reunião, o ponto estava apenas para tomada de “conhecimento”, podendo ser apresentado, por parte de Mário Caixas, um protesto para a ata.
Perante a insistência do número três do executivo, a edil invocou o regimento da câmara municipal, ao abrigo do regime jurídico das autarquias locais, recusando a intervenção ao vereador que, por sua vez, pediu à presidente que a fundamentasse, insistindo nesse direito “quantas vezes” o assunto for levado a reunião, podendo pronunciar-se sempre que tal aconteça, sendo ele o visado, sublinhou.
O diferendo acabou por levar à suspensão da sessão, seis minutos após o início, para consulta dos serviços jurídicos da autarquia. A jurista presente anuiu tratar-se de um ponto “apenas para conhecimento”. “Não há discussão, não há votação, ainda para mais se o assunto já havia sido avaliado em reunião anterior”. Perante tal entendimento a vereadora Ana Morgado (CDU) alegou não estar “a tomar partidos”, dizendo “não concordar” com a posição da presidente, uma vez que “futuramente, poderá acontecer-nos a mesma coisa”.
Em resposta, Clarisse Campos insistiu que o ponto já havia sido analisado “apesar de não ter constado na ordem de trabalhos” pois “não podia ter sido incluído”, uma vez que a agenda “já havia sido distribuída” e que a inscrição na ordem de trabalhos da presente sessão não remetia para análise, mas apenas para conhecimento. Completou, ainda, na explicação à vereadora da oposição, tratar-se daquele assunto “concreto”.
Após este impasse, que veio confirmar a rutura no seio do executivo socialista, os trabalhos foram retomados dentro da normalidade.
O SETUBALENSE procurou, desde o passado dia 12 de março, obter declarações da presidente e do vereador, agora independente, com vista a esclarecer os motivos que levaram à retirada da confiança política. Até à presente data, nenhum dos dois quis prestar declarações.